Sexta-feira, 5 de Março de 2010

ÉOLO E OS VENTOS

 O território grego é formado por penínsulas recortadas e ilhas do mar Egeu. Devido à posição geográfica, incidia sobre as cidades gregas inúmeros movimentos de ar, os ventos, que definiam a navegação e a agricultura, essências da vida econômica da Grécia. A fúria dos ventos trazia infortúnios às colheitas, que quando por eles arrasadas, provocavam anos de escassez e fome.
Na formação primordial da civilização grega não havia o domínio das técnicas da agricultura, plantar e colher era um esforço desesperado para sobreviver. Era preciso controlar o poder dos ventos, apaziguar a fúria com que caiam sobre as ilhas e o continente, para isto surgiu a necessidade de criar a divindade que representava a força do ar, tão importante em terras muitas vezes de condições naturalmente inóspitas.
Personagens míticas surgiram como representantes do ar, entre elas, Éolo, o deus dos Ventos, senhor absoluto de todas as forças atmosféricas. Seu reinado tinha como súditos, segunda a versão mais persistente da lenda, os quatro ventos regulares: Bóreas, o vento Norte; Zéfiro, o vento Oeste; Euro, o vento Leste; e, Austro, o vento Sul.
Éolo surgiu como divindade abstrata, distanciada da caracterização humana que tinham os deuses olímpicos, sua genealogia e a dos demais Ventos assumiram formas variantes ao longo da antiguidade grega. Há quem lhe atribua Poseidon (Netuno), como pai. Sem uniformidade genealógica, Éolo e os Ventos têm as suas ascendências e origens flutuantes, tal como o ar que representam. Assim como a natureza não controla a força do ar, também os ventos têm profundas oscilações no seu caráter enquanto divindades e nas suas lendas, enquanto mito.

Éolo, o Rei dos Ventos

A força dos ventos representava o equilíbrio entre as plantações e as colheitas, podendo ser benéficos ou destruidores. Essenciais no convívio entre a natureza e o homem, os ventos trazem o poder da vida, da fecundação, já que grande parte da vegetação só fecunda quando tem o pólen transportado por eles.
Se a presença dos ventos definia as colheitas e as plantações, longe do campo eles eram fundamentais para a navegação, já que as tormentas marítimas eram provocadas por ventos cortantes, capazes de afundar grandes frotas. Os navegantes gregos atribuíam a culpa dos naufrágios aos ventos, sempre inconstantes e furiosos. Sem poder explicá-los através da ciência, os antigos tentavam compreendê-los como divindades, dando-lhes forma e vida e cultuando-os, transformando-os em mitos.
O mito de Éolo surge da necessidade do homem de manter diálogo entre a natureza indomável e a sobrevivência que evolui sempre, aperfeiçoando a tecnologia. Enquanto não se avança com este processo evolutivo, o mito resolve a ignorância das trevas, trazendo a luz da fé na divindade. Éolo passou a refletir a ordem dentro da força incontrolável do ar, era ele quem impedia a anarquia dos Ventos, tornando-os disciplinados e benéficos às necessidades humanas. Sob o reinado de Éolo, os ventos só são destrutivos quando provocados pelo homem, sendo a sua fúria resultante de alguma vingança à falha humana ou uma retaliação às disputas das divindades.
Éolo comanda todos os ventos. O seu reino está centrado na Eólia, uma ilha flutuante situada entre a Itália continental e a Sicília. Homero (século IX a.C.) descreve o seu palácio cercado de muralhas de bronze por todos os lados. Para os romanos, o reino do rei dos Ventos encontrava-se na ilha Lípara.
Éolo é descrito em todas as vertentes do mito, como um deus justo e benévolo à humanidade. Tendo grande compaixão para com os homens, ele inventou a vela para ajudá-los a navegar, sendo o guardião perpétuo dos Ventos e das suas investidas furiosas. Mas o poder de Éolo sobre os Ventos não pode evitar catástrofes aos homens, quando a tragédia já foi definida pelo Destino, deus mais poderoso que os próprios deuses do Olimpo.
Apesar de ser o rei dos Ventos, Éolo tem menos representações nas artes e nas lendas do que Zéfiro ou Bóreas, Ventos que são seus súditos. Considerado superior a todas as forças do ar, os gregos cultuavam o à divindade de Éolo de forma indireta, como ele era a soma máxima de todos os Ventos, era preciso abrandar a fúria de cada um deles. Assim, os cultos eram dirigidos a cada um dos Ventos, para que se chegasse de forma indireta ao rei de todos eles, o poderoso Éolo.

Os Ventos e as Divindades do Ar

O elemento ar era definido pelos gregos, por quatro divindades básicas e regulares: Bóreas, o vento Norte; Austro, o vento Sul; Zéfiro, o vento Oeste e Euro, o vento Leste. São filhos de Eos (a Aurora) e de Astreu (o céu estrelado).
Outras vertentes dos mitos dos Ventos, costumam apontá-los como oito divindades básicas e regulares: Solano, Austro, Euro (ou Noto), Áfrico, Zéfiro, Cero, Setentrião e Bóreas. Nesta variante da lenda, a genealogia dos Ventos não é atribuída a Eos e Astreu, mas aos Titãs, os filhos de Urano (Céu) e Gaia (Terra), destronados pelos deuses olímpicos.
Quando regulares, os ventos eram considerados benévolos aos homens; quando irregulares, eram tidos como maléficos, de comportamento nocivo ao homem, à navegação e à agricultura. Os ventos maléficos estavam ligados aos mitos das Harpias e da Quimera.
As Harpias eram figuras monstruosas, filhas de Taumante e da ninfa oceânida Electra. Tinham o rosto de mulher e corpo de ave. Normalmente são representadas com rostos de mulheres velhas, com orelhas de urso e patas que terminavam em grandes unhas. Simbolizavam os ventos mais tempestuosos, provocadores dos furacões. Por onde passavam causavam a devastação e a destruição. O que não destruíam, contaminavam com os excrementos (ou um fluxo que lhes saía do ventre) que lançavam. Eram imortais, mas não eram deusas, não recebendo cultos especiais.
A Quimera tinha a cabeça de leão, o corpo de cabra e cauda de dragão. Da sua boca saíam grandes chamas. Associada aos Ventos, ela personificava as nuvens negras que trazem as tempestades. Assim como as Harpias, a Quimera não recebeu culto especial dos antigos gregos.
Ao contrário dos Ventos irregulares e maléficos, os regulares e benéficos receberam grandes e freqüentes cultos em toda a Grécia antiga, excepcionalmente em Atenas, onde eram venerados juntos, em um templo octogonal, tendo a figura de um deles em cada ângulo do edifício.
A mitologia romana apresenta outros Ventos além dos quatro regulares descritos pelos gregos. Euro, Bóreas, Austro e Zéfiro são, segundo os romanos, os Ventos principais, sendo Euronoto, Vulturno, Subsolano e Caecias, Ventos que derivam dos primeiros, sem lendas próprias. São tidos como divindades turbulentas, somente Bóreas e Zéfiro são descritos com um caráter simpático e benéfico pelos romanos.

Bóreas, o Impetuoso Vento Norte

Bóreas foi o vento mais cultuado como divindade na Grécia. Geralmente representado como um homem barbudo, maduro e alado, vestido com um manto curto. Era um vento tranqüilo, que não conhecia a dor. Vivia em um fulgente palácio às margens do Estrimão, na Trácia, país frio e úmido.
A serenidade do vento ficou estremecida quando ele apaixonou-se por Orítia, bela princesa de Atenas. Tomado de amor, ele procurou o rei Erecteu, pai da amada, pedindo-lhe em casamento. Mas o monarca recusou-lhe entregar a filha, alegando que a Trácia era muito fria, e a jovem não suportaria lá viver.
Bóreas rogou, implorou, prostrou-se aos pés do rei, como se fosse um simples mortal. Mas nada comoveu Erecteu. Desolado, Bóreas tornou-se um vento indomável, um vendaval sem limites, de força impetuosa. Passou a soprar violentamente do seu palácio, atingindo todos os cantos do mundo. Soprou uma gigante nuvem branca sobre Atenas, que envolveu a bela Orítia, carregando-a pelo ar, até a Trácia.
Bóreas casou-se com Orítia, com quem teve quatro filhos. Em uma outra vertente da lenda, ao apaixonar-se por Orítia, o vento Norte era casado com a ninfa Clóris. Quando raptou a princesa ateniense, passou a ter as duas como esposa, vivendo os três felizes no palácio da Trácia.
O rapto de Orítia é a lenda mais famosa do mito de Bóreas. O casamento do vento com uma princesa ateniense, era cultuado em Atenas como um privilégio à cidade. Relatos históricos contam que quando da invasão do comandante persa Xerxes (519-465 a.C.), em luta contra a Grécia, Atenas estava próxima da rendição, quando o vento Bóreas soprou forte, dispersando a frota inimiga. O fato passou a ser comemorado pelos atenienses com a realização das festas Boreasmas.
Outra lenda poética envolve o mito de Bóreas: certa vez o vento Norte transformou-se em um cavalo alado, fecundando doze éguas do rei Erisícton, figura mitológica conhecida por ter devorado a si próprio quando tomado por um incontrolável ataque de fome. Da fecundação de Bóreas nasceram doze potros, que corriam esguios pelas colheitas, sem que se lhes destruísse. É através dos potrinhos filhos de Bóreas, que acontece o movimento ondulatório que o vento suave provoca sobre a vegetação.

Zéfiro, o Vento das Brisas Suaves

Zéfiro, o vento Oeste, era irmão de Bóreas, habitando também na Trácia. A lenda descreve-o como um vento primitivamente violento, que destruía com o seu sopro indomável, às plantações, provocava naufrágios, causando grandes danos aos homens.
A súbita paixão de Zéfiro por Clóris (Flora), irá transformar o caráter mitológico do vento, dando-lhe a versão final regular e benéfica. Clóris é a rainha da primavera, era quem espargia a beleza das flores ao mundo, dando-lhes as cores e o perfume. O contraste entre Zéfiro, o vento que ao soprar destrói a beleza das flores, e Clóris, que pincela esta beleza, faz com que a rainha da primavera rejeite aquele amor inesperado. Mas o amor de Zéfiro é sincero, pleno e construtivo. Para conquistar Clóris, ele transforma a sua personalidade. Rejeita o seu lado tempestuoso e destrutivo, tornando-se um vento suave, passando a soprar levemente, para não danificar as flores.
A lenda de Zéfiro e Clóris reflete o momento de equilíbrio da natureza. O vento suave não destrói as flores, pelo contrário, leva o seu pólen, fazendo com que ela fecunde e renasça em outra vegetação. Zéfiro passa a ser o vento dos namorados. Será ele que levará Psiquê ao palácio de Eros, para que se dê o encontro entre o Amor e Alma. Será ele que verá Afrodite (Vênus), a deusa do amor e da beleza, emergir das espumas do mar, soprando-a e conduzindo-a suavemente até a ilha de Chipre.
Zéfiro é o vento do Ocidente, que ameniza o clima grego, vivificando a natureza. Na estrada entre Atenas e Elêusis, era venerado como uma entidade fecundadora. É representado com uma fisionomia serena e terna, trazendo asas, muitas vezes em forma de asas de borboletas, e, coroas coloridas nas mãos.
Em Roma Zéfiro era venerado ao lado da mulher, Flora. Foram construídos dois templos de culto à deusa, um no Circo Máximo e outro no Quirinal. As festas Florais celebravam a primavera em Roma. No início, as Florais eram solenidades religiosas com rituais que pediam aos deuses boas colheitas. Com o passar do tempo, transformaram-se em celebrações licenciosas e obscenas, dando lugar à orgia floral.

Euro, o Vento Leste e Austro, o Vento Sul

Euro, ou Noto, é o vento do Oriente. É um vento descrito diferentemente pelos poetas, com contrastes acentuados de uma versão para a outra. Enquanto muitos escritores atribuem-lhe uma fisionomia tranqüila e benévola, Horácio (65 -8 a.C.) transforma-o em um vento furioso. É representado com asas e cabelos revoltos, trazendo muitas flores nas mãos. Euro chega ao mundo trazido pelos cavalos da mãe, Eos, a Aurora. O mito não gerou grandes lendas, como Zéfiro e Bóreas.
Austro é o vento Sul. É o vento que traz as chuvas, por isto costuma ser representado com um regador nas mãos. Ovídio (43 a.C. – 18 d.C.) descreveu-o como um velho de cabelos brancos, de estatura elevada, portador de um ar sombrio e de uma nuvem ao redor da cabeça, indicando a chegada das chuvas. Tido como um vento básico e regular, não foi uma divindade com grandes cultos, não gerando grandes lendas enquanto mito.
Em outra vertente mais antiga da lenda, os ventos passavam o tempo em guerra entre si, causando destruição e morte aos homens. Para aplacar a fúria de tão incontidas forças, Zeus encerrou-os em uma caverna, fechando-a com imensos rochedos e montanhas. A seguir, o senhor do Olimpo pediu a Éolo que vigiasse os prisioneiros. Assim, Éolo tornou-se o rei dos Ventos. Noite e dia Éolo ouve o rugido dos prisioneiros, vindos do alto das montanhas, clamando pela liberdade. Mas Éolo não os liberta jamais.

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Segunda-feira, 28 de Setembro de 2009

CICLOPES E GIGANTES

 

 
A primeira geração de deuses, conhecidos como divindades primordiais, representa a própria formação da terra e dos seus elementos de forças indomáveis. Gaia (Terra), a deusa mãe, gera incessantemente, do seu ventre forças primordiais assolam a terra, longe da disciplina e da ordem. Os deuses primitivos manifestam a sua essência através das convulsões dos vulcões que expelem lavas, das tempestades e maremotos, dos terremotos que abrem o solo sem piedade. Filhos de Gaia e Urano (Céu), as mais estranhas divindades da primeira geração são os Gigantes, os Hecatônquiros e os Ciclopes, seres monstruosos e de natureza indomável, trazendo na essência o pensamento selvagem a contrapor-se com a razão da mente.
Os Gigantes são seres que atingem dimensões inimagináveis, alguns são descritos com mais de dezessete metros, outros com a parte inferior do corpo terminadas em serpentes. Os Hecatônquiros são monstros de cem braços e cinqüenta cabeças. Os Ciclopes são divindades indomáveis, gigantescos, que possuem um único olho no meio da testa. Gigantes, Hecatônquiros e Ciclopes são aprisionados no Tártaro por Urano. O Titã Cronos (Saturno) destrona Urano, e as criaturas monstruosas são libertadas por Gaia, mas para conter a fúria selvagem dos irmãos, Cronos encerra-os novamente. Quando Zeus (Júpiter) destrona Cronos e os Titãs, surge a geração dos deuses que irá disciplinar o mundo, encerrar de vez a brutalidade e instaurar a harmonia entre a natureza, os deuses e os homens. A luta pelo poder leva a uma guerra de dez anos, na qual Zeus derrota os Titãs. Na luta contra os Titãs, os Ciclopes e os Hecatônquiros aliaram-se aos deuses olímpicos, contribuindo para a vitória final.
Inconformada pela derrota dos filhos, Gaia incita os Gigantes a lutarem contra os deuses do Olimpo. Iniciava-se uma violenta guerra, chamada de Gigantomaquia. Mais uma vez sobressai a vitória da inteligência sobre a brutalidade, da ordem contra a desordem. Os Gigantes, último obstáculo para que os deuses olímpicos possam reinar, são derrotados. A harmonia renasce, o poder da divindade, da qual o homem está atrelado, triunfou sobre o mal.
Os Gigantes e os Ciclopes, monstruosas criaturas primordiais, representavam o povo bárbaro que assolava a civilização grega primitiva, fustigando-a com a crueldade das guerras e adversidades sobre a sua ascensão filosófica. Juntos, Ciclopes e Gigantes simbolizam a Grécia antes da sua filosofia, antes da harmonia trazida pelos deuses do Olimpo.

Do Caos à Guerra dos Deuses

No início, o Caos gerou Gaia, a Terra, que solitária, gerou Urano, o Céu, com quem se uniu e passou a criar todas as criaturas, mortais ou imortais. Urano, o impetuoso marido de Gaia, é o primeiro senhor do universo. Durante o seu reinado, está mais preocupado em fecundar Gaia e com ela ter todos os filhos, quer deuses, quer monstros, sua função é povoar o mundo, sem a preocupação de uma ordem ou disciplina. Os filhos de Urano e Gaia são seres imortais indomáveis, que sem a disciplina harmônica, geram os terremotos, os cataclismos, os vulcões e todas as forças indomáveis da natureza.
Para evitar que os seus filhos agridam de forma indelével à mãe Terra, Urano encerro-os no Tártaro, parte subterrânea do Érebo. Entre os aprisionados estão os Titãs, os Ciclopes e os Hecatônquiros.
Mas os objetivos de Urano vão além da fúria dos seus filhos. É uma disputa pelo poder, pois sabe muito bem que dentre os Titãs, haverá aquele que poderá destroná-lo. Gaia revolta-se contra o marido, como a grande mãe criadora que é, não se conforma em ver os filhos aprisionados. Liberta-os e engendra ao lado do filho Cronos, um plano para derrubar Urano. Assim é feito, Cronos castra Urano e torna-se o senhor dos deuses. Seu reinado continua a não manter a ordem e harmonia entre os deuses e a natureza.
Uma profecia paira sobre o reinado do Titã Cronos: um dos seus filhos com a mulher Réia (Cibele), irá destroná-lo. Cronos devora um a um, os filhos quando nascem, porém, é enganado por Réia, que ao dar a luz a Zeus, entrega ao marido uma pedra embrulhada em um manto, dizendo ser o filho recém-nascido. Poupado, Zeus cresce, até que chega o momento de enfrentar o pai. Disfarçado, consegue dar uma porção para Cronos ingerir, obrigando-o a vomitar os filhos devorados. Das entranhas de Cronos surgem Poseidon (Netuno), Hades (Plutão), Deméter (Ceres), Héstia (Vesta) e Hera (Juno). Juntos, os irmãos Zeus, Poseidon e Hades iniciam uma batalha contra os Titãs, com o objetivo de terminar com o reinado do tempo destruidor e devorador de Cronos.
A guerra entre Zeus e os Titãs durou dez anos. Nesta luta, o deus contou com a ajuda preciosa dos Ciclopes e dos Hecatônquiros, aprisionados pelo irmão Cronos. Ao derrotar o pai, Zeus dividiu o poder com os seus irmãos, a ele coube o domínio do céu e da terra, a Poseidon o reino dos mares e, a Hades, o reino subterrâneo dos mortos. A paz, a disciplina e a harmonia foram estabelecidas no mundo. Zeus passa a reinar de cima do monte Olimpo. Era a nova geração de deuses a eliminar a brutalidade das forças indomáveis dos deuses primitivos.

A Gigantomaquia

A vitória de Zeus sobre os Titãs estabelecia a ordem do universo. A harmonia e a razão caminhavam juntas no reinado dos deuses do Olimpo. Esta harmonia foi ameaçada pela revolta de Gaia, a deusa mãe. Inconformada em ver os filhos preferidos, os Titãs, aprisionados para sempre no Tártaro, a deusa mãe incita os Gigantes, seus outros filhos, a rebelarem-se contra o governo dos olímpicos. A rebelião dos Gigantes, a Gigantomaquia, seria a última guerra que Zeus iria enfrentar para que o seu governo fosse estabelecido definitivamente sobre os deuses. A última contestação do reinado dos olímpicos.
O mito dos Gigantes surge timidamente entre os gregos antigos. Hesíodo citou-os, mas sem mencionar a guerra contra os olímpicos. Homero aponta os Gigantes como um povo mortal. Também os hebreus citam Gigantes dentre os povos que guerrearam contra Israel. Em algumas versões, os Gigantes teriam sido um dos povos dizimados por Deus durante o dilúvio. Na mitologia, a tradição referente aos Gigantes não é clara, muitas vezes confundidos com os Titãs, formando uma só entidade. Píndaro é quem traz, tardiamente, o mito dos Gigantes para a literatura grega, localizando os campos de Flegra, península de Palena, na Macedônia, como o palco da batalha final da Gigantomaquia, e como local do nascimento dos Gigantes.
No episódio da batalha de Flegra, os Gigantes são dotados por uma força invencível, possuidores de muitos artifícios mágicos, como uma erva mágica dada pela mãe, Gaia, que os fazia invulneráveis aos golpes desferidos pelas mãos dos inimigos. Segundo a tradição, o Destino havia decidido que os Gigantes só poderiam ser mortos quando um deus e um mortal os atacassem simultaneamente.
Zeus, Hades e Poseidon juntam todos os deuses para a batalha final, em Flegra. Para atender à imposição do Destino, que exigia um deus e um mortal para matar os Gigantes, Zeus convoca o herói Héracles (Hércules), seu filho mortal. Há uma grande contradição cronológica na lenda, pois Héracles tinha o seu nascimento posterior aos Gigantes, pertencendo a uma geração posterior. A contradição é superada pela simbologia, era a presença humana ao lado dos deuses na luta pela vitória do bem sobre o mal, da ordem sobre a desordem do mundo, da consolidação da racionalidade e crescimento do espírito imortal e humano.
Em Flegra, Alcioneu, Porfirião, Encélado e Polibotes comandam o ataque dos Gigantes. Utilizando uma força descomunal, os estranhos seres atiravam rochedos contra o céu, fazendo as montanhas tremerem, os rios saltarem dos leitos, ilhas afundarem no mar. A Gigantomaquia fere a terra, matando os humanos que lutam ao lado de Héracles. Porfirião é fulminado por Zeus quando tenta violar Hera, sua esposa. Héracles mata Alcioneu. Um a um os Gigantes sucumbem. Atena (Minerva) mata Encélado. Poseidon e Héracles eliminam Polibotes. Por fim, há um silêncio nos campos de Flegra, banhados em sangue. Os Gigantes estão mortos. Os deuses, exaustos, retornam ao Olimpo. Era o fim da Gigantomaquia.

