Domingo, 12 de Outubro de 2008

CONTOS DA MONTANHA - MIGUEL TORGA

 

 

Analisar os contos de Miguel Torga é como analisar reflexos sociais do interior de Portugal. Suas personagens trazem o genuíno habitante da montanha. Ao nos adentrarmos pela paisagem humana das aldeias transmontanas, encontramos em cada esquina os rostos descritos no universo de Torga. Quantas lendas e costumes não nos conta essa gente que a narrativa de Torga registrou. São personagens inseridas no ambiente rústico e pobre das aldeias. São personagens natos nas dificuldades do frio cortante das montanhas e passam pela vida com a visão irônica de todo o meio do qual emanam as tradições, as crenças, o trabalho, a religião.
Tomando como base os “Contos da Montanha”, (8ª edição - Coimbra - 1996), vamos encontrar diversas personagens que nos mostra o universo regionalista de Miguel Torga. Nos contos de Torga as ações decorrem num emaranhado de emoções, onde as personagens vivem tais ações num tempo ilimitado, quase descrito em uma vida. Neles o devir temporal acontece sempre do presente para o futuro, onde o narrador adquire uma existência textual, quase como quem conta a vida das personagens e assume a forma de como elas pensam. Em cada conto o retrato de uma sociedade pobre e tipicamente da época do Portugal do Estado Novo (tais contos foram publicados pela primeira vez em 1941), onde o lema “Deus, Pátria e Família” é perseguido através do profundo catolicismo, do amor à terra e à família, onde a miséria faz dos sonhos e dos ideais situações de mera ironia, quase que um fado.

A Mulher das Aldeias

Maria Lionça, do conto “A Maria Lionça”, aceita com dignidade o seu fado, sem contestá-lo, ao resignar-se à miséria e à dor. O marido emigrou em busca de melhores condições e volta velho e doente; o filho persegue o inconformismo do pai e parte perseguindo o vazio, deixando à Maria Lionça apenas a dignidade da dor, e o respeito de todos pela forma como da vida apenas aceita o fado. Sim, ao abdicar da condição de mulher para apenas ser mãe e fiel ao amor que partiu, ao enterrar o marido e depois o filho, a dor também toma forma de vida, e só quem tem dignidade sabe sobreviver a ela. E a própria resignação de Maria Lionça diante da dor e da fatalidade da vida, fez com que ela se tornasse um mito:

Fala-se nela e paira logo no ar um respeito silencioso, uma emoção contida, como quando se ouve tocar a Senhor fora. E nem ler sabia! Bens - os seus dons naturais. Mais nada. Nasceu pobre, viveu pobre, morreu pobre, e os que, por parentesco ou mais chegada convivência, lhe herdaram o pouco bragal, bem sabiam que a grandeza da herança estava apenas no íntimo sentido desses panos. Na recatada alvura que traziam da arca e na regularidade dos fios do linho de que eram feitos, vinha a riqueza duma existência que ia ser a legenda de Galafura.”

Assim, o próprio mito também é coberto de dor, a dignidade do mito é mais forte do que a de uma heroína carismática, Maria Lionça representa a alma portuguesa diante das obrigações de mulher que se anula e dá passagem para a mãe, a que cuida do filho e sonha com a volta do amor que a vida levou. Quase como anti-herói, a personagem aqui representa muitas mulheres que permaneceram na terra, a lavrá-la, amá-la e respeitá-la, enquanto os companheiros perseguiam os sonhos de melhores condições sociais, onde a emigração era vista como a grande promessa. Muitos voltavam arruinados, doentes, sem esperanças, mas voltavam à terra que nasceram ainda que mais não fosse para morrer nos braços das fiéis mulheres que ali permaneceram, sem sonhos, sem nada.

O Homem Entre a Marginalização e a Aventura

Menos conformistas são o ladrão Faustino de “Um Roubo” e o Firmo de “Homens de Vilarinho”, onde ambos, de maneiras diferentes - um pelo roubo, outro pela aventura - tentam fugir do meio em que foram inseridos e, portanto são marginalizados pelos da aldeia; o primeiro que não é dado ao trabalho do campo, tem um velho sonho: assaltar a Senhora da Saúde. Decide que precisa alimentar a família, para tal efeito roubará a caixa de esmolas da igreja. É notável a luta psicológica da personagem entre o certo e o errado, o humano e o divino, a farsa e a realidade:

“Embora gatuno de profissão, pois que não se podia chamar cesteiro a quem só lá de tempos a tempos fazia um cesto por desfastio, Faustino, mal deu de chofre com a capela, teve um baque no coração. E parou. Nunca assaltara nenhum lugar sagrado. Sempre era roubar a Senhora da Saúde!”

Mas Faustino respeita a profissão que tem, como um egocêntrico Robin Hood, achava de direito tirar da santa que tanto tinha, para dar a si próprio, pobre ladrão miserável. E para concretizar tal sonho, caminhou durante a noite debaixo de uma chuva pesada. Todo molhado, chega à capela e descobre que a caixa de esmolas está vazia, sente-se lesado, chega à conclusão de que o verdadeiro ladrão é o padre, afinal foi quem limpou a caixa e deu fim ao dinheiro. Com a ironia cáustica que é comum em Miguel Torga, o pobre ladrão volta para casa sem o dinheiro, o sonho desfeito, com muita febre por andar à chuva. Pouco tempo depois está moribundo. Mesmo em delírio, já a receber a extrema-unção, ele não perde a forma de rebelião, ao acusar o padre de ladrão.
O Firmo, não é ladrão, mas também tem a alma maior do que o meio em que surgiu e ao qual está confinado. O espírito é o da aventura. Mas como a sua aventura é viver os perigos da estrada e dos lugares distantes, sem o retorno do dinheiro dos emigrantes, o Firmo é acusado pela aldeia e pelo padre de não ter raízes e amor à terra e à família, o que levaria também à falta de amor a Deus. O padre (que tem mulher e filhos, por isso ele próprio inadaptado na condição do celibato e criticado pelo bispo), tenta por tudo prender o Firmo à família e à terra, para que leve uma vida tranqüila e de temor a Deus. O Firmo tenta satisfazer ao padre e à família, domesticando em si a força da aventura. Mas dentro dele existe aquele que não se adapta à terra e ao tempo em que socialmente são vividas as histórias, decide por fim partir:

“Nem parecia o mesmo. Como um homem se modifica! Lá diz o ditado: Infeliz pássaro que nasce em ruim ninho. Tanto monta correr, como saltar: as asas puxam-no sempre para onde aprendeu a voar. Pusessem os olhos naquele exemplo.”

