Segunda-feira, 29 de Setembro de 2008

CHARLES CHAPLIN

 

 

 
Há pouco mais de trinta anos, no natal de 1977, o mundo perdia uma das figuras mais carismáticas do século XX, Charles Chaplin. Um ícone refletido na figura emblemática de Charlie (Carlitos), o romântico vagabundo de bigode, bengala e chapéu-coco. Imagem que povoa a mente de todas as pessoas do planeta.
Charles Spencer Chaplin nasceu em Walworth, Londres, em 1889. Filho de animadores do Music Hall, seus pais se separaram logo a seguir ao seu nascimento. A mãe tinha sérios problemas emocionais, que se agravaram com o tempo, o pai morreu quando Chaplin tinha ainda 12 anos, devido a problemas com bebidas. É da mãe que Chaplin herda o ludismo que carregaria para sempre na figura de Carlitos, quando criança esteve seriamente doente, ela sentava-se na janela e representava para o filho o que acontecia lá fora. Foi a mãe que lhe ensinou a cantar e a representar, e o menino Chaplin pisou nos palcos do Music Hall em 1894, aos cinco de idade.
Os problemas emocionais da mãe, juntando-se longos períodos de desemprego que ela passou, o alcoolismo do pai, trouxeram para a infância pobre de Chaplin momentos de internação em uma escola para crianças órfãs e destituídas de bens. Trabalhando regularmente nos teatros londrinos, Chaplin torna-se palhaço na companhia de comédia de Fred Karno.

A Figura Eterna do Vagabundo

Em 1912 segue com esta companhia para os Estados Unidos. A atuação de Chaplin na companhia de Karno foi vista pelo produtor de filmes Mack Sennet, que o contratou para trabalhar no estúdio Keystone Film Company. Iniciava-se uma das maiores carreiras cinematográficas da história. Charles Chaplin logo desponta no cinema mudo. É justamente no silêncio do cinema que cria o seu personagem malabarista, Charlie, ou Carlitos, como ficou conhecido no Brasil.
Com o adorável vagabundo Chaplin conquista o mundo. Faz desta personagem carismática um símbolo do século XX e do cinema que nascia no subúrbio de Hollywood, em Los Angeles. Carlitos torna-se o auto-retrato do homem no limiar da vida. Desprotegido do mundo, usa da inteligência para sobreviver, do carisma para conquistar e da sagacidade para incomodar os que estão à sua volta. A personagem empolga, mas toca na mesquinhez de quem a ladeia. Com o olhar triste e desprotegido, traz a completa solidão do homem diante de um mundo que se industrializa e se firma cada vez mais em um capitalismo selvagem. Carlitos traz sobre a sua proteção símbolos ainda mais desprotegidos do que ele diante da vida, como a criança abandonada pela mãe e encontrada pelo vagabundo (The Kid, 1921), ou a figura do cão rafeiro a acompanhá-lo. A figura do vagabundo é um ícone da galeria de personagens universais, não só do cinema, mas da arte moderna. Na sua contravenção e astúcia o reflexo do homem que luta contra o sistema, a liberdade vista como marginal e sem objetivos.

Um Homem de Cinema

Por trás da figura de Carlitos, Charles Chaplin revela-se um homem de negócios dentro da Sétima Arte. Funda com Mary Pickford, D. W. Griffith e Douglas Fairbanks Pai, em 1919, a United Artists, que se transformaria em um grande estúdio. Passa a dirigir os próprios filmes. Quando o som chega ao cinema em 1927, Chaplin permanece fazendo filmes mudos pela década de trinta. O seu primeiro filme sonoro só viria em “O Grande Ditador”, em 1940, sátira ao nazismo e à figura de Adolf Hitler.
Com “Tempos Modernos”, de 1936, Chaplin deixa claro o seu flerte com a esquerda. Suas posições políticas seriam responsáveis pela perseguição que iria sofrer quando da época da caça às bruxas deflagrada pelo macarthismo. Durante as décadas que viveu nos Estados Unidos, Chaplin jamais recorreu à nacionalidade americana, vivendo com visto de residência como qualquer outro estrangeiro. Acusado de comunista, numa visita à Inglaterra em 1952, foi impedido de entrar novamente nas terras do Tio Sam, tendo o seu visto negado pelo serviço de imigração daquele país. Chaplin decide viver na Suíça, de onde não mais iria sair. O velho senhor só retornaria à América em 1972, para receber o Oscar honorário (segundo da sua carreira) por sua obra e contribuição ao cinema. Em 1973 receberia o Oscar de melhor trilha sonora pelo filme “Luzes da Ribalta”, de 1952, mas só lançado em Los Angeles em 1972, devido à perseguição do macarthismo.
O último filme dirigido por Chaplin foi "A Condessa de Hong Kong", de 1967, protagonizado por Sophia Loren e Marlon Brando. Apesar do elenco, é um dos filmes que mais crítica negativa teve a sua carreira excepcional.
Em 1975, já livre das perseguições políticas devido às posições de esquerda, o adorável vagabundo do cinema tem o seu título de nobreza, é condecorado como cavaleiro de Sua Majestade, Elizabeth II, tornando-se Sir Charles Spencer Chaplin.