Outros Mitos dos Gigantes

Outro mito assimilado aos Gigantes é o monstro Tifão. Uma das versões da lenda de Tifão descreve-o como filho de Hera, a ciumenta esposa de Zeus. Ao ver Atena, a bela deusa da sabedoria, nascida do crânio de Zeus, sem a sua participação, Hera implora a Gaia, a deusa mãe, que a faça conceber sem a participação do marido. Assim, engravidara sozinha, dando à luz a Tifão, que nascera um monstro, castigo por tentar conceber sem a participação masculina. Na outra versão, Tifão é filho de Gaia e Urano. Ao ver a derrota final dos Gigantes, Gaia incita Tifão a insurgir-se contra Zeus, com o objetivo de vingar os irmãos. Ao atender aos caprichos da mãe, Tifão declara guerra a Zeus, mas é vencido, aprisionado e submetido a torturas eternas.
Há uma geração de Gigantes que não pertence às divindades primordiais. Trata-se dos Aloídas, Oto e Efialtes, filhos de uma aventura amorosa do deus dos mares Poseidon e Ifimedia. São chamados de Aloídas por ter sido adotados por Aloeu, marido de Ifimedia. Conta a lenda que aos nove anos, os Aloídas já haviam alcançado a altura de dezessete metros.
Assim como os Gigantes filhos de Gaia, os Aloídas rebelam-se contra Zeus, empilhando várias montanhas, preparando uma grande escada que os conduziria ao céu, atingindo o Olimpo. Na rebelião, eles atiram montanhas ao mar, na tentativa de secá-lo. Ao tentar chegar ao céu, os Aloídas traçam como objetivos destronar Zeus e raptar Hera e Ártemis (Diana), deusas pelas quais estavam apaixonados. Os intrépidos Gigantes aprisionam Ares (Marte) num pote de bronze, que só seria libertado por Hermes (Mercúrio), após a derrota dos agressores. Diante de tanta ousadia, Zeus fulmina os dois com um raio, aprisionando-os para sempre nos infernos.
Assim, ao derrotar os Gigantes, Zeus vence as adversidades das forças primordiais, indomáveis e bloqueadoras da evolução da razão, da descoberta da inteligência sobre os impulsos da natureza, da sua essência mais primitiva. É a vitória da filosofia grega sobre a hostilidade das civilizações mais remotas, a vitória da inteligência do homem sobre os seus instintos básicos.

As Quatro Categorias dos Ciclopes

Na luta dos deuses olímpicos pela supremacia do poder, os Ciclopes, seres gigantes de um só olho na testa, e os Hecatônquiros, monstros de cem braços e cinqüenta cabeças, aliaram-se a Zeus e aos seus irmãos, contribuindo para a sua vitória final.
Os Ciclopes têm em sua essência primitiva, o caráter violento; são movidos pelos instintos básicos e pela irracionalidade compulsiva de apenas sobreviver, ou de sentir prazer. São agrupados tradicionalmente em quatro categorias distintas: os uranianos, os pastores, os ferreiros e os construtores.
Os Ciclopes Uranianos são divindades primitivas, filhos de Gaia e Urano. Tidos como entidades menores, não são deuses, mas também não são mortais, são seres de uma força mágica. Segundo Hesíodo, os filhos Ciclopes de Gaia eram três: Estérope (o raio), Brontes (o trovão) e Argés (o relâmpago). Por trazerem uma força indomável, eles foram aprisionados no Tártaro por Urano, juntamente com os Hecatônquiros. Urano temia ser destronado por criaturas tão monstruosas. Eles só seriam libertados quando Cronos assumiu o poder sobre os deuses. Mas a liberdade foi provisória, o Titã sucessor de Urano voltou a encerrá-los nas trevas do inferno. Ali permaneceriam até que Zeus os libertasse definitivamente. Como agradecimento pela liberdade, os Ciclopes aliaram-se aos olímpicos, forjando-lhes as armas de combate. Para Zeus deram o raio, para Poseidon o tridente, e para Hades, o capacete que o tornava invisível.
Os Ciclopes uranianos fabricaram o raio com o qual Zeus fulminara Asclépio (Esculápio), filho do deus Apolo. Para vingar a morte de Asclépio, Apolo eliminou os três Ciclopes.
Os Ciclopes Ferreiros são entidades inferiores aos uranianos, não sendo mencionada a sua origem, o que nos permite incluí-los na primeira geração de divindades. Os mitos mais famosos dos Ciclopes ferreiros são os de Acamas e Pirácmon. Ligados à metalurgia, são eles que confeccionam as flechas de Ártemis e Apolo, as armas e os adornos dos deuses. Fazem parte da corte de Hefestos (Vulcano), o deus artesão, do fogo e dos metais. Habitavam a oficina de Hefestos, localizada dentro do vulcão Etna, na Sicília.
Os Ciclopes Construtores eram mencionados como hábeis arquitetos e escultores, sendo a eles atribuídos todos os monumentos pré-históricos da Grécia e da Sicília. Entre as construções tidas como feitas pelos Ciclopes, estão as muralhas de Tirinto e Micenas. Eram construções primitivas feitas com gigantescos blocos de pedra, que pareciam à civilização grega impossível ter sido transportadas por humanos, daí ter sido erigidas pelos músculos dos gigantescos Ciclopes. Os mitos dos Ciclopes construtores provinham principalmente, da Lícia.
Os Ciclopes Pastores são os mais brutais de todos eles. Situam-se numa terceira geração de divindades, como é o caso de Polifemo, o mais famoso dos Ciclopes, filho de Poseidon, o deus dos mares. Se os três outros grupos dos Ciclopes destacam-se pelas habilidades de arquitetos, artesãos e construtores, demonstrando uma inteligência criativa, os Ciclopes pastores são rudes, de uma crueldade selvagem, desprovida da moral civilizadora ou limitações diante dos deuses e dos costumes. Têm como única riqueza parcos rebanhos de carneiros. Não plantam, não lavram, não fazem oferendas aos deuses, não têm leis, passeiam nômades pelas montanhas, levando os seus rebanhos, que devoram sem cozinhá-los, vivem em grutas, no alto dos montes. Outra característica dos Ciclopes pastores é o canibalismo. São os mais puros representantes da Grécia mítica e primitiva, antes de alcançar a mais elaborada e evoluída das civilizações antigas, que trazia o fantasma de seres antropófagos, selvagens e que se alimentavam da carne humana. Os gregos temiam à crueldade sanguinária atribuída aos Ciclopes, considerando-os deuses e a eles fazendo sacrifícios em altares que se lhe dedicavam, sendo em Corinto o mais conhecido.

Polifemo e Odisseu

Polifemo é o mais famoso dos Ciclopes. Está incluso na categoria dos Ciclopes pastores. Seu mito suscitou duas grandes lendas: o Polifemo cruel e sanguinário, derrotado por Odisseu (Ulisses), descrito por Homero e Eurípides; e, o Polifemo jovem e apaixonado, que não vendo o seu amor pela bela Galatéia ser correspondido, passa a cantar para esquecer as mágoas do amor rejeitado.
O Polifemo de Homero, descrito na “Odisséia”, e de Eurípides, imortalizado no drama satírico “O Ciclope”, é filho de Poseidon e da ninfa Toosa. É um ser monstruoso, cruel e selvagem, vive em uma gruta da ilha onde habita.
Polifemo vive desconfiado, sem leis ou sentimentos de afeição. Sua condição de ser primitivo incapacita-o de qualquer gesto de comoção ou piedade. Vive com os seus carneiros em uma ilha conhecida como sua. O cotidiano de Polifemo é quebrado quando Odisseu e os seus homens, que retornavam da guerra de Tróia, aportam na ilha. Os guerreiros gregos encontram a caverna de Polifemo, onde vêem espalhados pelo chão, potes de leite e queijos de cabra. Famintos, devoram os alimentos do Ciclope.
Odisseu sabia que a ilha pertencia a Polifemo, sabia também da crueldade secular do Ciclope, espalhada e contada pelos quatro ventos. Mesmo assim, não impede os seus homens de saquearem os mantimentos de tão perigosa criatura. É a devorar-lhe os alimentos, que Polifemo vai encontrar, dentro da caverna, Odisseu e os seus homens. Há um breve diálogo entre Odisseu e Polifemo, marcado pela astúcia do primeiro e pelo sarcasmo do segundo. A conversação é interrompida quando Polifemo, sem demonstrar compaixão, pega dois dos homens, devorando-os em minutos, jogando os seus ossos em um canto da caverna.
Aprisionado na caverna de Polifemo, Odisseu vê todos os dias, dois dos seus homens sendo devorados pelo monstro. O soberano da Ítaca elabora um plano. Pensa em matar Polifemo durante o sono, mas sabe que se o fizer, também ele e os seus companheiros morrerão, pois uma gigantesca pedra fecha a caverna, só podendo ser removida pela força incomum do próprio Ciclope.
Os dias vão passando, e Polifemo vai devorando os homens de Odisseu, comendo-os às vezes crus, às vezes cozidos. Polifemo passa o dia a conduzir o seu rebanho de cabras pela ilha, enquanto deixa os navegantes presos na caverna. Enquanto o Ciclope está fora, Odisseu inspeciona a caverna. Encontra vinho e uma grande madeira. Juntamente com os seus homens, afina a madeira, transformando a sua extremidade em uma ponta aguçada, endurecida ao fogo. Quando Polifemo retorna, Odisseu, gentilmente oferece-lhe uma gamela de vinho. Num só trago, o monstro sorve a bebida. Odisseu oferece-lhe outra gamela, e outra, e outra... Como agradecimento, Polifemo promete devorar-lhe por último. Já embriagado, o Ciclope pergunta a Odisseu como é o seu nome. Ele responde: “Ninguém”. Por fim, embriagado e cansado, Polifemo cai em um sono pesado. Aproveitando-se do momento, Odisseu pega a estaca que afiara a ponta, e em um gesto rápido, fura o único olho de Polifemo.
Polifemo acorda com um urro de dor, o sangue jorra por toda a sua cara. Enfurecido, procura por Odisseu e os seus homens, mas cego, não percebe que eles estão debaixo dos seus carneiros, ao tocá-los, pensa tocar nos animais do seu rebanho. Desesperado, Polifemo afasta a pedra da gruta. Sai correndo pela ilha, a gritar furiosamente e com desespero: “Ninguém me cega. Ninguém quer me matar”. Naquele instante, Odisseu e os que sobreviveram à fúria do monstro, partem da ilha, deixando Polifemo cego do seu único olho.

Polifemo e Galatéia

Na segunda lenda do mito, Polifemo é um pastor jovem e apaixonado pela bela nereida Galatéia. Mas como é feio, portador de um único olho, a jovem repudia e rejeita o seu amor. Polifemo, ser brutal, rude nos seus atos e na sua parca conduta de vida, vê na bela e frágil Galatéia, o redimir da sua essência primitiva, domesticada pelo amor e pelos sonhos da paixão.
Se a beleza da jovem suscita no monstro a delicadeza, o amor verdadeiro, nela ele apenas desperta o medo, o terror. Loucamente apaixonado, ele oferece à jovem as mais belas jóias, belas vestes e moedas de ouro, a tudo ela recusa, sem o mínimo de comoção às súplicas e ao amor do Ciclope.
Sem ter o seu amor correspondido, Polifemo passa o tempo a cantar a beleza de Galatéia, como se assim pudesse fugir da imensa dor que lhe trespassa o coração apaixonado. Este Polifemo que encontra na música o refúgio para afogar a sua mágoa de amor, é retratado por Teócrito num de seus “Idílios”.
Ovídio apresenta uma versão diferente do amor de Polifemo por Galatéia, transformando-o em um ser compulsivo e violento, longe do romantismo lírico da outra versão. Em Ovídio, diante da recusa de Galatéia ao seu amor, o Ciclope desconfia que ela nutre uma paixão por outro. Diante da possibilidade de um rival, Polifemo segue Galatéia, confirmando as suas suspeitas ao vê-la nos braços do belo Acis, entregando-se apaixonadamente.
Polifemo não suporta o que vê. O seu coração magoado enche-se de ódio, transportando-o para uma fúria cega e perigosa. Desesperado, dilacerado pelo ciúme, ao ver o casal entrelaçado na praia, Polifemo solta um grito cortante, como um trovão a rasgar o céu. Assustada, Galatéia foge para o mar, mergulhando na imensidão das águas. Acis, ao tentar acompanhar a amada na fuga, é atingido por um rochedo que lhe atirou Polifemo sobre o corpo. O jovem cai sem vida. Comovidos pelos prantos de Galatéia, ante ao amado morto, os deuses transformaram Acis num rio que corre próximo ao monte Etna. Polifemo sente-se vingado. O ódio aliviou-lhe a angústia do coração apaixonado.
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Domingo, 23 de Agosto de 2009

DIVINDADES SIDERAIS

 

 

Os astros sempre foram motivos de atenção, adoração e estudos das civilizações mais remotas. Antes de alcançar o apogeu intelectual e filosófico que se espalhou pelo mundo antigo, os gregos em seus primórdios, tinham dificuldade em explicar a origem do movimento dos astros. Como tinham poucas informações concretas sobre eles, desprovidos de estudos científicos, transformaram em deuses o Sol, a Lua, a Aurora e outros, criando as divindades siderais e atmosféricas.
As divindades siderais estão divididas em dois grupos, sendo o primeiro composto pelos deuses Hélios (Sol), Selene (Lua) e Eos (Aurora), considerados como prole da segunda geração de deuses, os Titãs. O segundo grupo é formado por Eósforo (o portador da manhã); Fósforo (o portador da luz), nomes primitivos do planeta Vênus, que em Roma identificava-se com Lúcifer; e, Héspero (Vésper), o astro da tarde, invocado como guia dos cortejos nupciais. Héspero é tido como o pai das Hespérides, as ninfas da tarde.
Hélios, com os seus cabelos dourados, corpo atlético e olhos serenos, era o filho mais belo do titã Hipérion e da titânia Teia. Hipérion em grego significa “o que se move no alto”, sendo ele um epíteto do próprio Sol. Em uma das versões sobre o mito, Hélios, por sua beleza e serenidade, despertou a inveja dos seus tios, os outros Titãs. Este sentimento de ódio levou a que cometessem um ataque de fúria contra o sobrinho, atirando-o às águas do rio Erídano. Apesar de lutar contra a fúria das correntezas, Hélios teria sido tragado por elas. Ao saber da morte do irmão, Selene não teria suportado a dor e arremessou-se do alto do palácio dos pais, também perecendo. Mas os irmãos não tinham morrido, ascenderam ao Olimpo, ao lado dos imortais, transformando-se nos poderosos deuses Hélios e Selene, que iluminavam o mundo, chamados agora de Sol e Lua. Ao lado da irmã Eos, a Aurora, eles traziam a claridade para a humanidade.

Hélios, o Sol

O deus Sol foi cultuado por todas as civilizações antigas. Numa época bastante remota, estendeu-se pela Grécia o culto a Hélios, divindade que tinha como função iluminar os deuses e os homens, fazendo brotar as plantas e amadurecer os frutos. O culto a Hélios ter-se-ia originado na Ásia, com paralelos similares a Samas, divindade solar da Mesopotâmia.
No mito de Hélios encontramos o deus a percorrer o céu sobre um carro de ouro, fabricado pelo artesão dos deuses e senhor do fogo, Hefestos (Vulcano). Hélios traz o seu carro atrelado a quatro velozes cavalos brancos, que soltam fogo pelas narinas. Os nomes dos cavalos do Sol sofrem alterações de acordo com as várias versões da sua lenda, sendo os mais tradicionais Eôo (oriental), Éton (cor de fogo), Pírois (eu queimo) e Flégon (eu brilho). Noutras versões, há os cavalos Etíope e Lampo (resplandecente).
Conduzindo o seu carro de ouro, Hélios percorre uma longa viagem pelo mundo, partindo de um pântano formado pelo Oceano, no longínquo país da Etiópia, no Oriente. Hélios cavalga o céu envolto em um leve manto, trazendo um reluzente capacete. Percorre o azul celeste em uma corrida veloz, trazendo luz e calor para todas as partes do universo. Ao meio-dia Hélios alcança o ponto mais alto da sua trajetória, então o carro começa a descer na direção do Ocidente. Ao chegar no país das ninfas Hespérides, submerge no Oceano, onde os cavalos se banham, indo descansar na ilha dos Bem-Aventurados. Hélios reúne-se a sua família, que o espera em um barco, no qual navega toda a noite, até atingir no dia seguinte, o ponto de partida e recomeçar o vôo pelo céu.
Hélios tem a sua residência na ilha de Ea, é dono de sete rebanhos de bois e sete rebanhos de ovelhas, que segundo Aristóteles, os animais representam os 350 dias e as 350 noites do antigo calendário solar. Hélios é o deus que tudo vê, que tudo sabe, descobrindo delitos e punindo os culpados, exercendo assim, o controle ético sobre os homens.
Das lendas que envolveram o mito de Hélios, a mais famosa é a do seu filho Faetonte. Para provar a Épafo que era filho do Sol, Faetonte consegue convencer o pai a deixá-lo dirigir os quatro cavalos pelo céu. Preso a uma promessa, Hélios permite que o filho o faça. Cavalgando os céus, Faetonte perde o controle sobre os cavalos, que começam a galopar sem direção, bem próximos da terra, queimando-a e tirando a respiração dos homens. Perdidos pelos céus, os cavalos passam pela Etiópia, aproximam-se tanto dos homens que se lhe mudam a cor, passando de brancos a negros. Faetonte continua perdido pelo céu, causando grandes estragos à humanidade. Ao ver a imprudência do filho do Sol, Zeus (Júpiter), o senhor dos deuses, fulmina Faetonte com um raio, o jovem cai morto nas águas do rio Erídano. A Hélios só resta prantear o filho.
Na Grécia, o local principal do culto a Hélios era na ilha de Rodes, onde todos os anos eram celebradas as festas Helíacas, que traziam jogos, certames musicais, culminando no sacrifício de quatro cavalos atirados ao mar. Em 291 a.C. o escultor Cares fez a imagem mais popular do deus, a estátua que ficou conhecida como o Colosso de Rodes, uma das sete maravilhas do mundo antigo.
Com o tempo (a partir do século V a.C.), o culto a Hélios começou a declinar por toda a Grécia, sendo substituído por Apolo, o deus solar e da luz, que passou a ser identificado ao Sol, assumindo as suas principais características.

Selene, a Luz de Prata das Trevas

Selene, a Lua, irmã de Hélios e Eos, traz uma coroa de ouro na cabeça, veste trajes fulgurantes, iluminando a atmosfera em trevas. O seu trabalho começa quando Hélios, ao entardecer, termina a sua viagem pelo mundo. Então Selene parte em um carro de prata, puxada por belos cavalos brancos, emanando luz por toda a escuridão da noite. Há versões da lenda que não lhe conferem um carro de prata, mas apenas um cavalo que ela monta em sua viagem pelo céu.
O culto à Lua é mais antigo entre as civilizações do que o culto ao Sol. O mito de Selene é anterior ao mito de Hélios. Apesar de não ter grandes cultos, os povos associavam a Lua com a fertilidade, com o crescimento das plantas, sendo responsável pela fecundidade dos humanos e dos animais.
O culto à Selene perdeu as características diante da deusa Ártemis (Diana), irmã gêmea de Apolo, deusa da caça e da castidade, assumindo também a função de deusa da Lua. Em Roma Luna era a deusa lunar, sendo cultuada em um templo construído no monte Aventino, sendo também assimilada a Diana. Selene foi associada também a Hécate, a deusa que ronda os túmulos.
A lenda que caracterizou o mito, foi a sua paixão por Endimião, o jovem pastor mergulhado em um sono eterno. Obcecado pelo desejo de agarrar a juventude eterna, Endimião pede a Zeus que lha conserve para sempre. O senhor dos deuses concede-lhe o desejo, desde que ele concorde em dormir um sono infinito. Assim, quando Endimião cansado da labuta com os animais de seu rebanho, deita-se sobre a relva para descansar um instante, é envolvido em um sono do qual jamais irá despertar. Selene, ao passar pelos campos, apaixona-se pela beleza serena daquele homem adormecido. Desce ao mundo e deita-se ao lado de Endimião, por quem está irremediavelmente apaixonada. Afaga-lhe os cabelos, beija-lhe as faces, a boca, mas ele não acorda. Todas as noites, após caminhar pelo mundo distribuindo luz, Selene regressa aos campos onde está o amado, deita-se ao seu lado, adormecendo encostada no seu peito, a sonhar com o dia que Endimião se irá erguer daquele sono eterno e abraçá-la e beijá-la. Endimião representa o carinho da Lua a iluminar os homens docemente, sem despertá-los do sono e do repouso que se lhes infringe o Sol.