Um Olhar Português

Talvez seja esta a chave do universo de Miguel Torga, as histórias das aldeias, onde honra, trabalho, luta e personalidades tomam formas próprias. As personagens estão condicionadas ao espaço e ao ambiente, mas psicologicamente são superiores ao meio de onde certamente jamais irão sair. De uma forma bem-humorada, a tragédia anda lado a lado com a vida, mas como na literatura portuguesa a tragédia geralmente toma forma de fado, ao contrário dos clássicos gregos, onde jorra o sangue, aqui a fatalidade é vista com ironia, quase sarcasmo, de um humor tipicamente português. De um vocabulário rico, uma narrativa densa e povoada de descrição psicológica e social, Miguel Torga parece brincar com as personagens, parece conhecê-las como as linhas das mãos. Dentro da simplicidade de uma vida do campo, onde a miséria é rica em lendas, em misticismos, ninguém como ele consegue tal proeza. Talvez o maior dos contistas contemporâneos, Miguel Torga descreve dentro do conto regionalista um universo plural, onde as personagens tornam-se universais. Um universo mágico de gente e lendas que todos nós já ouvimos falar, lendas que nos foi contada pelos nossos avós, por alguém já distante, mas que retratam vidas.
Quem nunca ouviu falar em bruxedos mortais, como o que dizimou a Melra em “O Bruxedo”, ou do infeliz menino órfão que, para defender o rebanho do seu malvado tutor, matou o lobo feroz, como o fez o Gonçalo de “Maio Moço”, transformando-se em herói das aldeias. Aqui, ao contrário de Maria Lionça, o mito é construído diante do ato de coragem e heroísmo próprio dos fortes, acrescentando os populares ao mito o que melhor lhes parecesse:

“Herói do povo, aconchegavam -no orgulhosamente à fibra mais generosa do coração. Inventavam-lhe façanhas antigas, ditos cheios de graça, habilidades que nunca tivera. Do deserto monótono de outrora ia surgindo uma biografia rica, divertida, recheada de peripécias e de sentido. Pareciam abelhas a encher um favo. Ninguém queria deixar de colaborar na gesta redentora.”

Há ainda a história da pobre virgem desgraçada pelo aproveitador Arlindo de “A Paga”, cuja castração do mal-feitor é a solução para a defesa da honra caprichosa. Também há emigrantes vencedores, como o Lucas de “A Promessa”, que quase morto no Brasil, faz uma promessa que não pode cumprir, devido aos desvarios da mulher, deslumbrada com a nova condição de rica. Há as dores da vida em “O Cavaquinho”, enfim, um olhar lacônico diante da vida, sempre a fugir dos sonhos para a dura realidade em que o país vivia, rico em história, encerrado numa ditadura que atravessaria quase metade do século, um olhar português, mordaz, irônico, melancólico e saudosista.
Histórias das terras do granito, das rochas frias, dos invernos intensos e sem fim, da gente do campo e suas tradições. Talvez o universo regionalista de Torga só seja comparado com o universo complexo de Guimarães Rosa ao descrever os sertões brasileiros. Torga possui dentro do conto um domínio único. As personagens e as histórias são rápidas, intensas, densas, com uma surpresa agradável ao fim de cada uma delas, onde o espaço social das personagens muitas vezes é confundido com o espaço psicológico, onde elas tomam uma forma sempre inquietante no tempo que desenrolam, fazendo com que tenhamos a certeza de que fomos canalizados durante todo o texto para um final trabalhado.

Miguel Torga

Nascido em São Martinho de Anta, Vila Real, região transmontana portuguesa, em 12 de agosto de 1907, Adolfo Correia Rocha tornou-se sob o pseudônimo de Miguel Torga, um dos maiores escritores portugueses do Século XX. Filho de uma família humilde emigrou para o Brasil aos doze anos, vivendo em Leopoldina, onde trabalhou com um tio em sua fazenda de café. De inteligência intelectual privilegiada, fez com que o tio lhe custeasse os estudos. Custeado pelo tio, voltou para Portugal, onde se formou em medicina em Coimbra.
Mas foi na literatura que o doutor Miguel Torga cuidou da saúde psicológica de milhares de personagens, construindo uma literatura de caráter humanista. A obra de Torga descreve principalmente o homem transmontano e seus costumes, crenças e tradições. Foi o primeiro vencedor do Prêmio Camões. Morreu em Coimbra, em 17 de janeiro de 1995.