Eos, a Aurora

Eos, a Aurora, é irmã de Hélios e Selene, completando a tríade das grandes divindades siderais. É uma deusa de róseos dedos, que abre a porta do céu ao carro de Hélios. É a primeira luz da manhã, trazendo consigo a primeira brisa, que esparge o orvalho sobre os campos, desperta os animais e os homens, trazendo-lhes o primeiro calor do dia, que estava envolto na frieza da noite.
Eos movimenta-se pelo céu conduzindo um carro púrpuro, guiado por dois cavalos, Lampo e Faetonte, que trazem arreios multicoloridos. Quando Eos passa pelo céu, o mundo, por breves minutos, enche-se de cores. O fenômeno das auroras no céu é típico apenas do hemisfério norte, daí a importância que os gregos davam a ele, como a promessa das primeiras luzes da manhã.
O mito de Eos é descrito pelos poetas como uma bela e jovem mulher de cabelos esvoaçantes, ágil e graciosa, movida de asas nos ombros e nos pés. A lenda refere-se a Aurora como uma deusa de amores intensos e fugazes, presos na inconstância dos seus caprichos. É mãe de alguns ventos e astros, frutos do seu casamento com Astreu (“o homem estrela” ou “o céu estrelado”).
O caráter inconstante de Eos teria sido provocado depois que se apaixonara por Ares (Marte), o que despertou o ciúme de Afrodite (Vênus), deusa do amor, e amante do deus da guerra. Desde então, Afrodite transformou Eos em uma criatura inquieta e atormentada por paixões efêmeras e insaciáveis. Ser amado pela Aurora significava uma maldição, pois o amado logo seria abandonado ao desespero e à solidão.
O amor de Eos por Titono, irmão do rei Príamo, de Tróia, é a lenda mais famosa do mito. Ao apaixonar-se pelo mortal troiano, Eos decidiu raptá-lo, levando-o para terras distantes da Etiópia, em um lugar próprio para os grandes amores. Para não perder o amado, pede a Zeus que o torne imortal, mas se esquece de pedir a juventude eterna. Assim, Titono envelhece como todo ser humano, mas não morre, pois se tornara imortal. A velhice consome o pobre Titono, que atravessa os séculos senil, cansado, sem forças e inútil. Titono vai definhando, até que Eos penalizada com a decrepitude do amante, transforma-o em uma cigarra.
Em épocas posteriores da cultura grega, com a chegada dos grandes filósofos e matemáticos, os grandes segredos siderais passam a ser motivos de estudos e avanços da ciência, o que eliminou o seu caráter mitológico. Com a evolução dos estudos filosóficos, o mito esvai-se, cedendo lugar à teoria e às hipóteses. As divindades siderais perdem, aos poucos os seus mistérios, enquanto que Apolo e Diana, deuses solares e lunares respectivamente, ganham espaço na literatura e no teatro grego.

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Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

CENTAUROS - SÁTIROS - SILENOS - FAUNOS: METADE HOMEM, METADE ANIMAL

 

 

A mitologia grega está povoada de estranhas figuras, desde monstros terríveis, como a Medusa, que trazia na cabeça não fios de cabelos, mas serpentes, aos Ciclopes, homens gigantes que traziam um olho no meio da testa, ou Cérbero, cão de muitas cabeças que guardava as portas do inferno. Os monstros mitológicos normalmente são seres malignos que desafiam os heróis e os deuses, sendo por eles destruídos ou aprisionados.
Dentro da criatividade mitológica, há alguns monstros de caráter benéfico, que acompanham os deuses em seus cortejos, tendo a aparência híbrida, metade humana, metade animal. Nos mares vamos encontrar as sereias e os tritões, metade humanos, metade peixes, que seguem o cortejo do deus dos mares, Poseidon. Nos campos temos as alegres figuras das divindades campestres, que trazem duas naturezas, a humana e a caprina, representada pelos Sátiros e os Silenos. Não são deuses, mas não são meros mortais, pois tomam do néctar e assim como as ninfas, não envelhecem, têm uma longa vida. São gênios campestres que protegem os homens e os seus rebanhos das feras da floresta. Os Sátiros têm o seu mito ligado não apenas ao campo, mas à fertilidade e à música, sendo que o mais famoso deles, Pã, foi o inventor da flauta que leva o seu nome.
Também possuidores de duas naturezas, a humana e a eqüestre, estão os Centauros, originários da Tessália, lugar cheio de montanhas e terras áridas, que tinha na pecuária a sua principal atividade econômica. Este povo montava os seus cavalos para mais facilmente conduzir os seus rebanhos. Esta fusão homem-cavalo originou a figura do Centauro, homem da cabeça ao tronco e cavalo da cintura para baixo. Monstro benéfico, representava a eterna luta das civilizações, do homem que traz em si o irracional e o racional.
Sátiros, Silenos e Centauros, estranhas e fascinantes criaturas mitológicas que com a dualidade do seu corpo, traduziam a essência da evolução da civilização humana, muitas vezes racional, outras vezes meramente animal.

Nascidos da Mulher Feita de Nuvem

O cavalo é um animal veloz, quando montado pelo homem, ao longe parecem um só em uma imagem definitiva. Símbolo nas civilizações antigas da força e da ousadia, o cavalo despertava a simpatia dos gregos. A partir desta admiração, surge o mito dos Centauros, nascido na Tessália, considerada na antiga Grécia, um lugar de habitantes bárbaros, cruéis e ignorantes. Por este motivo, há duas vertentes no caráter do Centauro, quando visto pelos gregos como um reflexo dos pastores e habitantes da Tessália, assumiam aspectos rude e ignorante, levados à crueldade quando embriagados. Mas a maioria das lendas sobre os Centauros, mostra-os benéficos e inteligentes, festejando com os mortais os casamentos e banquetes.
A origem dos Centauros está ligada ao mito de Ixião, habitante da Tessália, que matara a sangue frio o próprio sogro. Perseguido pelos habitantes do lugar, Ixião fugiu, percorrendo vários lugares da Grécia. Todas às vezes que era descoberto, era obrigado a fugir do lugar onde se encontrava, sem jamais ter paz. Diante da infelicidade de Ixião, Zeus (Júpiter), o senhor dos deuses, apiedou-se dele, convidando-o para viver no Olimpo.
No Olimpo Ixião não se mostrou agradecido, pelo contrário, pérfido e traiçoeiro, apaixonou-se por Hera (Juno), a rainha dos deuses, esposa de Zeus. Não contente, tentou seduzir a fiel esposa do senhor do Olimpo, confessando-lhe o seu amor e desejo. Indignada, Hera contou ao marido a ousadia de Ixião.
Zeus não castigou o seu hóspede ingrato tão logo soube das suas intenções, pelo contrário, como muita calma, preparou-lhe um grande ardil. Num pedaço de nuvem, o senhor dos deuses confeccionou uma réplica de Hera. Deu-lhe movimentos e sopros de vida. Assim, ao ver a nuvem em forma da rainha do Olimpo sorrir-lhe insinuante, Ixião não pensou duas vezes, tomou-a nos braços e a possuiu arrebatadamente, com sôfrega paixão.
Do amor traiçoeiro e infame de Ixião com uma mulher feita de nuvem, nasceu o monstro Centauro, metade homem, metade cavalo. Após o ardil, Ixião foi atirado ao Tártaro, onde ouviu, por muitos séculos, os deuses rindo da sua infâmia amorosa. Do alto do Olimpo Néfele, a mulher de nuvem que tinha o rosto de Hera, desfez-se em pranto.
Centauro foi deixado sozinho no monte Pélion. Trazia em si o irracional e o racional, a razão e a consciência mescladas com a sua natureza bestial. Centauro trazia na sua cabeça de homem o pensamento, a inteligência humana, e no seu corpo animal o desejo, o impulso naturalmente eqüino. No monte Pélion uniu-se a uma égua, gerando uma criança, dando início aos Centauros.

Vítimas da Embriaguez do Vinho

Os gregos não apresentavam os Centauros como seres totalmente malignos e que transmitiam o terror. Ora eram vistos como seguidores do cortejo de Dioniso (Baco), deus do vinho.
Conta a lenda que os Centauros não têm o hábito do vinho, por isto embebedam-se com facilidade, o que influi na sua parte animal, tornando-os violentos e cruéis, brigando entre si e atacando as ninfas. Esta fraqueza ante ao álcool é sintetizada na lenda do casamento de Pirítoo, o rei dos lápitas, que os convidara para as bodas. Embriagados, os Centauros provocaram confusão e briga entre os convidados. Um deles, Euritião, apoiado pelos outros, tentou violar Hipodâmia, a noiva de Pirítoo.
O incidente originou uma longa guerra entre os lápitas e os Centauros. A lenda talvez sirva para relatar uma guerra que se sucedeu de verdade. Centauros parece significar “bando de cem guerreiros”, e lápitas “os que quebram pedras de fogo”, e seriam dois povos provenientes da época neolítica, isolados nas montanhas da Tessália e na região pastoril da Arcádia, travando entre ambos, lutas constantes.
Um outro Centauro famoso foi Folo, filho de Sileno e de uma ninfa, habitante da região de Fóloe, na Élida. Conta a lenda que durante os seus doze trabalhos, Héracles (Hércules) atravessou esta região. O herói encontrou boa hospitalidade na casa de Folo, que lho ofereceu comida e pouso. Durante a ceia, Héracles solicitou vinho a Folo, mas o Centauro hesitou em servi-lo, temendo que o cheiro da bebida atraísse aos demais Centauros, que diante da embriaguez tornavam-se bestiais. Mas Héracles insistiu e Folo acabou por ceder. Ao sentir o cheiro do vinho, outros Centauros foram atraídos à casa de Folo. Lá chegando, exigiram que lhes fosse servida a bebida. Embriagados, envolveram-se em uma grande luta, fazendo com que Héracles intervisse. A luta só parou quando muitos deles foram mortos pelo herói, e outros tantos fugiram.

O Sábio Quirão

O mais famoso dos Centauros é o sábio Quirão, o preceptor do grande herói Aquiles. Quirão, segundo uma vertente da lenda, seria filho de Cronos (Saturno) e da ninfa oceânida Filira. Sua origem foge totalmente à lenda de Centauro, filho de Ixião e da nuvem em forma de mulher. Conta a lenda que para fugir da desconfiança da mulher, a deusa Réia (Cibele), Cronos metamorfoseia-se de cavalo para amar a bela Filira. Da união dos amantes nasce, no monte Pélion, um menino metade homem, metade cavalo. Inconformada em ter gerado um Centauro, Filira passa a ter repulsa do filho. Para não sofrer tanto com a imagem do pequeno monstro, ela pede aos deuses que a transformem em uma árvore, que nada sente. Compadecidos, os deuses a transformam em uma tília. Ao ver a amada imóvel em forma de árvore, só resta a Cronos protegê-la dos raios e dos lenhadores, fazendo com que a tília exale um agradável e inebriante perfume quando floresce na primavera.
Cronos ama o filho, decidindo que ele não terá o mesmo destino da espécie, não será cruel, violento e nem bestial. Dota-o com todas as suas virtudes de deus do tempo, fazendo-o o mais sábio dos Centauros.
Quirão herdara do pai titã, os conhecimentos da magia, da astronomia e o dom de prever o futuro. Mesmo tendo o seu lado bestial, é um Centauro gentil e sábio, conhecedor das artes e da música. É um ilustre portador de ensinamentos filosóficos e morais. Habita uma gruta, onde para lá se dirigem deuses, heróis e reis para confiar ao Centauro a educação de seus filhos. Quirão é o símbolo da superação bestial diante da razão e da cultura. É um Centauro helenizado, longe da rudeza dos Centauros da Tessália.

As Divindades Campestres

As terras gregas, compostas por ilhas e penínsulas, são montanhosas, castigadas por rigorosos invernos e verões escaldantes, fazendo com que as atividades agrícolas fossem desenvolvidas em poucas áreas cultiváveis, e as pastoris realizadas no alto das montanhas, onde ventos fortes permitiam apenas o crescimento de ervas próprias à alimentação dos rebanhos. Para percorrer o alto das montanhas e suas pastagens, os antigos gregos tinham que atravessar florestas cerradas e bosques densos, através de trilhas estreitas e perigosas, habitadas por feras como javalis e lobos.
Para vencer a difícil luta contra um clima hostil e um relevo difícil, os gregos pediam ajuda aos deuses, venerando tenazmente as divindades agrícolas, refletidas principalmente em Deméter (Ceres), deusa da agricultura e protetora do trigo, e em Dioniso, deus protetor da vinha. Estas divindades principais, não eram as únicas veneradas pelos camponeses e pelos pastores. Outras divindades secundárias como os Sátiros, os Egipãs e os Silenos, eram cultuadas como protetoras dos rebanhos, facilitando a fertilidade do solo e à procriação dos animais.
O Sátiros, os Egipãs e os Silenos são divindades agrestes secundárias, híbridos em sua forma, meio animal, meio humano.Vivem nas florestas, em lugares impenetráveis, longe do alcance dos olhares humanos. Participam sempre do cortejo de Dioniso. São alegres e ruidosos, amam as festas, o vinho, as Ninfas e, principalmente, amam os bosques, dos quais são protetores.

Os Sátiros

Os Sátiros têm a sua origem em duas versões mitológicas: a primeira é que seriam filhos de Hermes (Mercúrio) e de Iftiméia, outros autores atribuem a paternidade ao deus do vinho, Dioniso, com a ninfa Nicéia. São seres que trazem traços de homem e de bode. São caracterizados com uma bestialidade arrebatadora, como gênios preguiçosos, covardes e movidos por uma sensualidade que lhe dão uma sexualidade sempre em ebulição, à flor da pele. Gostam de aterrorizar os pastores e os viajantes, mas, ao mesmo tempo, protege-os das feras dos bosques, assim como protegem os seus rebanhos.
A permanente sensualidade dos Sátiros revela-lhes uma vigorosa forma física. Seu apetite sexual é insaciável, assim como a voracidade que sentem em relação ao vinho e à embriaguez.
Com o tempo há uma mudança na descrição destas entidades, que passam a ser descritos como dóceis, maliciosos e travessos, amantes da dança e da música. Esta nova imagem conserva-lhes as orelhas pontiagudas, os pequenos chifres e os pés caprinos. São eternos perseguidores das Dríades (Ninfas das árvores, em geral) e das Hamadríades (Ninfas dos carvalhos).

Os Egipãs e os Silenos

Os Egipãs são descendentes diretos do deus Pã. São pequenos homens peludos, com chifres e pés de cabras, trazendo o corpo terminado em cauda de peixe. Egipã seria filho de Pã e da ninfa Ega. Foi concebido numa noite de embriaguez dos pais. Atribui-lhe o som que se ouve nas conchas, tornando-a um instrumento de sopro. Egipã, assim como os seus descendentes, repetem o próprio Pã.
Os Silenos são muito parecidos com os Sátiros, embora descritos como portadores de uma aparência menos jovial. Os Silenos não surgiram na Grécia, são oriundos da Frigia. São divindades que trazem como evidências físicas uma cauda, patas e orelhas de cavalo (diferentes dos Centauros, os Silenos alongam as pernas em forma de patas eqüinas). Por estas características, são considerados gênios das águas, pois o cavalo é um animal que simboliza a água.
Através dos Silenos surgiu o mito de Sileno, nascido na Grécia, e que é diferente de todos os outros. Sua forma física em nada lembra os Silenos tradicionais, é gordo e calvo, sendo a personagem mais pitoresca do cortejo de Dioniso. Está sempre embriagado, sendo carregado pelos Sátiros. Sileno seria filho de Hermes e Gaia (Terra), ou ainda, em uma segunda versão, nascera do sangue de Urano (Céu), quando este tivera os testículos amputados pelo filho Cronos. Sileno é sábio, e tem o dom de prever o futuro, mas só revela a verdade quando está embriagado, sob os efeitos do vinho.
Sátiros, Egipãs e Silenos eram ardentemente cultuados pelos pastores e agricultores gregos, mas nenhum deles possuía festas próprias ou templos erguidos para devoção. Eram venerados pelos antigos gregos com ofertas de animais e produtos da terra.

Pã, o Deus dos Rebanhos

O mais famoso dos Sátiros é Pã, o deus pastor. Há várias lendas em torno do seu nascimento, a versão mais aceita diz que é filho de Hermes e da ninfa Dríope. É em torno dele que vivem os gênios campestres, os espíritos dos bosques. Pã é um deus secundário, representado na maioria das vezes com barba, coberto por pêlos negros no corpo, com chifres na cabeça e patas de bode. A origem do mito vem da Arcádia, lugar montanhoso, que tinha como riqueza apenas a criação de cabritos e carneiros.
Segundo a lenda, Dríope rejeitou o filho tão logo nasceu, por não aceitar a sua forma híbrida. Hermes levou-o para o Olimpo, onde foi criado. Por seu jeito alegre, logo conquistou a simpatia e a afeição de todos os deuses, sendo chamado por eles de Pã, que em grego significa “tudo”.
Pã é o deus dos rebanhos. Vive errante pelas montanhas e pelos vales, aterrorizando as Ninfas dos bosques com a sua impetuosidade viril. Além de pastor e caçador, é músico. Segundo a lenda, foi o inventor da flauta agreste que leva o seu nome.
O mito de Pã traz várias lendas com as suas aventuras amorosas. A sua maior amante teria sido a ninfa Eco, que o deixou por se apaixonar pelo belo Narciso. Como vingança à amante infiel, Pã tirou-lhe a capacidade da fala, limitando-a a repetir o que os outros diziam.
A partir de uma certa altura, Pã deixou de ser visto pelos autores mitológicos como um deus, tornando-o mortal. O romano Plutarco (50? – 125? D.C.) relata a sua morte. Com o passar dos tempos, o seu culto e o culto às divindades campestres, foram desaparecendo, muito antes da cristianização da Grécia e da Roma antiga.

Faunos, Divindades Campestres Romanas

Em Roma a figura mitológica dos Sátiros era associada aos Faunos, divindades agrícolas, que tiveram a sua origem em Fauno, deus agrícola e da fecundidade. Assim como o Sileno grego, Fauno tem o dom da profecia, mas só as revela quando capturado e amarrado. Diversas versões identificam como sendo filho de Marte, outras fazem-no filho de Pico.
Fauno era venerado pelos romanos em um templo construído no monte Palatino. Nas venerações recebia o nome de Luperco. Suas festas, as Lupercálias, eram celebradas em fevereiro, tendo um caráter de purificação. No ritual eram feitos sacrifícios de cabras e bodes. Imolados os animais, o sacerdote passava a faca suja de sangue na fronte de dois jovens, em seguida lavava-lhes com leite as manchas de sangue, completando a purificação.
Os sacerdotes de Fauno vestiam-se apenas com uma pele de cabra, ou outras vezes, apresentavam-se completamente nus durante os cultos. Fauno não admitia pessoas vestidas na sua presença desde o dia que confundira Hércules e Ônfale. A lenda conta que, apaixonado por Ônfale, amante de Hércules, Fauno esperou que o casal adormecesse e adentrou o quarto escuro onde estavam. Sabia que Hércules trazia vestido sobre o corpo uma pele de leão, e Ônfale uma fina túnica. No escuro procurou o corpo que trazia a túnica e tentou possuí-lo, mas os amantes em uma brincadeira sutil, tinham trocado as roupas. Na confusão, Fauno enganara-se, deitando-se ao lado de Hércules, que despertou bruscamente, atirando-o da cama ao chão. Ao perceber o logro, Fauno sentiu grande vergonha, sendo motivo de escárnio diante dos amantes e dos deuses, que se riram do ardil. Desde então, segundo a tradição da lenda, Fauno, para evitar que se enganasse, não admitia aos sacerdotes que se lhe pusessem à frente vestidos.
Os Faunos herdaram do pai o dom da profecia. São divindades campestres semelhantes aos Sátiros gregos, sendo menos brutais e repulsivos em suas conquistas amorosas. Dividem com os Silvanos, divindades campestres como eles, que diferem apenas por preferirem morar nos bosques, sem nunca visitarem os trigais. Os Silvanos são descendentes de Silvano, a mais popular divindade agrícola romana. Assim como as divindades gregas, com o tempo foram esquecidas pelo povo que as criou.
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Quinta-feira, 28 de Maio de 2009

PROMETEU E PANDORA, DA CRIAÇÃO AOS MALES DO HOMEM

 

 

Milênios antes de o homem estudar a ciência da vida, as religiões explicaram de forma mística a criação da terra, da vida e da humanidade, numa resposta direta à imensa interrogação que se faz sobre o espaço humano dentro do universo, e a sua existência perecível, na eterna luta da vida e da morte. Se nos conceitos judaico-cristãos, Deus é único e supremo criador do universo e do homem, a religião da Grécia antiga via em Prometeu, um Titã da segunda geração, o criador da humanidade.
Feito para viver no jardim do Éden, Adão é a imagem do criador, ser inteligente e livre para escolher o seu caminho. Se no Gênesis o primeiro homem é feito do barro, na mitologia grega também. Prometeu esculpiu o homem do barro misturado com as suas lágrimas. Adão é feito à imagem de Deus, também o homem de Prometeu é feito à imagem de uma divindade. Se Adão é único, e da sua costela surge a mulher, com quem vai procriar, Prometeu maravilha-se com a sua obra e esculpi outros tantos homens, cada um à imagem das divindades. A sua obra, ao contrário da do Deus dos judeus, não é perfeita, pois esses homens são desprovidos de uma inteligência que lhes construísse uma identidade da alma. São seres silvícolas e sem vontade ou pensamento. É preciso que Atena (Minerva), deusa da sabedoria, jogue sobre a criação de Prometeu gotas do néctar divino, para que eles possuam uma alma, e quando a adquirem, não sabem o que fazer com ela.
Se Deus dá a sabedoria divina para Adão por amor à criação, Prometeu rouba o fogo dos deuses, o símbolo da sabedoria humana, não por amor, mas por vingança aos deuses. Instigado por Eva, Adão come o fruto da sabedoria e perde o Éden, também uma mulher, Pandora, será quem trará na sua caixa todos os males do mundo, abrindo-a para a humanidade, que perde a superioridade intelectual alcançada quando a consciência humana, através do conhecimento do fogo, é libertada da submissão aos deuses. Portadores de todos os males da caixa de Pandora, os homens voltam aos deuses, rogando-lhes boa colheita, boa saúde e boa morte.
Os mitos de Prometeu e Pandora, antagônicos, mas unidos através da concepção da criação humana, representam o homem, ser pensante e inteligente (por parte de Prometeu) e às limitações do seu corpo, exposto aos males físicos e intelectuais (herança de Pandora), que os fazem finitos diante da imortalidade dos deuses.

Paz Entre os Deuses no Reinado de Zeus

Para a cultura judaico-cristã, Deus criou a terra, os animais e por fim o homem. Para os gregos antigos, a criação do mundo deu-se com uma explosão de vida dentro do Caos, que originou Gaia, a Terra, e Eros, o amor. Gaia concebeu Urano (Céu), com quem se uniu e jamais deixou de conceber, sendo os seus filhos os responsáveis pelas forças indomáveis da terra, como os vulcões, os terremotos e os maremotos. É da união entre Gaia e Urano que nascem os Titãs (doze irmãos que ajudam o pai a governar o mundo). Cronos (Saturno), o deus do tempo, o mais poderoso dos titãs, revolta-se contra o pai, Urano, amputando-lhe os testículos, destronando-o da sua força genetriz, tornando-se o novo senhor dos deuses. Sendo o deus que tudo devora, sem encontrar um equilíbrio, também Cronos será destronado por um de seus filhos, Zeus (Júpiter). Ao destronar o pai, Zeus torna-se o senhor absoluto dos deuses, através dele o mundo organiza-se, é a vitória da ordem sobre a desordem. Zeus estabelece o princípio divino da espiritualidade e reinará os deuses e o mundo do alto do Olimpo. Organizado os deuses, falta a humanidade para servi-los e adorá-los.
Na luta pelo poder, Zeus travou uma guerra de dez anos contra os Titãs e os Gigantes. Vencidos, eles foram aprisionados no interior da terra. Um dos Titãs, Iápeto uniu-se à filha de Oceano, Ásia, com quem teve Atlas, Menécio, Prometeu e Epimeteu, formando a segunda geração de Titãs. Na luta dos Titãs contra Zeus, quando por ele derrotados, Atlas teve por castigado ter que carregar o mundo nas costas, enquanto que Menécio foi aprisionado para sempre no Érebo. Somente Prometeu e Epimeteu não foram castigados, por fingirem aceitar o reinado de Zeus. Mesmo a participar das assembléias olímpicas, Prometeu jamais aplacou o ódio aos deuses que humilharam os Titãs.

O Homem Surge das Lágrimas e do Ódio de Prometeu

Se a guerra sangrenta que derrotara os Titãs trouxera a paz entre os deuses e o fim das disputas entre eles, já não havia quem pudesse desafiar a nova ordem olímpica. Para que se quebrasse esta harmonia, Prometeu decidiu criar novos seres que se opusessem a ela. Molhou o barro com as suas lágrimas de ódio aos olímpicos e criou um ser à semelhança de uma divindade. Prometeu soprou a vida à escultura, chamando-a de homem. Gostou tanto da sua criação, que se pôs a esculpir um exército deles, todos inspirados em uma divindade. Das lágrimas e do ódio de Prometeu surgiram os homens.
Á criação, o Titã proveu da astúcia da raposa, da fidelidade do cavalo, da avidez do lobo, da coragem do leão e da força do touro. Mas a criação de Prometeu, apesar de bela, era feita da essência animal, apesar da aparência divina, era totalmente desprovida da essência dela, o que limitava as suas ações. Quando Atena (Minerva), viu tão sublime obra à semelhança dos deuses, mas com a essência e inteligência dos animais, encantou-se por ela. Amiga de Prometeu, a deusa da sabedoria despejou em um cálice o néctar divino, desceu para a terra e do cálice, pingou gotas sobre a criação de Prometeu. Imediatamente as criaturas perderam a essência animal, dotando-se da inteligência divina, adquirindo uma alma. Assim a humanidade, ao contrário dos animais, adquirira a alma divina, mas não a sua perenidade imortal.

Através do Fogo, Prometeu Torna o Homem Pensante

O homem criado por Prometeu adquirira uma alma, mas não sabia o que fazer com ela. O Titã queria uma raça que confrontasse e destruísse os olímpicos. Era preciso que se igualasse os homens aos deuses, era preciso que se lhes revelasse os segredos divinos e de si próprios. Cabia a Prometeu ensinar os conhecimentos universais à humanidade.
Zeus guardava o segredo do fogo distante da humanidade. O senhor dos deuses não via naquela criação que andava pelo mundo entre as trevas, qualquer habilidade que a fizesse mais especial que os outros seres viventes. Eram obedientes e servis aos deuses, o que agradava plenamente ao senhor do Olimpo.
Sabedor desta condição, Prometeu sentia cada vez mais a necessidade de organizar a alma humana. Um dia, ao andar pela terra, Prometeu pegou um pedaço de galho seco de um carvalho, voou até Hélios, o Sol, e encostou o galho no carro do deus, que se acendeu imediatamente. Prometeu tinha o fogo dos deuses nas mãos. Era o momento da sua vingança. Desceu à terra e entregou o fogo aos homens. Era o princípio da revelação da sabedoria à humanidade que se iria fazer mais inteligente e poderosa do que os deuses.
Na posse do fogo, os homens organizaram-se ao seu redor. Cozinharam os alimentos, forjaram inúmeros metais, aqueceram-se do frio no inverno, cozeram o barro para criar vasilhas onde pudessem guardar a água. A partir da descoberta da utilização do fogo dos deuses, a humanidade, orientada por Prometeu, floresceu no jardim dos seus conhecimentos. Já pouca diferença havia entre ela e os deuses.
Cada vez mais avançada nos conhecimentos, a humanidade aprendeu a fundir o ouro e a prata, a construir abrigos, arar a terra, proteger-se do frio. Já não precisa mais invocar proteção aos deuses, a sua sabedoria afrontava a cada dia o poder da divindade. A humanidade começava a ser feliz sem precisar dos deuses. Prometeu finalmente, criara aqueles que se oporiam aos olímpicos. Começara não uma guerra entre os imortais, mas entre deuses e homens. Os Titãs estavam vingados.

Pandora, a Mulher Feita do Bronze

Os deuses passam a temer os homens, que se expressam através da arte a raiva, o amor e o ódio, sem que precisem recorrer aos deuses. Tornam-se poderosos e cada vez mais independentes da presença divina. Esquecidos pelos homens, os deuses tramam uma vingança terrível, que lhes devolvam o poder usurpado e a submissão humana.
Zeus pede ao filho Hefestos (Vulcano), talentoso deus dos metais e da forja, que confeccione um homem de bronze, mas que seja diferente dos outros, para que possa encantá-los. Hefestos atende ao pedido, criando do bronze, a primeira mulher, bela e encantadora.
À mulher feita do bronze são dados vários presentes divinos. Afrodite (Vênus), deusa do amor, oferece-lhe uma infinita e sedutora beleza, além de encantos para enlouquecer os homens. Atena entrega à mulher uma túnica bordada que lhe cobre e realça a beleza harmoniosa do corpo. Hermes (Mercúrio), presenteia-lhe com a esperteza da língua, e Apolo confere-lhe uma voz melódica e suave. Está pronta a primeira mulher, que é chamada de Pandora, que significa “dotada por todos”. Ela estava pronta para ser enviada aos homens.
Zeus, antes de enviar Pandora aos homens, oferece-lhe uma caixa coberta com uma tampa. Dentro dela estão todos os germes da miséria humana. Assim, é enviada do Olimpo para os homens da Terra, a mulher, que trazia consigo a tentação, o símbolo dos desejos terrestres e todos os males do mundo.

Aberta a Caixa de Pandora

Quando chega a Terra, Pandora depara-se com Epimeteu, irmão de Prometeu. Ao ver tão bela criatura, o Titã encanta-se por sua beleza. Seduzido e apaixonado, ele recebe das mãos da bela mulher a caixa enviada por Zeus. Deslumbrado por tanta beleza, Epimeteu esquece-se da recomendação de Prometeu, que não recebesse nenhuma dádiva vindo do senhor do Olimpo, embevecido de paixão, nem desconfia do conteúdo caixa, abrindo-a prontamente. Subitamente, dela espalha-se um ar pestilento, os homens são afetados pelas doenças, pelas dores, pelo envelhecimento do corpo. Toma-lhes a alma a inveja, o rancor, a vingança. A essência humana, dantes pura e infinita, perde a inocência, tornando-se solitária e egoísta. Dentro da caixa de Pandora há um último elemento, a esperança, que ela deixa lá no fundo, ao fechá-la novamente. O homem perde o paraíso.
Pandora une-se a Epimeteu, criando uma nova geração de homens, desta vez vinda não do barro e das lágrimas de Prometeu, mas da união de um homem e de uma mulher. Os filhos desta união herdam a fragilidade da alma, as doenças, a miséria e todos os males que faz da humanidade a existência provisória diante da perenidade dos deuses.
Os deuses estão vingados. Através de Pandora destruíram a solidariedade entre eles, limitando o caminho vitorioso que percorreram até então. A conquista do fogo, que se fizera instrumento de transformação e progresso, passa a verter o seu lado destrutivo, que incendeia a alma humana.

Prometeu Acorrentado

Punida a humanidade, resta castigar Prometeu, que representava a consciência da humanidade e a libertação da sua mente intelectual. Zeus, mais uma vez, recorre à ajuda do artesão dos deuses, Hefestos. Pede ao divino obreiro que crie correntes que não se partam, a seguir, ordena-lhe que agrilhoe Prometeu ao cimo do monte Cáucaso. Hefestos obedece ao pai, acorrentando o Titã rebelde.
Aprisionado no monte Cáucaso, Prometeu sofre ainda, com uma águia enviada por Zeus, que lhe devora o fígado durante o dia. À noite, o órgão regenera-se, mas tão logo o sol nasce, começa a ser devorado novamente pela águia.
Prometeu vive acorrentado e a ter o fígado devorado pela águia por trinta anos. Mesmo diante de tanto sofrimento e dor, jamais pede perdão aos deuses. Sua maior dor é ver a humanidade que criara, degradar-se na sua efemeridade.
Um dia o oráculo diz a Zeus que uma terrível sorte está por se lhe abater em cima, e que só Prometeu poderia revelar-lhe que maldição seria aquela. O senhor dos deuses procura o Titã acorrentado, indaga-lhe sobre o segredo. Prometeu diz só revelá-lo quando for libertado. Sem alternativa, Zeus envia Héracles (Hércules) ao monte Cáucaso para libertar o Titã. Héracles mata a águia com uma flecha e liberta dos grilhões, o mais forte dos homens. Diante de Zeus, Prometeu revela-lhe que se esposasse a bela Tétis, o filho com ela gerado iria destroná-lo, assim como fizera com Cronos. Temeroso, Zeus entrega a bela nereida a Peleu.
Perdoado, Prometeu deseja voltar para o Olimpo, mas o castigo tirara-lhe a imortalidade, ele só poderia tê-la de volta se encontrasse um imortal que consentisse em trocar de destino com ele. O centauro Quirão, ferido pela flecha de Héracles, pede a Hades, deus dos mortos, que o deixe entrar no Érebo, consentindo em trocar a sua imortalidade com Prometeu.
Novamente imortal, Prometeu reconcilia-se com os deuses, voltando para o Olimpo, de onde observa a humanidade por ele criada, agora imperfeita, mas em paz com os deuses e com as suas limitações.

Os Mitos de Prometeu e Pandora

O mito criador de Prometeu reflete a preocupação do homem com as suas origens e diante da sua inteligência impar, que o difere do restante dos seres vivos da Terra. Prometeu era cultuado em Atenas nos altares erguidos na Academia, a famosa escola filosófica ateniense. Seus altares ficavam perto dos consagrados às Musas, às Graças, a Eros e a Héracles. Nas festas das lâmpadas, as Lampadodrimias, era venerado como divindade civilizadora ao lado de Atena e Hefestos.
Prometeu significa, em grego, “pensamento previdente”, por isto o mito é visto como o representante do despertar da consciência e princípio do pensamento intelectual do homem. É o reflexo da humanidade que se quer encaminhar para a perfeição, mas que se depara com os males e limitações da sua existência, reduzida ao nada da morte.
Pandora é a imagem da primeira mulher, vista de forma depreciativa por uma sociedade patriarcal. A mulher traria na sua essência todos os males do mundo, os homens, diante da sua sedução, perdem, assim como Adão, o paraíso e a inocência solidária. Pandora é um misto de Eva de Lilith, as primeiras mulheres da humanidade judaica. Assim como Lilith, traz os males do mundo, e como Eva, gera filhos imperfeitos, resultado da punição divina diante da ambição humana. Tanto Adão, como Epimeteu, ao acolherem a sedução da mulher, exercem totalmente o poder que têm da escolha diante da fatalidade e da rebelião.
 
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Terça-feira, 14 de Abril de 2009

HADES E PERSÉFONE - A PRIMAVERA ADORMECIDA

 

 

Hades (Plutão), ao lado dos irmãos Zeus (Júpiter) e Poseidon (Netuno), travaram uma longa guerra de dez anos contra o pai Cronos (Saturno) e os Titãs. Após a vitória dos três irmãos, uma nova ordem e poder estabeleceu-se sobre o mundo e os deuses, na partilha dessa nova ordem, coube a Zeus o reino do céu e da terra, a Poseidon o mar, e a Hades as profundezas da terra, conhecidas por Érebo, Infernos ou Hades. Se Zeus reina do Olimpo, ao lado de mais 11 deuses, Hades é o senhor absoluto do reino dos mortos, o décimo terceiro deus.
Hades tem como súditos os mortos, mas o seu domínio é a extensão final de todos os vivos, daí ser respeitado e venerado por eles. Reina taciturno nos subterrâneos, sendo auxiliado pelas criaturas infernais, que ao seu lado, mantêm a ordem e as sentenças nos reinos das trevas. Hades traz um capacete mágico, feito pelos Ciclopes, que o torna invisível diante dos deuses e dos vivos. Esta capacidade é a raiz da origem do seu nome, Hades em grego significa invisível.
O mito de Hades não gerou muitas lendas diretas, mas às criaturas adjacentes ao seu mundo. A lenda mais conhecida é a do seu amor por Perséfone (Prosérpina), movido por uma violenta e arrebatadora paixão que o faz raptar a jovem e levá-la da Terra para o subterrâneo do seu reino. No Érebo, o deus dos mortos faz de Perséfone a sua esposa, dividindo com ela o trono. A lenda do rapto de Perséfone, uma das mais belas da mitologia, retrata a origem da primavera sobre a terra. É o amor no mundo dos mortos estendo-se às belezas terrestres.

Hades e as Divindades Infernais

No princípio da civilização gregas, a representação do mundo dos mortos não trazia qualquer conotação de prêmio ou castigo para os seres humanos que findavam, o Érebo era descrito como uma vasta planície no subterrâneo da terra, onde os mortos vagueavam como sombras, desprovidos de sentimentos como a dor, a alegria e sem a inteligência da alma. O mundo dos mortos representava a apatia total e eterna sobre a vida. À medida que a civilização helênica evoluiu, criando as cidades estados, a sua organização trouxe a disciplina, a justiça e a ordem, elementos essenciais para a sobrevivência da vida coletiva. Esta organização não evita a morte, e ela passa a ser refletida na ordem dos vivos, e na recompensa que se tem de ser justo. Um novo conceito dos Infernos surge, e ele é dividido em dois lados separados pelo rio Aqueronte. De um lado está o Tártaro, lugar da expiação dos maus, onde os injustos pagam as suas culpas; do outro lado os Campos Elísios, conhecidos também como a ilha dos Bem-Aventurados, lugar no mundo das trevas onde os que foram bons em vida usufruem, depois de mortos, as recompensas das suas ações.
Se Zeus tem os deuses do Olimpo para governar sobre o céu e a terra, Poseidon tem as nereidas, as sereias, os tritões e outros seres marítimos para governar os mares e rios, também Hades tem as divindades infernais. Três juízes, Minos, Radamanto e Éaco, decidem em julgamento presidido pelo próprio Hades, de que lado dos Infernos habitará cada morto.
Caronte é o barqueiro que recebe os mortos quando chegam ao Érebo, cabe a ele, pelo pagamento de um óbolo, atravessar as almas pelo rio Aqueronte. O pagamento de Caronte é feito pela moeda que os parentes dos mortos punham na sua língua durante o funeral. Quem não levasse a moeda, os insepultos, ficariam vagando para sempre, às margens do rio, chorando.
O guardião dos portões do Hades é Cérbero, furioso cão negro de muitas cabeças, filho do monstro Tifão e de Equidina.
Tânatos (Morte) é o principal auxiliar de Hades. Tânatos é quem traz as almas, independente dos desígnios de Hades. A ele ninguém escapa. Tânatos é um deus grego, na mitologia romana a morte é uma deusa, Mors. Tânatos auxilia Hades, mas está ligado diretamente às vontades do Destino, deus de força superior aos próprios deuses. Quando o Destino marca a hora final de um ser vivo, Tânatos envia as Queres, divindades que se apoderam do mortal, golpeando-o e arrastando-o para o Érebo. Se o mortal era um assassino ou perjuro, cabe às Erínias ou Fúrias, três deusas negras, aladas, com cabeleiras de serpentes, ir buscá-lo no lugar da Queres.
Hades, apesar de todo o poder do seu reino, raramente interfere nos desígnios humanos ou dos deuses do Olimpo, a menos que por eles invocado, para que se cumpra a justiça da morte sobre a iniqüidade dos vivos. Hades quando invocado, abre o caminho para as maldições, findadas na tragédia da morte. Por ser um deus que vive debaixo da terra fértil, era visto como quem propiciava o desenvolver da semente plantada nos limites dos seus domínios, favorecendo a germinação e produtividade dessas. Esta veneração era feita principalmente pelos romanos, que identificaram Hades com Plutão, nome que significava “aquele que dá a abundância”. Para invocar Hades, eternamente invisível aos olhos humanos, os seus devotos batiam no chão com as mãos ou com varas.
Hades, ao lado de Perséfone e das divindades infernais, reina sob os mortos, não submergindo nunca ao reino dos vivos. Apesar do amor por Perséfone, é estéril, deste amor não nasce nenhum filho.