 


 
 
 
OBRAS:

Poesia:

1928 – Ansiedade
1930 – Rampa
1931 – Tributo
1932 – Abismo
1936 – O Outro Livro de Job
1943 – Lamentação
1944 – Libertação
1946 – Odes
1948 – Nihil Sibi
1950 – Cântico do Homem
1952 – Alguns Poemas Ibéricos
1954 – Penas do Purgatório
1958 – Orfeu Rebelde
1962 – Câmara Ardente
1965 – Poemas Ibéricos

Ficção:

1931 – Pão Ázimo
1931 – Criação do Mundo
1934 – A Terceira Voz
1937 – Os Dois Primeiros Dias
1938 – O Terceiro Dia da Criação do Mundo
1939 – O Quarto Dia da Criação do Mundo
1940 – Bichos
1941 – Contos da Montanha
1942 – Rua
1943 – O Senhor Ventura
1944 – Novos Contos da Montanha
1945 – Vindima
1951 – Pedras Lavradas
1974 – O Quinto Dia da Criação do Mundo
1976 – Fogo Preso
1981 – O Sexto Dia da Criação do Mundo
1982 – Fábula de Fábulas

Peças de Teatro:

1941 – “Terra Firme” e “Mar”
1947 – Sinfonia
1949 – O Paraíso
1950 – Portugal
1955 – Traço de União
 




CRONOLOGIA

1907 – Nasce Adolfo Correia da Rocha em São Martinho de Anta (distrito de Vila Real).
1920 – Emigra para o Brasil.
1925 – Regressa do Brasil.
1927 – Fundação da "Presença" em que colabora desde o começo.
1928 – Ingressa na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra; Ansiedade, primeiro livro, poesia.
1930 – Deixa a "Presença".
1931 – Pão Ázimo, primeiro livro em prosa.
1933 – Formatura em Medicina.
1934 – A Terceira Voz, prosa; passa a usar o pseudônimo Miguel Torga.
1936 – O outro livro de Job, poesia.
1937 – A Criação do Mundo - Os dois primeiros dias.
1939 – Abertura do consultório médico, em Coimbra.
1940 – Os Bichos.
1941 – Primeiro volume do Diário; Contos da Montanha, que será reeditado no Rio de Janeiro; Terra Firme, Mar, primeira obra de teatro.
1944 – Novos Contos da Montanha; Libertação (poesia).
1945 – Vindima, o primeiro romance.
1947 – Sinfonia (teatro).
1950 – Cântico do Homem (poesia); Portugal.
1954 – Penas do Purgatório (poesia).
1958 – Orfeu Rebelde, poesia.
1965 – Poemas Ibéricos.
1981 – Último volume de A Criação do Mundo.
1993 – Último volume do Diário (XVI).
1995 – Morre Adolfo Correia da Rocha.
 
 
 
 
 
 
 
 
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Domingo, 21 de Setembro de 2008

FLORBELA ESPANCA UMA MULHER ALÉM DO SEU TEMPO

 

 

Florbela Espanca foi uma das maiores poetisas da língua portuguesa. Nasceu em 8 de dezembro de 1894, na pequena Vila Viçosa, Alentejo. Filha de José Maria Espanca e de sua concubina Antonia da Conceição Lobo, é fruto fora do casamento do pai devido à impossibilidade da esposa lhe dar filhos, o que o faz recorrer a uma velha lei medieval de tê-los fora do casamento. Ainda com Antonia, o pai de Florbela tem outro filho, Apeles. Florbela é batizada pela própria esposa do pai e mais tarde, criada por ela.
É de uma personalidade passional e apaixonante. Herda do pai o amor pela fotografia, José Maria Espanca é quem introduz o cinematógrafo em Portugal. Freqüenta o ensino secundário em Évora, e mais tarde o curso de Direito, o que é visto como um ato de ousadia para uma mulher de sua época. Mas a ousadia faria parte para sempre da sua vida e da sua obra.
Os poemas de Florbela Espanca transportam o leitor para agudeza das palavras e do amor, sôfrego e passional, mas de uma beleza intensa que nos devora a alma, que nos faz sentir que corre o sangue da vida em nossas veias. A poesia de Florbela traz a vida, os sentimentos à flor da pele. A coragem de amar e de expor-se aos sentimentos, sem medo da sua condição de mulher e da época que a gerou. Florbela desafia o seu tempo. Está além dele, além das limitações que lhe são impostas. Tem a coragem de amar uma, duas, várias vezes. Casa-se por três vezes, o que cria a rejeição e animosidade da sua família tradicionalista, que lhe deixa de falar por algum tempo.
Há quem a acuse de amar o próprio irmão Apeles. Esse amor impossível e incestuoso lhe teria arrancado os mais tórridos poemas. Verdades ou lendas, o fato é que quando Florbela perde o irmão em 1927, morto em um trágico acidente, jamais se irá recuperar psicologicamente. Entra em estado permanente de depressão, fuma em demasia e vai perdendo o brilho e a saúde, cada vez mais abalada psicologicamente. Mergulha em um estado de solidão que a faz distanciar-se cada vez mais da paixão pela vida. Na passagem da noite de 7 para 8 de dezembro de 1930, dia do seu aniversário, Florbela Espanca põe fim à sua agonia perene, suicida-se ingerindo dois frascos de Veronal. Aos trinta e seis anos cala-se para sempre esta poetisa portuguesa que fez da sua poesia uma ode perene ao amor e à paixão.

Um Poema de Amor




Amar

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar : Aqui... Além...
Mais Este e Aquele, e Outro e toda a gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente! ...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma Primavera em cada dia:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...