Hades e Perséfone, o Amor no Reino dos Mortos

Hades sempre fora um deus soturno, solitário e recolhido em si. Nascera da união entre Cronos e Réia (Cibele). Cronos, deus do tempo e rei dos deuses, temendo à profecia de que um dos filhos o iria destronar e aprisionar, devorou-o tão logo nasceu. Mais tarde, Hades foi vomitado pelo pai, depois que o irmão Zeus dera ao deus do tempo, uma porção mágica para ingerir. Saído das entranhas de Cronos, Hades lutou ao lado dos irmãos contra o reinado do pai. Após a vitória, coube a ele, por seu jeito taciturno e solitário, reinar sobre os mortos.
Hades mostrava-se imune ao amor de qualquer deusa ou de qualquer mortal. Seu frio coração irritava Afrodite (Vênus), deusa do amor, que sempre fizera deuses e mortais sucumbirem à sua arte. Hades continuava com o coração intacto e frio. Corria solitário todas as partes do Érebo, que governava energicamente. Um dia, Hades ouviu as varas que os humanos batiam sobre a terra, invocando-o com o sacrifício de duas cabras negras. Ao sentir o sangue quente dos animais molhar o chão, Hades pôs sobre a cabeça o capacete que o deixava invisível, submergindo das entranhas mais profundas da terra, até a superfície do mundo dos vivos, aceitando assim, o sacrifício.
Raramente o senhor dos mortos vinha ao mundo dos vivos. Na terra os campos eram eternamente floridos e cobertos de frutos. Hades caminhava invisível, por onde passava, trazia um vento frio que soprava sobre os humanos, fazendo-os arrepiar e a invocar proteção aos deuses do Olimpo. Caminhando solitário, Hades avistou ao longe, no meio do bosque florido, a mais bela jovem que os seus olhos já tinham contemplado. Era Core. Com o coração a bater como nunca sentira dantes, o frio senhor dos mortos viu emergir de dentro dele um estranho e implacável calor. Invisível, aproximou-se de Core e das amigas. Carinhosamente soprou em seus ouvidos. Core sentiu aquele estranho sopro. Enquanto as amigas arrepiaram-se de temor, a jovem arrepiou-se acometida de uma ternura infinita.
Core sorriu, de repente, o que fez com
que Hades se mostrasse visível aos seus olhos. A bela jovem viu surgir à frente o rosto daquele deus forte, olhar grave, de sorriso escorrido e gestos austeros. Apaixonado, Hades cobriu o cabelo de Core com as violetas que colhera no bosque. Revelou-lhe o amor e o desejo de fazê-la a sua esposa eterna. Core ouviu a declaração de Hades, mas nada respondeu, precisava consultar a mãe, a deusa Deméter (Ceres), e o pai, o poderoso Zeus.
Mas o imprevisto aconteceu, Deméter, deusa da agricultura e dos alimentos, sabia que o reino de Hades, o seu irmão, era nas profundezas da terra. Decidiu que não se iria separar da filha, proibindo que ela desposasse o senhor da escuridão.
Hades ficou inconsolável. Subiu ao Olimpo e pediu a ajuda do irmão Zeus. Estava perdidamente apaixonado por Core, já não conseguia viver sem ela. Zeus ouviu o irmão, como sabia da recusa de Deméter em deixar a filha partir para o Érebo, aconselhou a Hades que esperasse algum tempo, para convencer a deusa da agricultura a aceitar o casamento da filha.
Algum tempo se passou, mas Deméter não removeu a recusa. Proibiu definitivamente que Hades cortejasse a filha. Diante da dor causada pelos obstáculos impostos por Deméter, Hades não desistiu, fortaleceu ainda mais o amor que trazia dentro de si. Perdido de paixão, subiu à Terra, disposto a ter definitivamente, o amor da bela Core, mesmo sem a permissão de Deméter.
Hades foi encontrar Core a passear pelo vale de Ena, que trazia em sua paisagem a beleza da eterna primavera. A bela colhia os lírios e as violetas às margens do lago de água cristalina. De repente surgiu o mais belo dos narcisos à beira do lago, de uma cor tão reluzente que encantou Core. Como se hipnotizada pela flor, ela debruçou-se sobre o lago para pegá-lo. Foi quando a terra abriu-se em um imenso abismo de escuridão, dele emergindo um carro de ouro puxado por cavalos, conduzidos pelo próprio Hades. Num impulso rápido e certeiro, o senhor do Érebo arrebatou a frágil e bela Core. Assustada, a jovem lançou um grande grito que ecoou pelos campos, enquanto o carro de ouro a conduzia até o Tártaro.
Deméter ouviu o grito da filha. Correu em seu auxílio, mas quando chegou, viu a terra fechar-se e ela desaparecer nas profundezas do mundo dos mortos. Desesperada, a deusa procura pela filha. Ninguém no Olimpo sabe o que lhe aconteceu. Quem lhe alivia a falta de notícias é Hélios (Sol), que tudo vê, revelando à deusa que Hades tinha raptado Core. Zeus confirma o rapto. Revela à deusa que Core ao cruzar as fronteiras dos Infernos, tornara-se a esposa de Hades, e como rainha do Érebo, passou a chamar-se Perséfone (Prosérpina). Sem poder atravessar as fronteiras do Érebo em socorro da filha, indignada com Zeus e Hades, Deméter abandou o Olimpo, indo viver com os homens da terra. Abandonou os campos e as plantações, deixando de proteger as colheitas. A primavera eterna desapareceu da terra, levando-a ao inverno e à fome.
Zeus viu a fome assolar a humanidade. Interviu diante de Deméter, mas a deusa só voltaria a proteger a agricultura e aos campos se tivesse a filha de volta. À face da catástrofe que se abatia sobre o mundo, Zeus enviou Hermes (Mercúrio), ao reino de Hades, com a ordem de que ele devolvesse Perséfone à mãe, para evitar que a humanidade faminta, rebelasse-se contra o poder dos deuses.
Hades não se contentou em perder a amada. Mas não poderia desobedecer a ordem de Zeus. Chamou Perséfone à sua presença. Olhou com paixão para a esposa. Diz a ela que deverá acompanhar Hermes até o mundo dos vivos, sendo devolvida à mãe. Triste, beija a face da amada. Em um último ardil, oferece-lhe uma saborosa romã como lembrança do seu amor. Perséfone come a fruta, sem saber da regra que estabelecia: quem comesse qualquer fruto no Tártaro a ele teria que retornar. Perséfone despediu-se do marido, regressando ao mundo dos vivos.
Deméter recebeu a filha com alegria. Os campos voltaram a florir. Ao abraçar a filha, a deusa lembrou-se de perguntar se ela havia comido alguma fruta no Tártaro, ao que a jovem respondeu afirmativamente, comera o bago de uma romã. A deusa desolou-se, sabia que a filha teria que voltar ao Tártaro todos os anos. Diante do ardil, ficou estabelecido por Zeus que Perséfone passaria uma parte do ano ao lado do marido, reinando no Érebo, outra parte ao lado da mãe, na terra e no Olimpo. Assim, durante o tempo que Perséfone despede-se da mãe e retoma o caminho do Érebo, a deusa recolhe-se à tristeza da sua saudade. Em conseqüência dessa tristeza, as árvores perdem as folhas e as flores, os campos ficam sem as plantas, o inverno invade a terra com o seu vento frio e cortante, deixando-a desolada e coberta pelo gelo. Quando Perséfone retorna aos braços da mãe, alegrando-lhe o coração, as folhas voltam verdes às arvores, as flores invadem os campos, trazendo a primavera novamente ao mundo.
 
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Segunda-feira, 9 de Março de 2009

EROS E PSIQUÊ, ENCONTRO DO AMOR COM A ALMA

 

 

Por representar o princípio universal que liga os homens e o universo, o mito de Eros, o amor, tem várias versões apresentadas. Se Afrodite (Vênus) é a deusa do amor, Eros é o próprio amor, a essência do sentimento criador de toda a vida, força poderosa que não se tem domínio, muito menos origem, visto que ele é o próprio princípio de tudo. Eros é um deus ordenador que surgiu do Caos, definindo e harmonizando o universo, trazendo paz a ele, mas mantendo aceso o fogo do conflito. É da sua inteligência voluntariosa que os deuses e os mortais são gerados.
Eros não faz parte do conselho dos deuses do Olimpo, tão pouco se sabe ao certo, a qual geração de deuses ele pertence, mas a sua influência é mais poderosa do que a do próprio Zeus (Júpiter), visto que o amor muda o destino até do poderoso pai dos deuses. A origem de Eros é contada pelas mais diversas lendas dentro da mitologia grega. Nos primórdios do povo helênico, o deus era cultuado em Tépsias, na Beócia, onde nasceu o poeta Hesíodo. Era cultuado apenas como deus fecundador do gado e deus dos matrimônios. Hesíodo, no século VII a.C., daria ao mito a dimensão universal do amor.
Às vezes tido como filho de Zeus e Afrodite, de Poros (Recurso) e Pênia (Pobreza), da Noite e da Luz, de Zéfiro e Íris, ou ainda de Afrodite e de Ares (Marte), a sua origem é sempre repleta de um grande significado alegórico. O Amor era tido sempre como filho de duas forças antagônicas, ou seja, Afrodite e Ares, ela deusa do amor e da beleza, ele o deus da guerra e do horror. Ou da Noite e da Luz. Não importa a origem, o importante é a alegoria simbólica em torno do amor, princípio de todo o universo.

As Várias Lendas das Origens de Eros

Afinal de qual geração dos deuses nasceu Eros? Se os povos primitivos da Grécia não lhe atribuíam uma árvore genealógica, considerando-o filho do mistério e do infinito, cabe aos poetas e filósofos dar pais ao mito. Para Hesíodo Eros é uma divindade primordial, que surgiu logo depois do Caos, no mesmo instante que surgiu Gaia (Terra). Como o amor é fundamental para o princípio de todas as criações, Hesíodo, em sua obra Teogonia, põe o nascimento de Eros primeiro que o de todos os outros deuses, ele é filho do próprio Caos, e virá, ao lado da força procriadora de Gaia, harmonizar e povoar o universo.
Para o filósofo Parmênides de Eléia (século VI a.C.), Eros é filho de dois princípios contrários, da Luz e da Noite, o que proporcionaria a todas as coisas um equilíbrio mesclado pelas diferenças, antagônicos e fundamentais um ao outro.
Em O Banquete, Platão descreve Eros como filho de Pênia, a Pobreza e de Poros, o Recurso. Na festa que o Olimpo dava para comemorar o nascimento de Afrodite, Pênia decide unir-se a Poros, ao encontrá-lo embriagado. Em um canto do Olimpo, entrega-se a ele. Da união entre a pobreza e o recurso nasceria Eros, o amor. Gerado no dia do nascimento de Afrodite, a deusa da beleza, Eros será para sempre, companheiro e servo da beleza. Eros traz para si a dualidade dos pais, de Poros herda a decisão e a coragem, ávido do belo e do bom; de Pênia herda a carência perene e o destino andarilho. Eros, o amor, germina e vive quando enriquece, morre e renasce quando tudo parece perdido.
Alceu, poeta lírico do século VII a.C., descreve Eros como filho nascido de Zéfiro e de Íris, sendo o mais temido dos deuses. Eurípides (480?-406 a.C.), descreve Eros como um deus dúbio, que quando usa o seu poder moderadamente, leva os homens e os deuses à virtude, ou, quando usa toda força do seu poder, levo-os perniciosamente à ruína.
Aristófanes (448?-388? a.C.) descreve um Eros dotado de asas de ouro, veloz como o vento. É a partir dessa figura alada de Eros, que na época alexandrina, passa a ser descrito como um menino travesso, portando flechas e asas, que a todos atinge com as suas setas. Eros passa a ser o inconseqüente Cupido, em muitas versões, filho de Afrodite e Ares, ou de Afrodite e Hermes (Mercúrio).
A mais famosa versão sobre o mito de Eros é a do poeta romano Apuleio, do século II d.C., que criou a história de Eros e Psiquê, a Alma. É este relato belíssimo, romântico, épico, de profundo significado alegórico, onde só o amor pode fazer a alma feliz, que será contado a seguir. Eros e Psiquê, o Amor e a Alma, encontro do princípio universal que rege o mundo.

O Amor Apaixona-se Pela Alma

Em um dos muitos templos gregos dedicados a Afrodite, um mortal comentou que uma das filhas do rei era mais bela do que a própria deusa do amor. Tratava-se da princesa Psiquê (Alma). Logo o boato da sua formosura espalhou-se por toda a Grécia. Homens de todas as partes vinham para contemplar a beleza da mortal, abandonando de vez o templo de Afrodite.
Ao saber do abandono do seu templo às ruínas, em prol da beleza de uma simples mortal, Afrodite é acometida de uma violenta cólera e desejo de vingança. Decide que a princesa Psiquê, responsável pelo desvio dos homens, deverá ser punida. A deusa pede ao filho Eros, que vá até a mortal, que com a suas flechas do amor, fira-a de maneira que se apaixone pelo ser mais desprezível de toda a Grécia, fazendo-a uma mulher infeliz.
Eros desce do Olimpo, com a perversa missão de envolver Psiquê na mais triste e destruidora das paixões. Mas Eros, ao deparar-se com mulher tão bela, é ferido pelas próprias setas, apaixonando-se perdidamente por ela. Vencido pelo sentimento inesperado, Eros volta ao Olimpo, mentindo para a mãe, dizendo à deusa que cumprira a missão. Afrodite sente-se vingada.
Apaixonado pela bela princesa, Eros não sabe como viver o seu amor por ela sem que a mãe fique sabendo. Envolto pela paixão, ele confessa os sentimentos ao deus Apolo, que promete ajudá-lo.
De longe, Eros faz com que a amada não goste de mais ninguém. Apesar de ser a mais bela das três irmãs, Psiquê não se apaixona por pretendente algum. Vê as irmãs desposarem homens ricos, mas não se convence a amar ninguém. Ela não sabe da existência do amor de Eros, mas pressente-o. A alma sente o amor invisível e próximo, e mesmo sem o conhecer ou ver, aguarda e chama por ele. A princesa torna-se prisioneira de uma solidão voluntária.
Preocupados com o destino da filha, os pais procuram o oráculo de Apolo. Ali vem a revelação: Psiquê deverá ser vestida em trajes de núpcias, depois conduzida para o alto de uma colina, aonde um terrível monstro, mais poderoso que os próprios deuses do Olimpo, virá buscá-la e fazê-la a sua esposa.
Diante de tão terrível revelação, os pais de Psiquê levam a filha ao local ordenado pelos deuses. Aos prantos e protestos das irmãs, Psiquê é deixada sozinha no local indicado pelo oráculo. Corajosamente espera que se cumpra o seu destino. Espera por horas que lhe venha buscar o monstro que se tornará o seu marido.

O Amor Não Vive Sem Confiança

Sozinha, Psiquê espera pelo monstro que a irá desposar. Cansada da espera, a princesa adormeceu. Zéfiro, o vento suave, transportou a bela princesa adormecida para um bosque cheio de flores.
Quando Psiquê despertou, viu à sua volta, um riacho de águas límpidas, as mais belas flores, e um imenso e imponente castelo. De repente, uma voz quente e agradável convidou a princesa para entrar no castelo. Conduzida pela voz, ela percorre várias salas e corredores. Pára em uma sala, envolvida por uma música suave. Senta-se à mesa, aonde um farto jantar a espera. Não vê ninguém. Aparentemente está sozinha, mas sente-se observada.
Assim, solitária, após alimentar-se e a banhar-se, vê a noite chegar. Recolhe-se ao leito e espera que o terrível monstro venha fazê-la sua esposa. Protegido pela escuridão, Eros aproxima-se da bela princesa. Envolve-a em ternas carícias, tomando-a para si de forma ardente. Nos braços quentes do amante, Psiquê sente-se tranqüila, dissipa-se o medo. Não lhe vê o rosto, mas sente-lhe o corpo viril e apaixonado. Psiquê sente-se feliz como nunca ousara ser.
Assim passaram-se os dias. Psiquê recebe todas as noites a visita ardente do amado. Não tem medo dele, pelo contrário, mesmo sem ver-lhe o rosto, ama-o cada vez mais. No imenso castelo não há mais vestígios da solidão, do medo ou dos conflitos dos sentimentos. No meio daquela felicidade, Eros fez a mulher jurar que jamais lhe veria o rosto, teria que confiar apenas no seu amor. Apaixonada, não foi difícil para Psiquê fazer o juramento.
A bela mulher viveu feliz até o dia que pediu a Eros para que pudesse receber as irmãs no castelo, pois as pobres mulheres viviam atormentadas com o triste destino que pensaram, tinha ela seguido. Eros, mesmo contrariado, permitiu que as cunhadas visitassem a mulher. Quando as duas irmãs encontraram Psiquê tão feliz, baniram imediatamente dos seus corações, a tristeza pelo destino da irmã. Sucederam-se outras visitas. A cada uma delas, as princesas viam a irmã mais feliz. Esta felicidade passou a incomodá-las profundamente. Tanto, que passaram a pôr dúvidas no coração de Psiquê. Como poderia saber quem dormia ao seu lado, se nunca lhe tinha visto o rosto? E se fosse o mais terrível dos monstros? Afinal o oráculo de Apolo previra que ele seria um monstro. E se esse monstro a matasse um dia? Apesar de garantir às irmãs que o marido não lhe parecia um monstro, elas perguntava-lhe se ele era belo e jovem, por que não lhe mostrava o rosto?
A cada visita das irmãs, uma nova dúvida era posta na mente de Psiquê, até que ela deixou o veneno da desconfiança tomar-lhe o coração. Orientada pelas irmãs, Psiquê deveria preparar uma faca afiada e uma lâmpada de azeite, esperar que o marido adormecesse, iluminasse a sua face com a lâmpada, se fosse um monstro, matá-lo com a faca. Invadida pela dúvida, assim agiu a atormentada princesa. Após uma longa noite de amor, Eros adormeceu exausto. Psiquê aproveitou o sono do amado, para acender a lâmpada e ver o seu rosto. Quando a luz iluminou a face do amante, Psiquê pôde contemplar não um monstro, mas o mais belo de todos os deuses, o belo filho de Afrodite! Emocionada, lágrimas rolaram pelo rosto da mulher. Sentia-se culpada por ter quebrado a promessa que fizera ao marido. Sem querer, Psiquê entornou o azeite quente da lâmpada nas costas de Eros. O deus do amor acordou com a dor que lhe causara o azeite. Viu o seu rosto iluminado por Psiquê, percebendo o que se tinha sucedido. Triste, Eros levantou-se e partiu, deixando a mulher. Psiquê ainda correu atrás do marido, mas ouviu-lhe a voz, ao longe, a dizer-lhe:
“O Amor não vive sem confiança.”

A Alma Sacrifica-se Pelo Amor

Eros recolheu-se no castelo de Afrodite, para que ela lhe curasse a ferida feita nas costas. Ao saber da verdade, do amor do filho pela mortal, a deusa sentiu-se traída, jurando que Psiquê jamais viria o filho outra vez.
Abandonada por Eros, Psiquê percorreu todos os oráculos da Grécia, a procura do paradeiro do amado. Mas todos os deuses, temendo à fúria de Afrodite, nada revelaram à bela princesa. Por fim, Psiquê decidiu buscar a ajuda da própria Afrodite. Foi recebida com escárnio pela deusa do amor. Para dar notícias do filho, Afrodite impôs à triste mulher, várias tarefas impossíveis de serem cumpridas. A primeira foi a de que, até o fim do dia, Psiquê trouxesse um grande número de grãos de todas as sementes do mundo. A infeliz mulher saiu desesperada em busca dos grãos. Ao ver quão impossível era a tarefa para uma mortal, os deuses do Olimpo ficaram comovidos. Apolo ordenou às formigas que juntassem os grãos em volta da princesa. Assim, após a fadiga da tarefa, Psiquê cumpriu o que lhe ordenara a deusa da beleza.
Afrodite ficou furiosa, pois tinha certeza que Psiquê fora ajudada. Como punição, fez com que ela, a partir daquele dia, passasse a dormir no chão frio, sem qualquer proteção, e como alimento, teria apenas a côdea de um pão duro e velho, para que assim, definhasse e perdesse a beleza. Psiquê submeteu-se sem pestanejar, a mais esta prova.
Sucessivas e perigosas tarefas foram impostas por Afrodite à pobre Psiquê, que cumpriu obstinada a cada uma delas, sempre ajudada pela compaixão dos deuses, que veladamente vinham em socorro da apaixonada princesa.
Por fim, Afrodite ordenou que Psiquê fosse ao Hades, o mundo dos mortos, e pedisse a rainha daquele reino, Perséfone (Prosérpina), que pusesse numa caixa um pouco da sua beleza, para que se recuperasse a deusa do amor das longas noites de vigília a cuidar da ferida do filho. Psiquê levou dias para descobrir o caminho dos infernos. Com perseverança, contou com a ajuda de todos aqueles que lhe cruzavam o caminho. Comovida com o sofrimento da jovem, Perséfone, a rainha dos infernos, entregou a caixa da beleza a ela, para que a levasse até Afrodite.
Quando voltou ao mundo dos vivos, Psiquê sentiu-se esgotada. Olhou-se em uma fonte. Estava fraca, envelhecida, perdera a beleza. Pensou que Eros jamais voltaria a olhar para ela vendo-a daquele jeito. Atormentada por esta idéia, Psiquê decidiu não cumprir aquela tarefa imposta por Afrodite. Abriu a caixa que trazia um pouco da beleza de Perséfone, para que pudesse recuperar um pouco da sua, pensando assim, evitar que Eros a abandonasse quando a visse outra vez. Ao abrir a caixa, uma grande maldição pousou sobre a infeliz princesa, que foi acometida de um sono profundo, caindo adormecida sobre as flores do bosque.
Recuperado da ferida, Eros fugiu à vigilância de Afrodite, decidido a procurar pelo amor perdido. O deus encontrou Psiquê adormecida no bosque, ao lado de uma fonte. Aproximou-se dela, aprisionando o sono da morte que a envolvia, dentro da caixa de Perséfone. Depois tocou a amada com uma das suas flechas de ouro, fazendo com que despertasse. Ao ver novamente o rosto do amado, Psiquê sorriu-lhe emocionada, atirando-se nos seus braços. Ao saber de todos os sacrifícios que ela fizera pelo seu amor, Eros decidiu desposá-la para sempre. Pediu a Zeus que tornasse a mulher imortal. O senhor do Olimpo atendeu ao pedido do deus, dando ele mesmo a ambrosia da imortalidade para que a bela jovem bebesse. Quando Afrodite quis impedir a união do filho, já era tarde. Psiquê tornara-se imortal, e já nada se poderia fazer contra ela. O Amor cobiçara a mortalidade da Alma, apaixonando-se por ela, fazendo-a imortal. Amor e Alma estavam unidos para sempre, imortais que eram, só um poderia fazer o outro feliz e completo. Da união dos dois nasceu a Volúpia.
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Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2009

RETRATOS DE VÊNUS, POR SANDRO BOTTICELLI

 

 

O mito grego de Afrodite, ou Vênus para os romanos, por ter sido eleita a mais bela das deusas, a deusa do amor e da paixão humana, teve diversas representações nas artes através dos séculos. Das esculturas clássicas às pinturas renascentistas, passando pelo expressionismo, Vênus adquiriu vários rostos, vários corpos, mas nenhum foi mais famoso do que a Vênus de Sandro Botticelli, retratada na sua obra mais famosa, “O Nascimento de Vênus”. A imagem nua da sua Vênus de cabelos dourados, emergindo do mar sobre uma concha, correu o mundo e o imaginário das pessoas. Famosa como a Mona Lisa de Leonardo da Vinci, ou o David de Michelangelo, a Vênus nua não foi o único retrato da deusa feita por Botticelli. Outras grandes pinturas não menos famosas, “A Primavera” e “Vênus e Marte”, trazem uma Vênus vestida, menos sensual e com características menos profanas, como no caso do primeiro quadro. Seja qual for o retrato de Vênus que saiu das pinceladas de Botticelli, elas trazem a beleza do renascimento italiano, impregnada pela visão do neoplatonismo.
Aqui os três retratos da deusa do amor na criação de Sandro Botticelli: “A Primavera”, “O Nascimento de Vênus” e “Vênus e Marte”. Nas três obras, Vênus eterniza-se com os seus cabelos longos e dourados, mostrando que o mito foi além da imaginação humana, traduzido na beleza da arte e de um grande artista.