 

Outro Poema




Ser Poeta (Perdidamente)

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

 


CRONOLOGIA

1894 – Nasce, em 8 de dezembro em Vila Viçosa (Alentejo), Florbela d’Alma da Conceição Espanca, filha de Antônia da Conceição Lobo e João Maria Espanca, casado com Mariana do Carmo Ingleza.
1895 – è batizada em 20 de junho de 1895, tendo como padrinhos Mariana do Carmo Ingleza , esposa do pai e como padrinho o amigo Daniel da Silva Barroso.1897 – Nasce o irmão Apeles em 10 de março.
1899 – Florbela freqüenta a escola primária em Vila Viçosa.
1903 – Data de 11 de novembro o poema “A Vida e a Morte”, provavelmente a primeira peça escrita por Florbela.
1908 – Ingressa no Liceu de Évora, onde permanece até 1912, de modo que a família muda-se nesse ano para Évora, a fim de facilitar-lhe a permanência nos estudos. Ainda em 1908, falece em Vila Viçosa a sua mãe Antônia da Conceição Lobo, aos vinte e nove anos de idade.
1913 – Florbela batiza, em 8 de maio, o primo Túlio Espanca, a quem se dedicará sempre com desvelos de assídua madrinha. No dia do seu aniversário, casa-se em Vila Viçosa, com Alberto de Jesus Silva Moutinho, um ano mais velho que ela, seu colega desde o primário.
1914 – Florbela e o marido vão morar no Redondo; ali atravessarão um período econômico difícil, já que se sustentam dos parcos rendimentos das aulas particulares a alunos de Colégio.
1915 – O jovem casal regressará a Évora, para viver em casa de João Maria Espanca e para dar aulas no Colégio de Nossa Senhora da Conceição.
1916 – Florbela seleciona, dentre a sua produção poética cerca de trinta peças produzidas a partir de 10 de maio de 1915, com as quais inaugura o projeto e o manuscrito Trocando Olhares. Começa a partir de princípio de junho, a se ocupar de um novo projeto poético, A Alma de Portugal. Após 18 de julho, envia a Raul Proença, a sua antologia Primeiros Passos.
1917 – Encerra o manuscrito Trocando Olhares em 30 de abril desse ano.Apeles, que tem dotes artísticos e que pratica sensivelmente a pintura, está seguindo carreira oposta em Lisboa: em 19 de agosto, termina o Curso da Escola Naval, graduando-se aspirante.Em 9 de outubro, Florbela, vivendo desde setembro em Lisboa, subsidiada pelo pai, matricula-se na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, que abandonará em meados de 1920.
1918 - Em abril, Florbela que se encontra adoentada, vai com o marido a Quelfes (Algarve) para repouso.
1919 – É publicado em junho, pela Tipografia Maurício de Lisboa, O Livro de Mágoas.
1921 – Apeles é graduado guarda-marinha pela Escola Naval. Em 30 de abril é decretado, em Évora, o divórcio de Florbela com Moutinho. Em 29 de junho, Florbela se casa com o alferes de artilharia da Guarda Republicana, Antônio José Marques Guimarães, então com 26 anos, o casal vai residir no Porto.
1922 – Transfere-se, em março, para uma Quinta na Amadora e, já em junho do mesmo ano, para Lisboa.
1923 – Publica Tipografia A Americana de Lisboa o Livro de Sóror Saudade.Em novembro, a poetisa se encontra novamente adoentada e segue para Gonça (Guimarães) a fim de tratar-se.
1924 – A 4 de abril, em Lisboa, Antônio Guimarães entra com o pedido de divórcio contra Florbela Espanca, que será deferido em 23 de junho de 1925.
1925 – Casa-se em 15 de outubro, com Mário Pereira Lage, médico que contava então trinta e dois anos, passando o casal a residir em Esmoriz.
1926 – Florbela e o marido mudam-se para Matosinhos. Apeles gradua-se primeiro-tenente da Marinha.
1927 – Florbela inicia o seu trabalho de tradutora de romances franceses para a Civilização do Porto, função que desempenhará até a morte.
Em vôo de treino, em 06 de junho, Apeles mergulha no Tejo, diante de Porto Brandão, morrendo tragicamente. Florbela reage pondo-se a produzir com afinco um livro de contos, à memória dele dedicado, o As Máscaras do Destino. Desde então, embora permaneça com a tarefa das traduções - ela se declara quase permanentemente deprimida.
1930 – Inicia a colaboração no recém-fundado Portugal Feminino com poemas e contos, na revista Civilização e no Primeiro de Janeiro, ambos de Porto.
Inicia um diário a 11 de janeiro, que se encerra em 2 de dezembro com uma única frase “e não haver gestos novos nem palavras novas”.
Na passagem de 7 para 8 de dezembro, data do seu aniversário, Florbela d’Alma da Conceição Espanca suicida-se em Matosinhos. É e é enterrada no Cemitério de Sedin. Em 17 de maiode 1964 tem os restos mortais transportados para o Cemitério de Vila Viçosa.

 

 

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Segunda-feira, 25 de Agosto de 2008

EXALTAÇÕES DE WALT WHITMAN

 


Walt Whitman nasceu em 1819, em West Hills, Long Island, Estados Unidos. Um homem incomum para o seu tempo e para a sua obra. Conseguiu transportar-se de uma vida singular em uma nação incipiente, tornando-se a voz do seu canto em uma época ríspida e de consolidação daquela que seria a maior potência do próximo século.
Whitman segue algumas profissões sem êxito. Ajudante de tipografia, jornalista discreto, ensina em East Norwich, trabalha como enfermeiro durante a Guerra da Secessão.
A poesia de Whitman traz a sua epopéia pessoal e a epopéia de uma América em ascensão. Contrariando as morais vigentes do século XIX, o poeta escreve livremente sobre o amor na forma que ele o sente, o amor entre iguais, o amor do homem pelo homem. Retrata em seus poemas a vida real e cheia de contradições. O seu canto exalta o desejo, o corpo reflete a mente, completa o universo do homem e da sociedade onde está inserido, pois a vida é de desafios e exaltações permanentes.
Na sua poesia sentimos o cheiro das folhas dos plátanos, o vento cortante das brisas de inverno, ouvimos as águas dos riachos mansos como a promessa de vida. Sentimos nos seus poemas a cama quente dos corpos e os abraços acolhedores e entrelaçados dos seus amantes. São poemas que desfazem o erotismo para dar passagem ao lirismo e à simplificação dos sentimentos, vividos como um abraço de boas vindas e companheirismo.
A poesia de Whitman causa repulsa nos mais conservadores da época. É considerada por muitos uma obra maldita, menor e provocante. A América recusa Whitman. Com o passar dos anos e a maturidade da jovem nação evoluindo, a poesia de Whitman vai perdendo os seus opositores e conquistando cada vez mais o espaço merecido. Por fim os ecos que condenavam a sua poesia desaparecem na poeira dos preconceitos seculares. E a América curva-se diante do seu maior intérprete e cantor. Whitman é o canto não dele mesmo, mas da formação dos Estados Unidos.
O poeta morreu em Camden, Nova Jersey, no dia 26 de março de 1889. Foi um homem autodidata, porte atlético e de alma apaixonada e apaixonante. Antes dele, poeta nenhum do Novo Mundo ousou escrever tão abertamente sobre o homossexualismo. Depois dele poucos o fizeram tão espontaneamente.
 