A Primavera

Obra de temática profana mitológica clássica, que com símbolos das divindades pagãs, apresenta-nos a chegada da estação que abre o círculo da vida e da sua renovação, ou seja, a primavera. Na concepção mitológica, Vênus, deusa do amor dos humanos e dos deuses, é a responsável pelo desejo da água, que tudo fecunda e renova. No quadro de Botticelli, Vênus aparece no centro da obra, mas não sendo a principal personagem da pintura. A deusa é representada de forma discreta, trazendo vestimentas recatadas. Esta discrição de Vênus remete-nos a uma compreensão que nesta obra, o artista condensa a representação pagã de Vênus às imagens renascentistas da virgem Maria. Vênus traz gestos nas mãos, como uma madona a abençoar o mundo. À sua cabeça a figura do anjo é substituída pela de Cupido, que com os olhos vendados, aponta a sua seta para a três Graças, que estão do lado esquerdo da deusa do amor.
Quando descortinamos a obra a partir da figura de Aglaia, Tália e Eufrósine, as três Graças, é que começamos a encontrar traços precisos da filosofia neoplatônica. As Graças surgem profanas, virginais, sensuais, trajando vestes transparentes, harmonizando a beleza das cores primaveris, pulsantes pela intervenção dos corpos humanos. Mais a ocidente do quadro está Mercúrio (Hermes), o mensageiro dos deuses, com suas sandálias aladas, trazendo uma túnica vermelha, exaltando-lhe a virilidade. Mercúrio dissipa as nuvens, rompendo com a tristeza do inverno, trazendo o sol de primavera.
Quando voltamos para a direita de Vênus, vamos encontrar Flora, a deusa das florestas e das flores. Flora traja roupas floris, das roupas a deusa espalha as flores pelos campos. Flora é a única personagem da obra a olhar diretamente para o observador, como se fosse atirar as flores além daquela paisagem, colorindo quem contempla a obra.
Ao oriente da obra surge Zéfiro, o vento do oeste. Zéfiro na mitologia é personificado como um vento agradável, uma brisa suave, é ele o mais suave de todos os ventos, o mensageiro da primavera. Zéfiro, retratado aqui como um ser esverdeado, abraça a bela ninfa Clóris. Na mitologia romana Flora é a mulher de Zéfiro, na mitologia grega ela é identificada com Clóris, uma das Alseídas, ninfa das flores. Conta a lenda que Zéfiros viu Clóris num dia de primavera, apaixonou-se fulminantemente por ela, raptando-a. Do amor de Zéfiro e Clóris nasceu Carpo, o deus dos frutos. É no abraço (ou rapto) de Zéfiro a Clóris que termina a obra de Botticelli. Ou começa, conforme o olhar de quem a contempla.

A Primavera
Sandro Botticelli (cerca de 1477-78)
Têmpera sobre madeira, 203 x 314 cm
Galeria Uffizi, Florença

O Nascimento de Vênus

Se em “A Primavera” a figura de Vênus surge recatada, quase como uma virgem católica, na obra mais conhecida de Sandro Botticelli, “O Nascimento de Vênus”, a deusa do amor é retratada nua, absoluta, sensual, totalmente profana, como o seu mito eterno.
Vênus nasceu da espuma do mar. Quando Saturno (Cronos) cortou os testículos do pai, Céu (Urano), destronando-o, atirou-os ao mar. Dos testículos amputados de Urano, uma grande espuma foi formada no mar, de onde nascia Vênus, ou Afrodite, a mais bela de todas as deusas.
É este momento sublime, o nascimento da deusa do amor, que nos retrata a bela obra de Botticelli. Ao nascer no meio do mar, Vênus é amparada por uma grande concha de madrepérolas. Uma Vênus nua, de cabelos longos e dourados, é apresentada no centro da obra, com todo o seu esplendor. Delicadamente, com uma das mãos cobre um dos seios, e com a outra mão, conduz a longa cabeleira dourada a esconder-lhe o sexo divino. Vênus aparece nua e a insinuar a nudez, sutilmente coberta, pronta para ser revelada.
Zéfiro surge à esquerda de Vênus, abraçado à sua eterna companheira, a ninfa das flores, Clóris. Cabe ao vento do oeste soprar a bela deusa para a ilha de Chipre. Clóris sopra sobre a deusa singela e belas violetas. Á esquerda, já na ilha de Chipre, está uma das Horas, que prepara uma túnica imortal para cobrir a deusa do amor.
O Nascimento de Vênus” é ao lado da estátua da Vênus de Milo, a representação mais conhecida do mito de Vênus-Afrodite. Tornou-se uma das obras mais difundidas nos tempos atuais, eternizando o seu criador. É um dos ícones mais representativo do Renascimento.
 


O Nascimento de Vênus
Sandro Botticelli (cerca de 1485)
Têmpera sobre tela, 1,72.5 x 2,78.5 cm
Galeria Uffizi, Florença

Vênus e Marte

O mito de Vênus está ligado ao seu casamento com Vulcano (Hefestos), deus dos vulcões e do fogo, que em um ato de vingança contra a mãe Juno (Hera), aprisionara-a a um trono de ouro. Vulcano exigiu como condição para soltar a mulher de Júpiter (Zeus), que lhe fosse oferecida Vênus em casamento. A deusa nunca aceitou o amor do marido, traindo-o com deuses e mortais. Dos amores adúlteros de Vênus, o mais famoso é o que viveu com Marte (Ares), o deus da guerra.
É o contraste da paixão entre a doçura passional da deusa do amor e a fúria, também ela passional, do deus da guerra, que Botticelli mostra nesta sua obra. “Vênus e Marte” é o momento lúdico de descanso e paz dos amantes após o ato do amor. O repouso traz uma paz passageira, harmoniosa.
Depois da nudez de Vênus em “O Nascimento de Vênus”, Botticelli traz aqui a deusa vestida, desta vez com um peplo debruado com passamanaria de ouro. Em contraste com Vênus, Marte é desnudado, tendo a virilidade coberta por um sutil manto branco. Vênus, debruçada sobre uma almofada, contempla o amante com calma de quem ama, enquanto ele dorme, exausto pela volúpia da paixão, sobre a suas armadura e despojos de guerra.
Entre os amantes surgem os Sátiros, deuses das florestas, de volúpia incontrolável, que aqui aparecem representados como crianças. Um dos sátiros tenta acordar o deus da guerra, soprando-lhe o ouvido com uma concha. Um outro entra na armadura do deus da guerra, e dois deles carregam o elmo e a lança, como se os escondesse. Nenhum dos quatro sátiros perturbam a deusa do amor.
O quadro contrasta a nudez de Marte com as vestes delicadas e sensuais de Vênus. Ambos repousam em uma clareira formada por mirtos, trazendo uma suavidade ao quadro, harmonizando a paixão e o amor, a guerra e a paz, duas vertentes indissociáveis dos mitos dos deuses.
 

Vênus e Marte
Sandro Botticelli (cerca de 1483)
Têmpera sobre madeira, 69,2 x 173,4 cm
National Gallery, Londres

Sandro Botticelli

Alessandro di Mariano Filipepi, passou para a história da arte como Sandro Botticelli. Nascido em Florença, em 1 de março de 1445, época de transição do fim da Baixa Idade Média e o Renascimento. Tinha pouco mais de dez anos quando entrou para o atelier de Filippo Lippi, de quem recebeu influências no estilo elegante de criar as suas obras. Botticelli foi também, ajudante de Andrea Del Verrochio que, ao lado de Piero Pollaiuolo, influenciariam as suas obras.
Botticelli aos 25 anos, já tinha o seu próprio atelier em Florença. Por volta de 1477 pintou, para enfeitar a residência dos Médici, uma das suas obras mais conhecida, “A Primavera”, de temática mitológica, trazendo os deuses Vênus e Mercúrio no centro da temática.
No ano de 1481 foi chamado a Roma pelo papa Sisto IV, para trabalhar ao lado de outros artistas, na decoração da capela Sistina. Ali realizou dois episódios da vida de Moisés: “As Provações de Moisés” e “O Castigo dos Rebeldes”, além de “A Tentação de Cristo”.
O artista voltaria à Florença para trabalhar para a família Médici, fazendo parte do círculo neoplatônico impulsionado por Lorenzo de Médici, o Magnífico. É desta época as suas obras mais famosas: “O Nascimento de Vênus”, de cerca de 1485, além de “Marte e Vênus” e “Minerva e o Centauro”, obras que traziam, novamente, uma temática profana mitológica.
Por volta de 1491 a 1498, Florença foi assolada pelo poder conservador do dominicano Girolamo Savonarola, que com a morte de Lorenzo, o Magnífico, perseguiria os Médici, e condenaria às obras profanas. Sandro Botticelli vê a sua obra afetada pela perseguição de Savonarola, desaparecendo dela a temática mitológica, dando passagem para criações de devoções religiosas e atormentadas. É desta época "A Calúnia de Apelles".
Quando Sandro Botticelli morreu, em 17 de maio de 1510, já Savonarela tinha sido queimado na fogueira por ter ousado confrontar o Vaticano, e os reinos da Itália viviam a plenitude estética do Renascimento. A obra de Sandro Botticelli, devido a sua rara beleza estética, faz parte desse renascimento, pode ser dividida em duas: de temática profana mitológica e de temática devota religiosa.

Principais Obras de Botticelli

O Nascimento de Vênus
A Primavera
A Adoração dos Magos
O Castigo dos Rebeldes
A Tentação de Cristo
Retrato de Dante Alighieri
Nastagio Degli Onesti
A Coroação da Virgem
O Inferno de Dante
A Virgem Escrevendo o Magnificat
A Virgem de Granada
Virgem Com o Menino e Dois Anjos
As Provações de Moisés
Minerva e o Centauro
Marte e Vênus
Retrato de Giuliano de Médici
A Calúnia de Apelles

 
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Segunda-feira, 29 de Dezembro de 2008

OS MESES DO ANO - JUNHO

 

 
Junho é o mês do primeiro solstício do ano, trazendo a estação quente ao hemisfério boreal e a fria ao hemisfério austral. Quando o Sol atingir o ponto mais ao norte da sua trajetória, a partir do dia 21 de Junho, teremos o solstício, que trará o dia mais longo do ano no hemisfério norte, iniciando o verão, e o menor dia do ano no hemisfério sul, iniciando o inverno.
Sexto mês do ano do calendário gregoriano, com 30 dias, Junho tem o seu nome derivado da deusa Juno, rainha dos deuses, mulher do poderoso Júpiter. Juno corresponde à deusa Hera da mitologia grega. Juno era a deusa que protegia a mulher casada e às suas obrigações seculares. Além de proteger o casamento, a deusa protegia e fortalecia o feto, protegia a mulher na hora do parto, aliviando-a. Por este motivo, Junho tradicionalmente, é tido como o mês ideal para realizar bons casamentos.
Marcando o fim da primavera ou do outono, Junho começa o seu ponto astrológico com sinal em Gêmeos e termina com sinal em Câncer. É o último mês do calendário gregoriano que tem o nome derivado de algum deus mitológico.

Juno, a Divindade Protetora da Mulher e do Casamento

O mito de Hera, a rainha do Olimpo, esposa ciumenta de Zeus, foi assimilado pelos romanos ao mito de Juno. Na Grécia a fiel deusa protegia o casamento e a sua estabilidade. Em Roma Juno assume um caráter menos humano, tornando-se mais divindade, perdendo as características vingativas e ciumentas de Hera, para ser a mãe protetora do lar e da mulher.
A deusa é filha de Saturno e Cibele, irmã e esposa de Júpiter. Quando a fusão do mito de Hera e de Juno acontece na Roma antiga, dá origem a vários epítetos da deusa: Juno Lucetia, divindade protetora da essência feminina e dos seus problemas gerais; Juno Pronuba era a regente dos casamentos; Juno Domiduca era quem conduzia a virgem para a casa do esposo; Juno Lucina era a deusa das mulheres grávidas e do parto, que auxiliava a criança a nascer; Juno Ossipagina fortificava o feto; Juno Rumina fazia com que a mãe tivesse leite farto para nutrir o recém-nascido; Juno Populonia era a deusa que multiplicava os povos; e, por fim, Juno Sospita, invocada na hora do parto para aliviar a mãe do peso da criança.
Assim como a Hera grega, Juno era a personificação do elemento fundamental da família, cultuada principalmente pelas mulheres, representava a fidelidade e as boas relações entre os casais. Era a deusa do amor conjugal. O culto de Juno em Roma, tinha como festa principal a Matronalia, realizada no mês de fevereiro, após uma homenagem na floresta do Palatino. Na Matronalia a mulher-mãe comum era a homenageada, recebendo presentes do marido e dos filhos. A Matronalia é tida por muitos, como a festa que deu origem ao Dia das Mães.

Junhos na História do Mundo

01 de Junho
1920 – Inaugurada, em Berlim, Alemanha, a primeira exposição de dadaísmo no mundo (na foto, dadaísmo, Lovesick, George Grosz, 1916, óleo sobre tela).
1946 – Preso e fuzilado em Bucareste, o ditador romeno Ion Antonescu, executado como criminoso de guerra e aliado dos nazistas.
2001 – Dipendra, príncipe herdeiro do trono do Nepal, comete suicídio após assassinar os pais e vários membros da família real.

02 de Junho
1882 – Morre em uma ilha italiana, Giuseppe Garibaldi, herói responsável pela unificação da Itália.
1949 – Após anexar a parte oriental da Palestina (Cisjordânia), a Transjordânia passa a denominar-se oficialmente Jordânia,
1953 – Coroação de Elizabeth II como rainha do Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte, na Abadia de Westminster.

03 de Junho
1926 – Em Portugal é estabelecido um regime militar e, António de Oliveira Salazar é nomeado pela primeira vez, ministro das finanças.
1963 – Morre o papa João XXIII.
1989 – Morre o líder político e espiritual iraniano, o aiatolá Khomeini.

04 de Junho
1902 – Aberto no Louvre, em Paris, o Museu de Artes Decorativas.
1989 – Dezenas de mortos e centenas de feridos na Praça de Tiananmen, em Pequim, após o exército chinês disparar contra uma multidão de manifestantes.
1992 – Líderes de 180 nações encontram-se no Rio de Janeiro, iniciando a conferência ECO 92.

05 de Junho
1883 – Inaugurado a companhia de trens Orient-Express, trazendo pela primeira vez, vagões leitos.
1925 – Aprovado em Genebra, o protocolo que proíbe o uso de gases venenosos e armas bacteriológicas em guerras.
1967 – Inicio da Guerra dos Seis Dias, de Israel contra os países árabes Egito, Síria e Jordânia.

6 de Junho
1919 – Publicado no jornal Il Popolo d’Italia, o manifesto do movimento fascista, de Benito Mussolini.
1944 – Desembarque das tropas dos Aliados na Normandia, norte da França, o fato entrou para a história como o Dia D.
1968 – Morre o senador norte-americano, Robert Kennedy, atingido por um tiro em um hotel de Los Angeles, na Califórnia.

07 de Junho
1905 – Votado pelo parlamento do Reino Unido da Suécia e Noruega, a separação entre os dois países.
1911 – O vulcão Colima, no México, entra em erupção, causando a morte de 1450 pessoas.
1951 – Executados os últimos criminosos de guerra nazistas que foram condenados pelo tribunal de Nuremberg (foto do tribunal de Nuremberg).

08 de Junho
632 – Morre em Medina, o profeta Maomé, fundador do islamismo.
1928 – Iniciada a Conferência Internacional do Trabalho, em Genebra, Suíça.
1950 – Início da Guerra da Coréia, quando tropas da Coréia do Norte cruzam o paralelo 38, fronteira imposta na conferência de Ialta, entre as duas Coréias.

09 de Junho
1870 – Morre o escritor inglês Charles Dickens, autor de obras como “Oliver Twist” e “David Copperfield”.
1946 – Bhumibol Adulyadej sob ao trono da Tailândia, substituindo o rei Ananda Mahidol, morto em circunstâncias obscuras, com arma de fogo.
1999 – Celebração da coroação do novo rei da Jordânia, Abdalá II, e da sua esposa, Rania.

10 de Junho
1580 – Morre Luís de Camões, grande poeta lusitano.
1901 – Aprovado no parlamento da Bélgica, a anexação do Congo, na África.
1926 – Morre Antonio Gaudi, arquiteto catalão, um dos símbolos de Barcelona.

11 de Junho
1903 – Assassinados o rei da Sérvia, Alexandre I, e a sua esposa.
1951 – Promulgada, em Portugal, a lei que converte as colônias em territórios além-mar.
2001 – Executado o terrorista Timothy McVeigh, responsável pela explosão de um prédio em Oklahoma, em 1995, onde morreram 168 pessoas.

12 de Junho
1872 – Inaugurada a primeira ferrovia no Japão.
1898 – Proclamada a independência das Filipinas pelo general Emilio Aguinaldo.
1994 – Austríacos votam a favor do ingresso do seu país na União Européia.

13 de Junho
1611 – Observadas, pela primeira vez, as manchas no Sol, pelo astrônomo holandês David Fabricius.
1949 – George Orwell publica a sua obra-prima, “1984”.
1996 – Eliminada pelo parlamento, a pena de morte na Bélgica.

14 de Junho
1823 – A Guatemala separa-se do México.
1905 – A tripulação do encouraçado russo Potemkin rebela-se, fuzilando o comandante e vários oficiais (na foto, cartaz do filme “O Encouraçado Potemkin”, de Sergei Eisenstein).
1940 – Durante a Segunda Guerra Mundial, o exército alemão entra em Paris.

15 de Junho
1502 – Cristóvão Colombo, na sua quarta e última viagem à América, descobre a ilha da Martinica.
1932 – Eclode a Guerra do Chaco, entre a Bolívia e o Paraguai.
1994 – Estabelecidas relações diplomáticas entre Israel e o Vaticano.

16 de Junho
1904 – O governador russo Nicolás Bobrikov é assassinado na Finlândia.
1969 – George Pompidou é nomeado presidente da França.
1978 – Estados Unidos assina acordo com o Panamá, em que garante a devolução do Canal do Panamá aos panamenhos no ano 2000.

17 de Junho
1852 – A independência do Paraguai é reconhecida pela Argentina.
1940 – Em Londres, o general De Gaulle funda o Comitê Nacional da França Livre.
1944 – A Islândia torna-se uma República independente.

18 de Junho
1815 – Travada a Batalha de Waterloo, na qual Napoleão Bonaparte é definitivamente derrotado pelos países aliados contra o seu poder.
1997 – Rendição do líder cambojano do Khmer Vermelho, Pol Pot.
2000 – Assinado um acordo em Argel, entre a Etiópia e a Eritréia, pondo fim à guerra que travavam desde 1998.

19 de Junho
1097 – Nobres e plebeus europeus partem para Jerusalém, dando início à Primeira Cruzada, decidida no Concilio de Clermont.
1867 – Fuzilado em Santiago de Querétaro, Maximiliano I, imperador do México.
1953 – Executado em Nova York, o casal Rosenberg, acusado de revelar segredos atômicos à União Soviética.

20 de Junho
1900 – Iniciada a Rebelião dos Boxers, na China, contra estrangeiros e o mundo cristão.
1963 – Durante a Guerra Fria, Estados Unidos e União Soviética criam uma linha de telex, o telefone vermelho, para manter uma comunicação direta entre as duas nações em caso de conflitos.
1991 – Berlim (foto), volta a ser capital da Alemanha unificada.