 
A Poesia de Whitman
 
 
 
 
 
When I Heard At The Close Of The Day (original)

When I heard at the close of the day how my name had been receiv’d with plaudits in the capitol, still it was not a happy night for me that follow’d,
And else when I carous’d, oe when my plans were accomplish’d, still I was not happy,
But the day when I rose at dawn from the bed of perfect health, refresh’d, singing, inhaling the ripe breath of autumn,
When I saw the full moon in the west grow pale and disappear, in the morning light,
When I wander’d alone over the beach, and undressing bathed, laughing with the cool waters, and saw the sun rise,
And when I thought how my dear friend my lover was on his way coming, O then I was happy,
O then each breath tasted sweeter, and all that day my food nourish’d me more, and the beautiful day pass’d well,
And the next came with equal joy, and with the next at evening came my friend,
And that night while all was still I heard the waters roll slowly continually up the shores,
I heard the hissing rustle of the liquid and sands as directed to whispering to congratulate me,
For the one I love most lay sleeping by me under the same cover in the cool night,
In the stillness in the autumn moonbeams his face was inclined toward me,
And his arm lay lightly around my breast – and that night I was happy.
 
From “Calamus” – Leaves Of Grass






Quando Soube Ao Fim do Dia (tradução)

Quando soube ao fim do dia que o meu nome fora aplaudido no capitólio, mesmo assim nessa noite não fui feliz,
E quando me embriaguei ou quando se realizaram os meus planos, nem assim fui feliz,
Porém, no dia em que me levantei cedo, de perfeita saúde, repousado, cantando e aspirando o ar fresco de outono,
Quando, a oeste, vi a lua cheia empalidecer e perder-se na luz da manhã,
Quando, só, errei pela praia e nu mergulhei no mar e, rindo ao sentir as águas frias, vi o sol subir,
E quando pensei que o meu querido amigo, meu amante, já vinha a caminho, então fui feliz,
Então era mais leve o ar que respirava, melhor o que comia, e esse belo dia acabou bem,
E o dia seguinte chegou com a mesma alegria e depois, no outro, ao entardecer, veio o meu amigo,
E nessa noite, quando tudo estava em silêncio, ouvi as águas invadindo lentamente a praia,
Ouvi o murmúrio das ondas e da areia como se quisessem felicitar-me,
Porque aquele a quem mais amo dormia a meu lado sob a mesma manta na noite fresca,
Na quietude daquela lua de outono o seu rosto inclinava-se para mim,
E o seu braço repousava levemente sobre o meu peito – nessa noite fui feliz.
 


Tradução José Agostinho Baptista

Outro Poema




 




Full Of Life Now (original)

Full of life now, compact, visible,
I, forty years old the eighty-third year of the Sates,
To one a century hence or any number of centuries hence,
To you yet unborn these, seeking you.

When you read these I that was visible am become invisible,
Now it is you, compact, visible, realizing my poems, seeking me,
Fancying how happy you were if I could be with you and become your comrade,
Be it as if I were with you. (Be not too certain but I am now with you.)

From “Calamus” – Leaves Of Grass

 


 



Pleno de Vida Agora (tradução)

Pleno de vida agora, concreto, visível,
Eu, aos quarenta anos de idade e aos oitenta e três dos Estados Unidos,
A ti que viverás dentro de um século ou vários séculos mais,
A ti, que ainda não nasceste, me dirijo, procurando-te.

Quando leres isto, eu que era visível, serei invisível,
Agora és tu, concreto, visível, aquele que me lê, aquele que me procura,
Imagino como serias feliz se eu estivesse a teu lado e fosse teu companheiro,
Sê tão feliz como se eu estivesse contigo. (Não penses que não estou agora junto a ti.)

Tradução José Agostinho Baptista


 

 

CRONOLOGIA

1819 – Nasce a 31 de maio em West Hills, Long Island.
1823 – Muda-se com a família para Brooklyn.
1825-30 – Freqüenta a escola oficial.
1830-34 – Aprendiz numa tipografia.
1835 – Trabalha como impressor em Nova York.
1838-39 – Edita o semanário Long Islander, em Huntington.
1842-44 – Edita um jornal diário, o Aurora; edita o Evening Tatler.
1845-46 – Regressa a Brooklyn e escreve para o Long Island Star.
1846-48 – Edita o Daily Eagle de Brooklyn.
1855 – Publica a primeira edição de Leaves of Grass. Morre-lhe o pai.
1856 – Publica a segunda edição de Leaves of Grass.
1860 – É publicada a terceira edição de Leaves of Grass. Pela primeira vez uma edição que não é do autor.
1863-64 – Trabalha como enfermeiro voluntário na Guerra da Secessão.
1865 – Publica Durm-Taps, 53 poemas acerca da Guerra da Secessão. É demitido do Departamento do Interior pelo secretário James Harlan, que considera Leaves of Grass indecente.
1867 – Sai a quarta edição de Leaves of Grass, com 8 novos poemas.
1868 – Publicada em Londres Poems by Walt Whitman.
1870-71 – Quinta edição de Leaves of Grass. Na segunda tiragem dessa edição é incluída Passage to Índia e mais 71 poemas, alguns inéditos.
1873 – Parcialmente paralisado em janeiro. Morre-lhe a mãe em 23 de maio.
1876 – Sexta edição de Leaves of Grass, em dois volumes.
1880 – Sétima edição de Leaves of Grass. Devido às ameaças de um promotor público, a distribuição do livro é interrompida. A edição só é retomada em 1882. Inclui 20 poemas inéditos.
1882 – Publicado Specimen Days and Colect.
1883 – Estudo crítico da poesia de Whitman por Bucke.
1884 – Adquire uma casa em Mickle Street, Camden, Nova Jersey.
1888 – Novo ataque de paralisia. São publicados 62 novos poemas sob o título November Boughs. Publicado Complete Poems and Prose of Walt Whitman.
1889 – Oitava edição de Leaves of Grass. Prepara a edição chamada de “leito de morte” de Leaves of Grass, que seria publicada em 1892. Morre no dia 26 de março e é sepultado no Cemitério de Harleigh, Camden, Nova Jersey. É publicado Complete Prose Works.
1897 – Publicada a décima edição de Leaves of Grass, a que se juntam os poemas póstumos Old Age Echoes.
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Quinta-feira, 7 de Agosto de 2008

ENDIMIÃO E JOHN KEATS - UM PENSAMENTO DE BELEZA

 

 

A perseguição à beleza e à juventude vem desde a perda da eternidade da vida por Adão e Eva no jardim do Éden. Nos dias de hoje o homem utiliza-se da tecnologia para preservar um pouco mais a beleza, para transformá-la esteticamente. Já os gregos inseriam em sua cultura a busca latente pela perfeição do belo. Na Grécia clássica os filhos defeituosos eram abandonados. Vários são os mitos gregos que perseguem a beleza, como Afrodite, Narciso, Adônis, Helena ou Endimião. Com o Renascimento, o velho ideal da beleza perfeita é a temática da obra dos artistas como Michelangelo. Também na literatura esta busca é exaustivamente perseguida e quase esteticamente tocada, em versos líricos. Das esculturas renascentistas aos bisturis da cirurgia plástica moderna, o terno sonho do homem de dominar a juventude e a beleza.
 

O Mito de Endimião

 
Endimião faz parte das personagens da mitologia grega que traduzem a perseguição ao ideal de beleza. Na lenda Endimião é um pastor portador de uma beleza perfeita e inatingível. O próprio Zeus, senhor do Olimpo e dos deuses, encantara-se pela beleza do jovem pastor. Prometera-lhe realizar o seu maior desejo. E o belo pastor, quando adulto, pediu a Zeus que não lhe tirasse nunca o que tinha de mais perfeito e valioso, a beleza rara de um simples mortal. O tempo e a beleza eram inimigos mortais, um dilacerava ao outro, até que sucumbisse a mais frágil, a mais delicada, restando apenas os ecos de uma perfeição efêmera, mas ambicionada por todo ser humano.
Zeus realiza o pedido do rapaz com o sortilégio sarcástico dos imortais diante da perecividade humana. Numa tarde de verão Zeus promete ao pastor que naquele dia, quando adormecesse, jamais envelheceria e perderia a beleza. Feliz, Endimião banha o seu belo corpo na fonte. A água molha a perfeição dos contornos dos músculos, delineando os mais recônditos pêlos ao vento em contraste com a pele aveludada e sem cicatrizes. Endimião apalpa o próprio corpo. Sabe que será eternamente jovem. Uma forte tempestade ameaça vir do céu. O belo pastor reúne todo o rebanho para protegê-lo da chuva ameaçadora. Sente o corpo fustigado pelo esforço. À sombra de uma árvore, encosta-se a uma pedra e suspira cansado. Olha para o céu com um leve sorriso. Tão logo adormecesse seria jovem e belo para todo o sempre. Com o seu olhar perdido no horizonte celeste, cansado e feliz, Endimião adormece. Jamais iria acordar. Zeus o envolvera em um sono eterno, poupando-o assim, da velhice e da perda da beleza.
À noite Selene, a Lua, corre o céu em sua carruagem prateada, conduzida por dois cavalos alados. Seu brilho prateado inunda a terra de luz e claridade, amenizando a escuridão da noite. Do céu Selene avista a figura adormecida de Endimião. É o homem mais belo que um dia pousara os seus olhos. Apaixonada, desce do céu e aproxima-se mansamente do jovem, para que não acorde. Emocionada, Selene contempla aquele rosto sorridente e adormecido. Impulsionada pelo amor, ela não resiste, aproxima-se do rapaz, sente o cheiro de Ambrósia a exalar daquele corpo. Beija-lhe os lábios entreabertos e sorridentes. O corpo está quente e pulsa normalmente, mas não desperta. Selene abraça-se àquele homem com paixão. Mas ele não desperta. Por fim ela adormece ao seu lado.
Assim, a Lua todos os dias desce do céu, abraça-se ao seu amor, adormecendo ao seu lado, na esperança de que ele um dia desperte. Mas Endimião adormece para sempre na eternidade da sua beleza e da sua juventude. Sempre com um sorriso nos lábios. A bela Lua contempla aquele amor impossível. E conforme a sua dor pela paixão impossível, em dias diferentes às vezes brilha, às vezes está pálida no céu.