21 de Junho
1908 – Manifestação feminina reúne 250 mil mulheres em Hyde Park, Londres, que reclamam o seu direito ao voto.
1941 – A Alemanha declara guerra à União Soviética.
1963 – Eleito papa o cardeal Giovanni Montini, assumindo o nome de Paulo VI.

22 de Junho
431 – Realizada a primeira das cinco sessões do Concílio de Éfeso, que reuniu vários líderes cristãos.
1934 – Os Estados Unidos ingressam na Conferência Internacional do Trabalho.
1941 – Os exércitos alemães invadem a União Soviética de Stalin.

23 de Junho
1894 – Criado, pelo Barão de Coubertin, juntamente com 15 países, o Comitê Olímpico Internacional (COI), que restabelecia os jogos olímpicos.
1949 – O papa Pio XII decreta a excomunhão de simpatizantes comunistas.
1952 – Durante a Guerra da Coréia, a aviação norte-americana bombardeia as centrais elétricas de Yalu.

24 de Junho
1633 – Galileu Galilei é libertado da prisão da Inquisição.
1901 – Primeira exposição de Pablo Picasso, na galeria Ambroise Vollard de Paris.
1976 – A Assembléia Nacional do Vietnã declara a reunificação do Vietnã do Sul e Vietnã do Norte, com a capital em Hanói.

25 de Junho
1906 – Pedro Montt vence as eleições para presidente do Chile.
1962 – Formada a Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO).
1975 – Independência de Moçambique, colônia portuguesa da África.

26 de Junho
1959 – Cuba rompe relações diplomáticas com a República Dominicana.
1974 – No Chile, nove meses após o golpe militar que derrubou o governo Allende, o general Augusto Pinochet assume os poderes presidenciais.
2000 – Revelado, pelo Vaticano, o terceiro segredo de Fátima, que se referia ao atentado contra um papa, consumado em 1981, contra João Paulo II.

27 de Junho
1660 – O parlamento britânico condena à prisão John Milton, escritor inglês, autor de “O Paraíso Perdido”.
1910 – Porfírio Diaz elege-se pela sétima (e última) vez, presidente do México.
1941 – Durante a Segunda Guerra Mundial, a Hungria declara guerra à União Soviética.

28 de Junho
1914 – O arquiduque Francisco Ferdinando (foto), herdeiro do trono austro-húngaro, é assassinado em Saravejo, gerando o estopim que desencadearia a Primeira Guerra Mundial.
1919 – Assinado o Tratado de Versalhes, que selava a paz entre a Alemanha e as demais nações, após a Primeira Guerra Mundial.
2001 – Slobodan Milosevic, ex-presidente iugoslavo, é entregue ao Tribunal de Haia.

29 de Junho
1900 – Entra em funcionamento a Fundação Nobel, outorgante dos prêmios Nobel.
1948 – Início do regime do “Apartheid”, na África do Sul, onde a minoria branca discrimina a maioria negra.
2001 – Kofi Annan é reeleito secretário geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

30 de Junho
1934 – Hitler encerra as SA, executando Ernst Rohm, o seu líder, e, os seus principais colaboradores, no episódio sangrento chamado de “A Noite das Longas Facas”.
1960 – O Congo Belga, ex Zaire e atual República Democrática do Congo, declara a sua independência.
1992 – O governo da Rússia aprova um extenso programa de privatizações de empresas.

Junhos na História do Brasil

01 de Junho
1808 – Circula em Londres, pela primeira vez, o Correio Braziliense, considerado o primeiro jornal brasileiro, dirigido por Hipólito da Costa.
1838 – Morre Cipriano Barata, implicado na Conjuração Baiana de 1798 e na Revolução Pernambucana de 1817.

02 de Junho
1822 – Instalada no Rio de Janeiro, a sociedade maçônica Apostolado da Nobre Ordem dos Cavaleiros de Santa Cruz.
1988 – Assembléia Constituinte fixa em cinco anos o mandato do presidente José Sarney.

03 de Junho
1621 – A Companhia das Índias Ocidentais recebe privilégio de explorar e governar suas conquistas. Três anos depois invadiria o Brasil.
1939 – Primeira demonstração da televisão no Brasil, no Rio de Janeiro.

04 de Junho
1608 – Iniciada a construção do Convento de Santo Antônio, no Rio de Janeiro.
1898 – Nasce em Serra Talhada, Pernambuco, Virgulino Ferreira da Silva, conhecido mais tarde como Lampião, o mais famoso cangaceiro do Brasil.

05 de Junho
1605 – Filipe II de Portugal (III de Espanha) proíbe a escravização de índios no Brasil.
1729 – Nasce em Minas Gerais, Cláudio Manuel da Costa, um dos líderes da Inconfidência de 1789.

06 de Junho
1755 – Instituída a Companhia Geral do Grão-Pará e Maranhão, pelo Marquês de Pombal.
1755 – Iniciada no Rio de Janeiro a construção da igreja da Candelária, que só seria concluída 123 anos depois, em 1898.

07 de Junho
1494 – Assinado o Tratado de Tordesilhas, que dividia as terras recém-descobertas e por descobrir entre os reinos de Espanha e Portugal.
1889 – Posse dos últimos ministros do Império.

08 de Junho
1914 – Fundada a Federação Brasileira de Esportes, origem da CBF.
2000 – O governo, através do INSS, regulamenta pensões de casais homossexuais.

09 de Junho
1597 – Morre na Espanha, José de Anchieta, um pioneiro da evangelização no Brasil.
1828 – O 2º Batalhão de Granadeiros, no Rio de Janeiro, composto por mercenários europeus, amotina-se contra os maus-tratos, num movimento que logo se espalharia por todos os batalhões de estrangeiros.

10 de Junho
1808 – O príncipe regente D. João declara guerra a Napoleão Bonaparte e seus aliados, ordenando “que por mar e por terra se lhes façam todas as possíveis hostilidades”.
1926 – Inaugurado serviço de ônibus no Rio de Janeiro.

11 de Junho
1557 – Morre em Lisboa o rei D. João III, que dividiu o Brasil em capitanias e introduziu o Tribunal da Inquisição em Portugal.
1848 – Morre em Paris Jean-Baptiste Debret, integrante da chamada missão artística francesa, que registrou em suas pinturas a sociedade brasileira dos tempos de D. João VI e de D. Pedro I.

12 de Junho
1641 – Portugal e Holanda firmam armistício na guerra pelo nordeste brasileiro.
1817 – Fuzilados em Salvador, Bahia, três líderes da Revolução Pernambucana de 1817, Domingos José Martins, padre Miguelinho e José Luiz de Mendonça.

13 de Junho
1621 – Rei Felipe III divide a América portuguesa em dois Estados: o do Brasil e o do Maranhão.
1964 – É criado o Serviço Nacional de Informações (SNI), um dos principais instrumentos repressivos do regime militar.

14 de Junho
1901 – Início de quebra-quebra no Rio de Janeiro em reação ao aumento das tarifas dos bondes, que duraria seis dias.
1971 – Teodomiro Braga, militante de esquerda, condenado à morte pelo regime militar, tem sua pena comutada para prisão perpétua.

15 de Junho
1962 – Lei federal nº 4.070 eleva o território do Acre à categoria de Estado.
1991 – IBGE divulga que 16% das mulheres estão esterilizadas.

16 de Junho
1556 – Primeiro bispo do Brasil, Pero Fernandes Sardinha é devorado por índios na Bahia.
1950 – Inaugurado o Estádio Nacional, atual Estádio Mário Filho, no Maracanã.

17 de Junho
1604 – Nasce no castelo de Dillenburg, Alemanha, Maurício de Nassau, que governou as possessões holandesas no Brasil entre 1637 e 1644.
1889 – Última sessão da Câmara dos Deputados do Império.

18 de Junho
1822 – O príncipe regente D. Pedro, através de decreto, proíbe o acúmulo de cargos e exige comprovação de atividades dos funcionários públicos.
1862 – Presos no Rio de Janeiro três oficiais ingleses, estopim para um rompimento entre Brasil e Inglaterra.

19 de Junho
1898 – Primeira filmagem feita no Brasil, por Afonso Segreto, registra cenas da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro.
1984 – Tancredo Neves é indicado pela oposição para concorrer à Presidência.

20 de Junho
1910 – Criado por decreto, o Serviço de Proteção aos Índios.
1952 – A lei federal nº 1.628 cria o BNDE, atual BNDS (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), tendo como diretor o economista Roberto Campos.

21 de Junho
1839 – Nasce no Rio de Janeiro, Machado de Assis, que se tornaria no final do século XIX, a maior expressão da literatura brasileira.
1970 – Brasil vence a Itália, no México, e conquista o tricampeonato da Copa de Futebol do Mundo.

22 de Junho
1552 – Pero Fernandes, primeiro bispo do Brasil, chega à Bahia.
1874 – Inaugurado o telégrafo submarino, ligando o Rio de Janeiro à Europa.

23 de Junho
1865 – Lançado ao mar, na Baía de Guanabara, o encouraçado Tamandaré, primeira embarcação do tipo construída no Brasil, que teve importante papel na Guerra do Paraguai.
1986 – Confronto entre grevistas e polícia deixa dois mortos em São Paulo.

24 de Junho
1966 – 283 marinheiros são condenados por rebelião no maior julgamento do país.
1985 – Estréia na Rede Globo, com grande audiência, a novela Roque Santeiro, que tinha sido censurada dez anos antes pelo regime militar.

25 de Junho
1850 – Aprovado o Código Comercial do Império, em gestação desde 1832.
1892 – Instalado na antiga residência da família real, na Quinta da Boa Vista, o Museu Nacional.

26 de Junho
1862 – Adotado no Brasil, por lei, o sistema métrico francês.
1969 – Lançado o semanário O Pasquim, importante veículo de crítica (bem-humorada) à ditadura militar.

27 de Junho
1763 – Rei D. José I transfere a sede do governo do Brasil de Salvador para o Rio de Janeiro.
1810 – Decreto do príncipe regente D. João manda instalar a Biblioteca Real (cujo acervo originou a Biblioteca Nacional) na igreja da Ordem Terceira do Carmo, no Rio de Janeiro.

28 de Junho
1720 – Eclode em Minas Gerais uma revolta contra o aumento da taxação sobre o ouro.
1977 – Emenda constitucional institui o divórcio no Brasil.

29 de Junho
1862 – Iniciado o serviço de barcas ligando o Rio de Janeiro a Niterói.
1958 – Seleção Brasileira, após derrotar a Suécia por 5 a 2, torna-se campeã da Copa do Mundo de futebol.

30 de Junho
1887 - Iniciada a terceira regência da princesa Isabel.
1987 – Depois que 67 veículos foram destruídos pela população, a justiça volta atrás e suspende o reajuste de 50% das tarifas concedido às empresas de ônibus no Rio de Janeiro.

Nascidos em Junho

01 de Junho
Alanis Morissette, cantora e compositora canadense
Braz Chediak, ator e diretor de cinema brasileiro
Frank Morgan, ator norte-americano
Marilyn Monroe (foto), atriz norte-americana
Morgan Freeman, ator norte-americano
Pat Boone, cantor norte-americano

02 de Junho
Caio Blat, ator brasileiro
Johnny Weissmuller (foto), atleta e ator norte-americano
Stacy Keach, ator norte-americano
Wentworth Miller, ator britânico

03 de Junho
José Lins do Rego, escritor brasileiro
Josephine Baker, cantora e dançarina norte-americana
Luiza Curvo, atriz brasileira
Tony Curtis (foto), ator norte-americano

04 de Junho
Angelina Jolie, atriz norte-americana
Angelo Antonio, ator brasileiro
Bruce Dern, ator norte-americano
Dennis Weaver, ator norte-americano
Fernanda Paes Leme, atriz brasileira
Hugo Carvana, ator e diretor brasileiro
Jorge Palma, cantor e compositor português

05 de Junho
Erasmo Carlos, cantor e compositor brasileiro
Federico Garcia Lorca, poeta e dramaturgo espanhol
Ivon Curi, cantor e ator brasileiro
Marcio Kieling, ator brasileiro
Maria Isabel de Lizandra, atriz brasileira
Mark Wahlberg, ator norte-americano
Sandra Annenberg, jornalista e atriz brasileira
Wanderléa, cantora brasileira
Zuzu Angel, estilista brasileira

06 de Junho
José I de Portugal, 25º rei português
Maysa, cantora e compositora brasileira
Thomas Mann, escritor alemão

07 de Junho
Carla Marins, atriz brasileira
Cláudia Rodrigues, atriz brasileira
Dean Martin, ator e cantor norte-americano
Flávia Alessandra, atriz brasileira
Jessica Tandy, atriz britânica
Liam Neeson, ator irlandês
Paul Gauguin, pintor francês
Prince, músico, dançarino e cantor norte-americano
Tobias Barreto, poeta brasileiro
Tom Jones, cantor britânico

08 de Junho
Eduardo Moscovis, ator brasileiro
Frank Lloyd Wright, arquiteto norte-americano
James Darren, ator norte-americano
Robert Preston, ator norte-americano
Robert Schumann, músico e compositor alemão
Sonia Braga, atriz brasileira

09 de Junho
Cole Porter, músico e compositor norte-americano
Johnny Depp, ator norte-americano
Michael J. Fox, ator canadense
Natalie Portman, atriz israelense
Pagu (Patrícia Galvão), escritora brasileira

10 de Junho
Bibi Ferreira, atriz, cantora e encenadora brasileira
Djenane Machado, atriz brasileira
Hattie McDaniel, atriz e cantora norte-americana
Inês Galvão, atriz brasileira
João Gilberto, cantor brasileiro
Judy Garland (foto), atriz e cantora norte-americana
Marly Bueno, atriz brasileira
Saul Bellow, escritor canadense
Vincent Perez, ator suíço

11 de Junho
Carlos Alberto, ator brasileiro
Carlos Eduardo Dolabella, ator brasileiro
Gene Wilder, ator norte-americano
Isabela Garcia, atriz brasileira
Jacques-Yves Cousteau, ecologista e explorador náutico francês
Reginaldo Faria, ator brasileiro
Richard Strauss, compositor e maestro alemão

12 de Junho
Anne Frank, escritora adolescente alemã
Antonio Grassi, ator brasileiro
Carmem Verônica, atriz e vedete brasileira
Chick Corea, músico de jazz norte-americano
Rômulo Arantes, ator e nadador brasileiro

13 de Junho
Antonio Pitanga, ator brasileiro
Fernando Pessoa, poeta português
Isadora Ribeiro, atriz brasileira
José Bonifácio, estadista brasileiro
Malcolm McDowell, ator britânico
William Butler Yeats, poeta e dramaturgo irlandês

14 de Junho
Camila Pitanga, atriz brasileira
Che Guevara, guerrilheiro revolucionário argentino
Dalton Trevisan, escritor brasileiro
Jerzy Kosinski, escritor polonês
Lavínia Vlasak, atriz brasileira
Linda Batista, cantora brasileira
Marcos Pasquim, ator brasileiro

15 de Junho
Demis Roussos, cantor grego nascido no Egito
Helen Hunt, atriz norte-americana
James Belushi, ator norte-americano
Lilian Lemmertz, atriz brasileira
Sergio Endrigo, cantor e compositor italiano

16 de Junho
Ariano Suassuna, escritor brasileiro
Arnold Vosloo, ator sul-africano
Ivan Lins, cantor e compositor brasileiro
Paulo Gracindo, ator brasileiro
Rui Zink, escritor português
Stan Laurel, ator e diretor inglês

17 de Junho
Aracy Cardoso, atriz brasileira
Arlete Salles, atriz brasileira
Barry Manilow, cantor e compositor norte-americano
Clodovil, estilista, apresentador de televisão e político brasileiro
Igor Stravinsky, compositor russo
Márcia Breia, atriz portuguesa
Ralph Bellamy, ator norte-americano

18 de Junho
Ana Rosa, atriz brasileira
Celly Campello, cantora brasileira
E. G. Marshall, ator norte-americano
Fernando Henrique Cardoso, político, sociólogo e ex-presidente brasileiro
Isabella Rossellini (foto), atriz e modelo italiana
Jeanette MacDonald, atriz e cantora americana
Lúcio Mauro Filho, ator brasileiro
Maria Bethânia, cantora brasileira
Paul McCartney, cantor e compositor britânico
Richard Boone, ator norte-americano

19 de Junho
Chico Buarque, cantor, compositor e escritor brasileiro
Daniel de Oliveira, ator brasileiro
Gena Rowlands, atriz norte-americana
Kathleen Turner, atriz norte-americana
Letícia Spiller, atriz brasileira
Louis Jourdan (foto), ator francês
Marisa Pavan, atriz italiana
Moe Howard, ator e comediante norte-americano
Nuno da Câmara Pereira, fadista e político português
Pier Angeli, atriz italiana
Sidney Magal, cantor e ator brasileiro
Stephany Brito, atriz brasileira

20 de Junho
Danny Aiello, ator norte-americano
Errol Flynn (foto), ator australiano
Kadu Moliterno, ator brasileiro
Martin Landau, ator norte-americano
Nicole Kidman, atriz australiana-americana
Rossana Podestà, atriz italiana nascida na Líbia

21 de Junho
Françoise Sagan, escritora francesa
Ilka Soares, atriz brasileira
Jane Russell, atriz norte-americana
Jean-Paul Sartre, escritor, filósofo e dramaturgo francês
Juliette Lewis, atriz e cantora norte-americana
Machado de Assis, escritor brasileiro
Maureen Stapleton, atriz norte-americana
Nelson Gonçalves, cantor brasileiro
Ron Ely, ator norte-americano

22 de Junho
Billy Wilder, cineasta polonês naturalizado norte-americano
Emmanuelle Seigner, atriz francesa
Erich Maria Remarque, escritor alemão
Hermeto Pascoal, músico e compositor brasileiro
Kris Kristofferson, cantor, compositor e ator norte-americano
Lindsay Wagner, atriz norte-americana
Meryl Streep, atriz norte-americana
Tonico Pereira, ator brasileiro

23 de Junho
Bob Fosse, diretor de cinema e encenador de teatro norte-americano
Cininha de Paula, atriz e diretora brasileira
Dercy Gonçalves, atriz brasileira
Elza Soares, cantora brasileira
Frances McDormand, atriz norte-americana
Isaura Bruno, atriz brasileira
Johannes Gutenberg, alemão inventor da imprensa
Sérgio Reis, cantor e ator brasileiro
Zinédine Zidane, jogador de futebol francês

24 de Junho
Betty Lago, atriz e modelo brasileira
Joaquim Manuel de Macedo, escritor brasileiro
Nancy Allen, atriz norte-americana
Régis Cardoso, diretor de telenovelas brasileiro

25 de Junho
Antonio Gaudi, arquiteto espanhol
Bussunda, humorista brasileiro
Fernanda Lima, atriz e modelo brasileira
George Michael, cantor britânico
George Orwell, jornalista e escritor britânico nascido na Índia
Luiz Carlos Vasconcelos, ator brasileiro
Miguel Sousa Tavares, jornalista e escritor português
Sidney Lumet, cineasta norte-americano

26 de Junho
Ana Zanatti, atriz portuguesa
Chris O'Donell, ator norte-americano
Eleanor Parker, atriz norte-americana
Gilberto Gil, cantor, compositor e político brasileiro
Pearl S. Buck, escritora norte-americana
Peter Lorre, ator norte-americano nascido na Eslováquia

27 de Junho
Didi Viana, atriz brasileira
Guimarães Rosa, escritor brasileiro
Isabelle Adjani, atriz francesa
Krzysztof Kieslowski, cineasta polonês
Luigi Pirandello, escritor, poeta e dramaturgo italiano
Teresa Guilherme, apresentadora e atriz portuguesa
Tobey Maguire, ator norte-americano
Wagner Moura, ator brasileiro
Zezé Motta, atriz brasileira

28 de Junho
Daniel Dantas, ator brasileiro
Garoto, músico e compositor brasileiro
Grazielli Massafera, atriz brasileira
Henrique VIII, rei inglês no século XV
Jean-Jacques Rousseau, escritor e filósofo suíço
John Cusack, ator norte-americano
Kathy Bates, atriz norte-americana
Mary Stuart Masterson, atriz norte-americana
Mel Brooks, ator e cineasta norte-americano
Pedro Neschling, ator brasileiro
Raul Seixas, cantor e compositor brasileiro

29 de Junho
Antoine de Saint-Exupéry, escritor e ilustrador francês
Henrique Viana, ator português
Maria Maya, atriz brasileira
Pedro Paulo Rangel, ator brasileiro
Rosa Mota, atleta portuguesa
Sérgio Britto, ator brasileiro
Tereza Seiblitz, atriz brasileira

30 de Junho
Dira Paes, atriz brasileira
Lena Horne, atriz e cantora norte-americana
Leonard Whiting, ator britânico
Tony Bellotto, músico e escritor brasileiro
Susan Hayward (foto), atriz norte-americana

Datas Comemorativas

01 de Junho – Dia da Imprensa
03 de Junho – Dia Mundial do Administrador de Pessoal
05 de Junho – Dia Mundial do Meio Ambiente e da Ecologia
07 de Junho – Dia da Liberdade de Imprensa
08 de Junho – Dia do Citricultor
09 de Junho – Dia do Porteiro
09 de Junho – Dia do Tenista
09 de Junho – Dia da Imunização
10 de Junho – Dia de Camões e de Portugal (feriado em Portugal)
10 de Junho – Dia da Língua Portuguesa
10 de Junho – Dia da Raça
10 de Junho – Dia da Artilharia
11 de Junho – Dia do Educador Sanitário
12 de Junho – Dia dos Namorados (Brasil)
13 de Junho – Dia de Santo Antônio de Lisboa (Pádua)
13 de Junho – Dia do Turista
14 de Junho – Dia do Solista
17 de Junho – Dia do Funcionário Público Aposentado
18 de Junho – Dia do Químico
19 de Junho – Dia do Cinema Brasileiro
20 de Junho – Dia do Revendedor
20 a 22 de Junho – Solstício (de verão no hemisfério norte, de inverno no hemisfério sul)
21 de Junho – Dia da Mídia
21 de Junho – Dia Universal Olímpico
21 de Junho – Dia do Imigrante
24 de Junho – Dia de São João Batista
24 de Junho – Dia das Empresas Gráficas
24 de Junho – Dia Internacional do Leite
26 de Junho – Dia do Metrologista
27 de Junho – Dia Nacional do Progresso
29 de Junho – Dia de São Pedro e São Paulo
29 de Junho – Dia do Papa
29 de Junho – Dia da Telefonista
29 de Junho – Dia do Pescador
2 º ou 3 º domingo de Junho – Dia dos Pais. Na Bélgica, no segundo domingo de Junho. Nos EUA, Reino Unido, Irlanda, Países Baixos e Canadá, no terceiro domingo de Junho
Junho – Orgulho Gay, celebração com várias paradas gays pelo mundo em honra dos tumultos de Stonewall.
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Terça-feira, 23 de Dezembro de 2008

OS DEUSES DO OLIMPO

 

 

Com a cristianização do mundo grego, os seus deuses idealizados, por trazerem características por demais humanas (ódio, cólera, amor, alegria...), deixaram de ser venerados como divindades e tornaram-se mitos. A palavra mitologia (do grego mythos, significando fábula, e logos, tratado), designa o conjunto de fábulas e lendas que determinado povo imaginou e o estudo dos mesmos. Enquanto religião, os deuses gregos conciliavam o homem com a natureza, explicando princípios básicos da vida, como nascer, viver e morrer, sem criar vínculos do homem à divindade, sem codificações da deidade em um Livro Sagrado. Os deuses gregos isentam aquele povo dos conceitos do que é sacro e do que é pecado. Os deuses espelham os homens, com todas as suas qualidades e defeitos, tendo apenas na imortalidade a superioridade a eles.