John Keats

 
John Keats nasceu em Londres, em 31 de outubro de 1795. Tornou-se um dos maiores poetas da língua inglesa. Keats perdeu muito cedo os pais, sendo obrigado por seu tutor a aprender o ofício de assistente de cirurgião, que o levaria a trabalhar em dois hospitais. Mas o jovem poeta abandona a medicina e mergulha na literatura.
A obra de Keats é de início, esculpida pelo romantismo e o seu “Poems” de 1817, não foi bem aceito, sendo classificado como um escritor vulgar e de formação inferior. Conhecedor da obra de Homero e apaixonado pela mitologia grega, Keats vai perseguir o ideal de beleza dos gregos, em longos versos que não são épicos, mas líricos, de uma ode à beleza jamais vista na literatura. Com base em leituras mitológicas, concebeu o seu "Endymion" (1818; Endimião), fez de Endimião uma alegoria do amor pela beleza ideal e estética, definiu a beleza no verso magistral que também diz muito de sua atitude para com a vida: “A thing of beauty is a joy for ever” ("Uma coisa bela é uma alegria para sempre").
John Keats apaixonou-se pela vizinha Fanny Brawne, mas teve que fugir dessa paixão, pois ao cuidar do irmão vítima da tuberculose, também ele contraiu a doença, sendo obrigado a ir para a Itália na esperança de ali se vir a curar. Assim como Endimião, não envelheceu, morreu aos 25 anos, em 23 de fevereiro de 1821. Só teria o reconhecimento da sua obra na segunda metade do século XIX, quando é aclamado como um dos maiores poetas do romantismo inglês.
Antes do morrer, Keats pediu que fosse escrito na sua lápide o epitáfio: "Here lies One / Whose Name was writ in Water" ("Aqui jaz alguém / Cujo Nome foi escrito na Água").

From Edymion, by John Keats

 

“A thing of beauty is a joy for ever:
Its loveliness increases; it will never
Pass into nothingness; but still will keep
A bower quiet for us, and a sleep
Full of sweet dreams, and health, and quiet breathing.
Therefore, on every morrow, are we wreathing
A flowery band to bind us to the earth,
Spite of despondence, of the inhuman dearth
Of noble natures, of the gloomy days,
Of all the unhealthy and o’er-darkened ways
Made for our searching: yes, in spite of all,
Some shape of beauty moves away the pall
From our dark spirits. Such the sun, the moon,
Trees old and young sprouting a shady boon
For simple sheep; and such are daffodils
With the green world they live in; and clear rills
That for themselves a cooling covert make,
‘Gainst the hot season; the mid forest brake,
Rich with a sprinkling of fair musk-rose blooms:
And such too is the grandeur of the dooms
We have imagined for th mighty dead;
All lovely tales that we have heard or read:
An endless fountain of immortal drink,
Pouring unto us from the heaven’s brink.”

CRONOLOGIA


1795 – Filho de família modesta, nasce em Londres, John Keats, no dia 31 de Outubro. No dia 18 de dezembro é batizado.
1804 – Aos 8 anos, perde o pai.
1817 – Publica “Poems” (Poemas).
1818 – Concebe “Endymion” (Endimião). Concebe "Hyperion" (Hiperião) para dez cantos.
1819 – Abandona "Hyperion" (Hiperião) com apenas quatro cantos. Cria o belo “The Eve of St. Agnes” (Às Vésperas de Santa Inês), considerado por muitos como o seu melhor poema.
1820 – Embarca para a Itália na esperança de se curar da tuberculose.
1821 – Morre John Keats, em 23 de fevereiro, vítima da tuberculose. É sepultado em 26 de fevereiro.

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Quinta-feira, 24 de Julho de 2008

UM POEMA DE WILLIAM BUTLER YEATS

 



William Butler Yeats nasceu em 13 de junho de 1865, em Dublin, Irlanda. Um dos maiores poetas do século XX , autor de teatro, ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 1923. Grande parte da sua vida se deu na época em que a Irlanda era dominada pela Grã-Bretanha e assolada por movimentos separatistas, muitas vezes violentamente reprimidos pela coroa britânica, o que fez de Yeats um nacionalista irlandês militante.



Do Romantismo Exuberante ao Modernismo Austero

A beleza da poesia de Yeats traduz a pulsação de sentimentos diluídos em palavras doces, líricas, fantasiosas, que traduzem o cansaço da paixão, mas a sua inevitável condição de ampliar o coração nos mistérios da existência. Em Yeats percebemos o tempo passar, às vezes docemente, às vezes melancolicamente, inevitavelmente. A beleza física se esvai e surge a beleza indomável e etérea dos olhos da alma. Mesmo depois de deixar a fase inicial da sua poesia voltada para o romantismo, quando abraça o modernismo e uma escrita mais austera, há sempre na sua poesia a elevação do nível artístico voltados para a emoção, seja ela romanticamente exuberante ou nacionalista e contestadora. Traz ainda um toque de misticismo que sempre cultivou na sua personalidade, muitas vezes criticado pelos modernistas.
Entre as suas angústias e misticismos, a velhice era sem dúvida uma parte da vida que Yeats via com melancolia:

A ESPORA

Parece-te horrível que luxúria e ira
Cortejem a minha velhice;
Quando jovem não me flagelavam assim;
Que mais tenho eu que me esporeie até cantar?

W. B. Yeats morreu em 28 de janeiro de 1939, quando a Irlanda já era um país livre. Foi o maior representante do Renascimento Literário Irlandês. Foi co-fundador do Abbey Theatre.

Um Poema

 





When You Are Old (original)

When you are old and gray and full of sleep,
And nodding by the fire, take down this book,
And slowly read, and dream of the soft look
Your eyes had once, and of their shadows deep;

How many loved your moments of glad grace,
And loved your beauty with love false or true,
But one man loved the pilgrim soul in you,
And loved the sorrows of your changing face;

And bending down beside the glowing bars,
Murmur, a little sadly, how Love fled
And paced upon the mountains overhead
And hid his face among a crowd of stars.