As Gerações do Poder dos Deuses

No princípio, do misterioso Caos emanaram todas as formas materiais da vida. Dele emergiu Gaia, a mãe Terra, que sozinha gerou Urano (Céu). Gaia une-se a Urano, que a fecunda constantemente, e deles nascem os Titãs, os Ciclopes, monstros de um só olho, e os Hecatônquiros, gigantes de cem braços e cinqüenta cabeças. Urano reina ao lado dos doze filhos titãs, mas não suporta ver a face horrenda dos outros filhos, os ciclopes e os hecatônquiros, aprisionando-s no interior da Terra. Presos sem ver à luz, os filhos de Gaia e de Urano são responsáveis pela força indomável da natureza, causadores das desordens e cataclismos, como os vulcões, os terremotos, as tempestades e os furacões. A primeira geração de deuses governada por Urano e por sua mulher Gaia, personifica a força material da natureza, a sua desordem genetriz.
Desde que se unira a Urano, o ventre de Gaia não parou de gerar um único dia. Cronos (Saturno), o deus do tempo, um dos titãs, revolta-se contra o pai, por este fecundar incessantemente à mãe, trazendo-lhe sofrimentos com uma prole indomável e por ver os filhos prisioneiros. Para que Gaia não continue gerando infinitamente, Cronos corta, com uma foice afiada pela própria mãe, os testículos do pai. Sendo a foice o símbolo da morte para os gregos, quem morre não é Urano, visto que é imortal, mas o seu reinado.
Cronos, ao lado da titânia Réia (Cibele), sua esposa e irmã, estabelece o segundo reinado dos deuses sobre a Terra e os homens. Já não é o reinado da desordem criadora, e sim da era pré-consciente da humanidade. Cronos, o tempo, está cego, perdido na evolução da vida e da ordem natural. A vida não explica a si mesma, apenas fervilha.
Com Réia, Cronos gera três filhas, Héstia (Vesta), Deméter (Ceres) e Hera (Juno), e três filhos, Hades (Plutão), Poseidon (Netuno) e Zeus (Júpiter). Alertado pela profecia de um oráculo, que um dos filhos o iria destronar, Cronos devora cada um deles tão logo nascem. Réia salva Zeus de ser devorado, quando este nasce, entrega ao marido uma pedra enrolada em várias tiras de pano, para que ele o devore a pensar tratar-se do filho.
Salvo de ser devorado, Zeus seria criado pelas Ninfas em Creta, longe do pai. Crescido, Zeus destrona o pai, obriga-o a ingerir uma porção que o faz vomitar todos os filhos devorados, que cresceram dentro dele. Ao lado dos irmãos, Zeus trava uma luta de dez anos pelo poder, vencendo os Titãs e os Gigantes. Torna-se o senhor de todos os deuses, dividindo com os irmãos o domínio do mundo: a Zeus coube o reino do céu e da terra, a Poseidon o mar, e a Hades, as profundezas terrestres, chamadas de Érebo ou Infernos.
O terceiro e definitivo reinado dos deuses é feita por Zeus, casado com a sua irmã Hera. Zeus ordena o universo definitivamente, estabelecendo o princípio divino da espiritualidade, é afirmação da ordem sobre a desordem. No reinado de Zeus surgirá a geração dos deuses Olímpicos.
Zeus reina de cima do Monte Olimpo, o ponto mais alto de toda a Grécia. Outros deuses reinarão ao seu lado, formando os doze deuses do Olimpo, seis deusas e seis deuses. Há três listas diferentes referentes aos doze deuses do Olimpo:
1 – Zeus, Poseidon, Apolo, Ares (Marte), Hermes (Mercúrio), Hefestos (Vulcano), Hera, Héstia, Deméter, Afrodite (Vênus), Atena (Minerva) e Ártemis (Diana).
Nesta primeira lista Dioniso (Baco), o deus do vinho, não é considerado como um dos doze deuses do Olimpo.
2 – Zeus, Poseidon, Apolo, Ares, Hermes, Hefestos, Dioniso, Hera, Deméter, Afrodite, Atena e Ártemis.
Nesta lista, segue a versão de que, ao chegar ao Olimpo, Dioniso expulsou Héstia, a deusa do lar, de seu posto junto a Zeus, ocupando este lugar privilegiado, firmando-se para sempre como divindade. Aqui há um desequilíbrio em relação ao sexo dos deuses, há 7 deuses e 5 deusas, o que faz da lista a menos reconhecida.
3 – Zeus, Apolo, Ares, Hermes, Hefestos, Dioniso, Hera, Héstia, Deméter, Afrodite, Atena e Ártemis.
Nesta lista, Poseidon, senhor dos mares, governa de um castelo nas profundezas dos oceanos, não participando do reinado do irmão no Olimpo, apesar de integrar das decisões do conselho Olímpico.
Hades, senhor dos mortos, participa do conselho Olímpico, mas reina sozinho na escuridão do mundo, sobre os mortos, por isto não consta em nenhuma das listas.

Zeus, o Pai dos Deuses

Zeus, o Júpiter da mitologia romana, é o mais jovem dos crônidas (filhos de Cronos). Salvo por Réia de ser devorado por Cronos, cresce em Creta, aos cuidados das Ninfas e do Curetes, jovens sacerdotes da mãe. Zeus destrona o pai Cronos, obriga-o a ingerir uma porção que o faz vomitar os filhos devorados. Divide o domínio do mundo com os irmãos, cabendo-lhe o céu e a terra.
Como rei absoluto, Zeus comanda o Olimpo e os homens. É considerado o pai dos deuses, dos semideuses, dos heróis e dos homens. Para manter a prole e a paternidade que lhe garantem o poder sobre os deuses, o senhor do Olimpo une-se a um grande número de deusas e de mulheres mortais, desafiando os ciúmes da sua mulher Hera. Todas as grandes cidades da Grécia antiga tinham como patrono um filho de Zeus. O deus tem como arma os raios e os trovões, estabelece a disciplina entre os deuses e os homens, protegendo-os e assegurando-lhes a ordem.

Hera, a Ciumenta Esposa de Zeus

Hera, a Juno da mitologia romana, filha de Cronos e Réia, reina no Olimpo, ao lado do marido Zeus. Temida por seu caráter essencialmente vingativo e ciumento, Hera persegue todas as amantes e filhos do marido. A deusa é a imagem do caráter humano movido pelo ciúme, sendo a mais realista e humana dos mitos gregos. Hera é a personificação do elemento fundamental da família. Seu ciúme reflete o momento pelo qual a cultura grega passava, abandonando de vez a poligamia e adotando a monogamia na família. A deusa era cultuada principalmente pelas mulheres, representava a fidelidade e as boas relações entre os casais. Era a deusa do amor conjugal. Nas artes era representada como uma jovem mulher bela e um pouco severa. Seus poderes sobre o Olimpo e os demais deuses, são iguais aos do marido.

Deméter, a Deusa da Agricultura

Deméter, a Ceres da mitologia romana, uma das filhas de Cronos e Réia, ao nascer, foi devorada pelo pai, mais tarde é salva pelo irmão Zeus. É uma deusa de caráter agrário, responsável pela fertilidade da terra, das colheitas e da civilização. Representa a mulher da civilização helênica, que nos tempos mais remotos da sua história, tinha como costume a dedicação dos homens à caça, à pesca e às armas, enquanto as mulheres cuidavam da casa e do campo. Deméter ajuda os mortais a plantar os grãos e a cultivar a terra. Quando sua filha Core (Prosérpina) é raptada por Hades, o senhor dos infernos, e levada para o seu reino nas trevas, Deméter abandona o mundo à fome. Para que a humanidade não pereça com as trevas nos campos, Zeus interfere, fazendo um acordo entre a deusa da agricultura e o senhor dos mortos: Core ficaria seis meses ao lado de Hades, no mundo das trevas, e seis meses na terra, ao lado da mãe. Assim, quando Core retorna do Érebo, surge a primavera, Deméter volta aos campos e garante uma boa colheita no verão, quando Core retorna para junto do marido, Deméter deixa os campos para chorar a filha, surgindo o outono e o inverno das lágrimas da deusa.

Héstia, a Fria Deusa da Castidade

Héstia, a Vesta da mitologia romana, a primeira filha de Cronos e Réia, foi devorada pelo pai quando nasceu. Bela e fria, Héstia foi cortejada e amada pelos deuses Apolo e Poseidon, mas não sentiu amor ou paixão por nenhum deles, recusando-os e fazendo voto de castidade. Recebeu de Zeus a honra de ser venerada em todos os lares, ser incluída em todos os sacrifícios e permanecer imóvel no seu palácio, cercada pelo respeito dos deuses e dos mortais. É a divindade do fogo que aquece os lares (héstia em grego significa o fogo da lareira), das virgens (as vestais da Roma antiga) e protetora da família, dos lares. Todas as cidades antigas possuíam o fogo de Héstia, mantido aceso nos palácios em que se reuniam os representantes das tribos. Héstia era representada como uma mulher jovem, com um véu sobre a cabeça e os ombros. Uma das lendas diz que Héstia, destronada por Dioniso, deixou de ser uma das doze divindades do Olimpo.

Poseidon, Senhor dos Mares

Poseidon, o Netuno da mitologia romana, filho de Cronos e Réia, é o deus dos oceanos, dos terremotos e dos maremotos. Grande parte do território grego é constituído por ilhas no Mar Egeu, daí a grande importância do culto a Poseidon pelos helenos. O senhor dos mares habita, segundo a tradição do mito, um palácio nas profundezas do Egeu. Percorre os mares numa carruagem atrelada a velozes cavalos de cascos de bronze e crinas de ouro, trazendo o tridente nas mãos, sendo acompanhado por uma comitiva de Sereias, Nereidas, Ninfas, Centauros marinhos e delfins. É o deus pai de Teseu, o mais célebre dos heróis de Atenas. Também é pai de monstros como a Medusa. É um deus impetuoso, venerado pelos pescadores, navegantes e mercadores dos mares. Apesar da sua grande influência sobre o Olimpo, às vezes não é identificado como um dos doze deuses Olímpicos, tendo o seu reinado sobre as águas dos mares.

Afrodite, a Deusa do Amor

Afrodite, a Vênus da mitologia romana, nasceu da espuma do mar. Quando Cronos cortou os testículos de Urano, atirando-os ao mar, formou-se uma enorme espuma dos órgãos arrancados, da qual surgiu Afrodite, a mais bela de todas as deusas. Afrodite é a deusa do amor, a maior força que conduz o homem. Esta força pode ser a do sentimento mais profundo, como a do desejo sexual insaciável e destrutivo, o amor pode engrandecer o homem, como levá-lo à loucura. É a deusa da força primaveril, que traz o esplendor anual das plantas e a renovação da vida pelo amor, sempre em paralelo com a vida humana e a vegetal, pois a agricultura conduz a força da civilização helênica. Sem a primavera não há a fertilidade, não há a renovação da vida, não há o futuro. Foi obrigada por Zeus a casar-se com Hefestos, o deus feio e coxo dos vulcões. Afrodite trai sem culpa o marido com os mais belos deuses: Ares, Hermes e Dioniso, ou com os mortais Adônis e Anquises.

Ares, o Cruel Deus da Guerra

Ares, o Marte da mitologia romana, filho de Zeus e Hera, é o deus da guerra, inseparável companheiro do Terror e da Discórdia, é a face destrutiva da guerra, representa a crueldade das batalhas, o sangue derramado, a discórdia sem lados, sem vencedores, apenas o ódio cego das batalhas. Os gregos relutavam em cultuar Ares, que não oferecia a sua proteção à cidade alguma, apenas dominava o ódio. O deus jamais foi aceito inteiramente pela sociedade grega, que não admitia a violência e a brutalidade. A origem ao seu culto provinha dos trácios, povo belicoso, considerado desprezível pelos helenos. Ares é o pai dos deuses que personificavam a discórdia: Fobos, Deimos e Éris. Da sua união com Afrodite nasceram Cupido e Harmonia.

Atena, a Deusa da Sabedoria

Atena, a Minerva da mitologia romana, nasceu da cabeça de Zeus. O senhor do Olimpo uniu-se a Métis e fecundou-a, mas o oráculo previu que o próximo filho desta união destronaria Zeus, assim como ele fizera a Cronos. Para evitar que a profecia viesse a se concretizar, engoliu Métis. Tempos depois, despontou da sua cabeça a bela Atena, deusa da guerra estratégica, da luta racional e justa. Ao contrário de Ares, que provocava o horror da guerra, Atena protegia o guerreiro. Protetora e sábia, era ela que conduzia os gregos na defesa dos nobres ideais, na difusão da cultura e na instauração da paz. Atena manteve-se virgem, jamais amou homem algum ou teve filhos. Era a deusa mais cultuada pelos gregos, principalmente na Acrópole, em Atenas, cidade que leva o seu nome.

Hefestos, o Artesão dos Deuses

Hefestos, o Vulcano da mitologia romana, filho de Zeus e Hera, nasceu coxo, envergonhando a mãe diante dos deuses do Olimpo. Para não apresentar o filho imperfeito aos deuses, a esposa de Zeus atirou-o do Olimpo ao mar. Hefestos teria sido salvo pela nereida Tétis e sua amiga Eurínome, que criaram o feio deus como um filho. Hefestos tornou-se um habilidoso artesão dos metais, senhor do fogo e da forja. Deus do fogo e dos vulcões, é a imagem divina do artesão perfeito. Quando adulto, presenteou a mãe Hera com um trono de ouro, ao sentar-se sobre o presente, a deusa ficou aprisionada. Era a vingança à mãe que o rejeitara. Só aceitou libertar Hera daquela prisão, quando Zeus deu-lhe como esposa a mais bela das deusas, Afrodite. Hefestos tinha a sua oficina na ilha de Lemnos, onde era auxiliado por divindades menores ligadas ao fogo e à metalurgia. O mito de Hefestos representava a preocupação dos gregos com a genética. Era uma forma de alertar para os perigos dos filhos deformados nascidos da união entre irmãos, como eram Hera e Zeus.

Hermes, o Mensageiro dos Deuses

Hermes, o Mercúrio da mitologia romana, filho de Zeus e Maia, é o esperto deus dos viajantes, dos mercadores e dos ladrões. Corredor infatigável, o deus viaja por todas as partes entre a Terra e o Olimpo, como mensageiro dos deuses. Por esta desenvoltura, era representado pelos gregos como viril, modelo de juventude e ideal de juventude, sua veneração era feita nos estádios e ginásios. Era tido como o deus que inventara o pugilato e as carreiras atléticas, sendo o patrono dos desportistas. Foi o deus que inventou a lira, sendo cultuado pelos poetas e cantores. Traz chapéu e sandálias providos de pequenas asas que o ajudam a correr como o vento. Pai de vários filhos, os mais conhecidos da sua prole são: Pã, fruto da sua união com a ninfa Driopéia, e Hermafrodito, ser de dupla natureza, homem e mulher ao mesmo tempo, da sua união com Afrodite.

Apolo, o Deus Solar

Filho de Zeus e Latona, irmão gêmeo da deusa Ártemis, Apolo era o cultuado deus da luz, rompendo a escuridão do mundo, iluminando a obscuridade da ignorância e tecendo o brilho do dom da poesia e das artes. O deus tinha muitas faces, múltiplas funções. Era o condutor dos pastores, multiplicador das colheitas, iluminava o caminho dos navegantes, protegia os médicos e a saúde, inspirava os artistas, e adivinhava o futuro dos homens em seus oráculos. Era visto como deus da perfeição da beleza grega. Apolo era a superioridade do belo sobre o feio, do sublime sobre o vulgar, do ideal de beleza absoluta. É pai de Esculápio, mítica figura de médico. Amou Dafne, ninfa que fizera voto de castidade aos deuses, perseguida pelo deus da luz, implorou a Gaia que lhe ajudasse, sendo transformada em um loureiro sagrado. Trágico também foi o seu amor pelo belo Jacinto, disputado com Zéfiro. Enciumado, Zéfiro fez com que Apolo atingisse mortalmente o amado quando arremessava um disco. Triste, o deus transformou o sangue do amante numa flor que leva o seu nome. Deus da poesia e da beleza, Apolo é sempre seguido pelas nove Musas e pelas três Graças, nos seus passeios pelos vales do Parnaso ou pelos bosques da Arcádia.

Ártemis, a Virginal Deusa da Caça

Ártemis, a Diana da mitologia romana, irmã gêmea de Apolo, filha de Zeus e da titânia Latona. A lenda dizia que Ártemis nascera no sexto mês de gestação e Apolo no sétimo. Era a deusa da Lua e da caça, pediu a Zeus que lhe desse como apanágio a virgindade eterna. Ártemis nunca amou nenhum mortal ou deus, nunca teve filhos, era a imagem da altiva rainha da natureza selvagem. Tem como animal símbolo o cervo. De uma beleza rara, a deusa emana o fulgor e vigor das caçadoras dos bosques, trazendo sempre consigo o arco e as setas. Como deusa da Lua, acreditava-se que exercia influência sobre alguns fenômenos naturais. A sua pureza virginal refletia o contato direto do homem com a natureza, sem destruí-la ou ofendê-la.

Dioniso, o Poderoso Deus do Vinho

Dioniso, o Baco da mitologia romana, filho de Zeus e da mortal Sêmele, uma princesa tebana. Sendo filho de pai divino e mãe mortal, Dioniso não era aceito como deus. A lenda do mito de Dioniso diz que ele descobriu a uva, uma fruta desconhecida, extraindo dela o vinho, bebida de efeitos poderosos. Dioniso utilizou-se dos efeitos do vinho para impor a sua divindade aos homens e aos seres olímpicos. Era o deus do vinho, da alegria, da embriaguez, das festas, da colheita e da fertilidade.O deus era seguido pelas Mênades (as Bacantes dos romanos), jovens mulheres que simulavam delírios dionisíacos, celebrando as orgias com gritos e danças desnorteadas. Com o seu cortejo, Dioniso viajava pela Grécia antiga, propiciando aos devotos alegria e felicidade. Através do vinho, as preocupações deixavam os corações humanos e os medos sucumbiam. A coragem crescia, a vida refulgia em seu esplendor. A embriaguez produzia além do prazer e da esperança, a selvageria e a loucura. O culto a Dioniso está ligado às origens do teatro. Com Afrodite, o deus gerou Príapo, famoso por seu vigor fálico. Uniu-se à Ariadne, com quem viveu para sempre.
 
publicado por virtualia às 21:50
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