Poema publicado em The Rose, em 1893





Quando Fores Velha (tradução)

Quando fores velha, grisalha, vencida pelo sono,
Dormitando junto à lareira, toma este livro,
Lê-o devagar, e sonha com o doce olhar
Que outrora tiveram teus olhos, e com as suas sombras profundas;

Muitos amaram os momentos de teu alegre encanto,
Muitos amaram essa beleza com falso ou sincero amor,
Mas apenas um homem amou tua alma peregrina,
E amou as mágoas do teu rosto que mudava;

Inclinada sobre o ferro incandescente,
Murmura, com alguma tristeza, como o Amor te abandonou
E em largos passos galgou as montanhas
Escondendo o rosto numa imensidão de estrelas.

Tradução: José Agostinho Baptista
W.B. YEATS - UMA ANTOLOGIA - Assírio & Alvim



CRONOLOGIA

1865 - Nasce em Georgeville, Dublin, William Butler Yeats, no dia 13 de Junho.
1867 - A família muda-se para Londres.
1875 - Matricula-se na Godolphin School de Hammersmith.
1880 - A família regressa à Irlanda. Yeats faz os estudos secundários em Dublin.
1881 - Apaixona-se pela sua prima Laura Johnston.
1883 - Ingressa na Escola de Arte de Dublin.
1885 - Aparecem os seus primeiros poemas na Dublin University Review. Conhece Katharine Tynan e John O'Leary.
1887 - A família regressa a Londres. Yeats liga-se a certas entidades teosóficas.
1888 - A família vende as suas terras na Irlanda.
1889 - Publica The Wanderings of Oisin and Other Poems. Edita Fairy and Folk Tales of the Irish Paesantry. Apaixona-se por Maud Gonne.
1890 - Aparece o famoso poema «A Ilha do Lago de Innisfree».
1891 - É fundado o Rhymer's Club. Inicia a sua amizade com Johnson e Dowson. Primeira proposta de casamento a Maud Gonne. Funda a London Irish Literary Society. Nesse mesmo ano funda com O'Leary como presidente, a National Literary Society em Dublin.
1892 - Publica The Countess Kathleen and Various Legends and Lyrics.
1893 - Edita com Ellis The Works of William Blake.
1894 - Primeira visita a Paris. Nova proposta de casamento a Maud Gonne.
1895 - Partilha uma casa com Arthur Symons.
1897 - Publica The Secret Rose.
1898 - Concebe a idéia do Irish Theatre com Lady Gregory e Edward Martyn.
1899 - Publica The Wind Among the Reeds. Nova proposta de casamento a Maud Gonne.
1902 - Assume a presidência da Irish National Dramatic Society.
1903 - Maud Gonne casa-se com John MacBride. Yeats visita os EUA, onde realiza algumas conferências.
1904 - É inaugurado o Abbey Theatre. Yeats assume várias tarefas que o afastam da criação.
1906 - Publica Poems 1895-1905.
1907 - Visita a Itália com Lady Gregory e o filho desta.
1908 - São publicados os seus Collected Works, em oito volumes.
1910 - Publica The Green Helmetand Other Poems.
1912 - Passa alguns dias com Maud Gonne na Normandia. Conhece Ezra Pound.
1914 - Publica Responsibilities. Completa a primeira parte de Autobio-graphies. Visita os E UA.
1915 - Recusa um título honorífico que lhe é oferecido pelo Governo.
1916 - Passa o Inverno na companhia de Ezra Pound. Dá-se o levantamento da Páscoa (Easter rising). Escreve Easter 1916.
1917 - Compra o castelo de Ballylee. Casa-se com Georgie Hyde-Lees.
1918 - Visita Sligo (Irlanda).
1919 - Nasce em Dublin, no mês de Fevereiro, a sua filha Anne Yeats. Visita Oxford.
1920 - Nova viagem aos EUA.
1921 - Nasce-lhe o filho Michael, em Agosto.
1922 - Adquire a casa de Merrion Square em Dublin. O seu pai morre em New York. É nomeado senador do novo Estado Irlandês.
1923 - É-lhe outorgado o Prêmio Nobel.
1924 - Termina o livro A Vision. Visita a Sicília.
1925 - Visita Roma e Milão. Publicai Vision.
1927- Adoece gravemente de uma infecção pulmonar. Viaja a Algeciras, Sevilha e Cannes.
1928 - Publica The Tower. Vende a casa de Dublin.
1929 - Visita Rapallo onde vive Ezra Pound.
1930 - Escreve o poema Byzantium.
1931 - Words for Music, Perhaps. É doutorado pela universidade de Oxford. Morre Lady Gregory. É fundada a Irish Academy of Letters.
1933 - The Winding Stair and Other Poems.
1934 - Viaja até Maiorca. Colabora na tradução dos Upanishadspaxa. inglês.
1936 - Adoece gravemente. Regressa a Dublin.
1937 - Edita o Oxford Book of Modern Verse (1892-1935).
1938 - Visita pela última vez o Abbey Theatre. Recebe Maud Gonne em Dublin.
1939 - Morre a 28 de Janeiro. É sepultado em Roquebrune. São publicados os Last Poems. O corpo será trasladado para Sligo, Irlanda, em 1948.

 

 



Cronologia por JOSÉ AGOSTINHO BAPTISTA
W.B.Yeats - Uma Antologia
Editora Assírio & Alvim
Lisboa, Portugal

publicado por virtualia às 02:38
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Terça-feira, 15 de Julho de 2008

NEVOEIRO - FERNANDO PESSOA

 

 


Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer —
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.

 
 
Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...
 

É a Hora!

 
 
 
 
 
FERNANDO PESSOA - Mensagem
 
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