Casamentos

Na sua vida pessoal, Chaplin teve vários casamentos. Em 1918 casou-se com Mildred Harris, divorciando-se em 1920. Em 1924 casa-se com Lita Grey, casamento que duraria dois anos. Em 1936 um novo casamento com a estrela Paulette Goddard, que terminaria em divórcio em 1942. Aos 54 anos, em 1943, Charles Chaplin casou-se com Oona O’Neill, filha do dramaturgo Eugene O’Neill, Oona tinha na época apenas 17 anos. Viveria ao lado de Chaplin até a sua morte.
No dia 25 de dezembro de 1977, aos 88 anos, o velho vagabundo deixou para sempre os palcos do mundo. Naquele ano o natal foi mais triste. Uma figura que se tornou símbolo de cartões postais de esperança espalhados pelo mundo, sai de cena justamente no dia mais comemorado pelos cristãos, partindo de uma forma quase lúdica. Em 1978 ladrões roubam o seu corpo do cemitério de Vevey, Suíça, para extorquir dinheiro da família. O corpo só viria a ser encontrado dois meses depois, o que obrigou a família a construir uma cova de concreto com mais de 500 quilos.
Trinta anos depois da sua morte, a imagem jovial do vagabundo continua intacta na memória do planeta, e condenada a ser eterna, a jamais se apagar do universo contemporâneo. Dentro dos mitos do século XX., Carlitos talvez seja o que traz a maior identificação do homem com o lúdico e com a imagem de descaso diante do capitalismo erguido naquele século.

FILMOGRAFIA

Curta-Metragens

1914 - Between Showers (Dia Chuvoso ou Carlitos e Os Guarda-Chuvas)
1914 - A Busy Day (Carlitos Ciumento ou Carlitos e As Salsichas)
1914 - Caught in a Cabaret (Bobote em Apuros)
1914 - Caught in the Rain (Carlitos e a Sonâmbula)
1914 - Cruel, Cruel Love (Carlitos Marquês)
1914 - Dough and Dynamite (Dinamite e Pastel)
1914 - The Face on the Barroom Floor (Pintor Apaixonado ou Sobrado Mal-Assombrado)
1914 - The Fatal Mallet (A Maleta Fatal ou O Malho de Carlitos)
1914 - A Film Johnnie (Dia de Estréia)
1914 - Gentlemen of Nerve (Carlitos e Mabel Assistem as Corridas)
1914 - Getting Acquainted (Carlitos e Mabel de Passeio)
1914 - Her Friend the Bandit (Carlitos, Ladrão Elegante)
1914 – His Favorite Pastime (Carlitos Entre o Bar e o Amor)
1914 – His Musical Career (Carregadores de Piano)
1914 - His New Profession (Nova Colocação de Carlitos)
1914 - His Prehistoric Past (Passado Pré-Histórico)
1914 - His Trysting Place (O Engano)
1914 - Kid Auto Races at Venice (Corrida de Automóveis Para Meninos)
1914 - The Knockout (Dois Heróis ou Dois Heróis Encrencados)
1914 - Laughing Gas (Carlitos Dentista)
1914 - Mabel at the Wheel (Carlitos Banca o Tirano)
1914 - Mabel's Busy Day (Carlitos e as Salsichas)
1914 - Mabel's Married Life (Carlitos e Mabel se Casam)
1914 - Mabel's Strange Predicament (Carlitos no Hotel)
1914 - Making a Living (Carlitos Repórter)
1914 - The Masquerader (Carlitos Coquete)
1914 - The New Janitor (Carlitos Porteiro)
1914 - The Property Man (Carlitos na Contra Regra)
1914 - Recreation (Divertimento)
1914 - The Rounders (Na Farra)
1914 - The Star Boarder (Carlitos e a Patroa)
1914 - Tango Tangles (Carlitos Dançarino)
1914 - Those Love Pangs (Carlitos Rival no Amor )
1914 - Twenty Minutes of Love (Vinte Minutos de Amor)
1915 - The Bank (O Banco)
1915 - By the Sea (Carlitos à Beira Mar)
1915 - The Champion (Campeão de Boxe)
1915 - His New Job (Seu Novo Emprego)
1915 - His Regeneration
1915 - In the Park (Carlitos no Parque)
1915 - A Jitney Elopement (Carlitos Quer Casar)
1915 - Mixed Up
1915 - A Night Out (Carlitos se Diverte)
1915 - A Night in the Show (Carlitos no Teatro)
1915 - Shanghaied (Carlitos Marinheiro)
1915 - The Tramp (O Vagabundo)
1915 - A Woman (A Senhorita Carlitos)
1915 - Work (Carlitos Trabalhador)
1916 - Behind the Screen (Carlitos no Estúdio)
1916 - Burlesque on Carmen (Carmem às Avessas)
1916 - The Count (O Conde)
1916 - The Fireman (Carlitos Bombeiro)
1916 - The Floorwalker (Carlitos no Armazém)
1916 - One A.M. (Carlitos Boêmio)
1916 - The Pawnshop (Casa de Penhores)
1916 - Police! (Carlitos Policial)
1916 - The Rink (Carlitos Patinador )
1916 - The Vagabond (O Vagabundo)
1917 - The Adventurer (Carlitos Presidiário)
1917 - Chase Me Charlie
1917 - The Cure (Carlitos nas Termas)
1917 - Easy Street (Carlitos Guarda-Noturno)
1917 - The Immigrant (O Imigrante)
1918 - The Bond
1918 - A Dog's Life (Vida de Cachorro)
1918 - Shoulder Arms (Carlitos nas Trincheiras)
1918 - Triple Trouble (Carlitos em Apuros)
1919 - A Day's Pleasure (Um Dia de Prazer)
1919 - Sunnyside (Idílio Campestre)
1921 - The Idle Class (Os Ociosos)
1922 - Pay Day (Dia de Pagamento)
1923 - The Pilgrim (Pastor de Almas)


Longa-Metragens

1914 - O Idílio Desfeito (1914)
1921 - The Kid (O Garoto)
1921 - The Idle Class (Os Clássicos Vadios)
1923 - A Woman of Paris (Casamento ou Luxo?)
1925 - The Gold Rush (Em Busca do Ouro)
1928 - The Circus (O Circo)
1931- City Lights (Luzes da Cidade)
1936 - Modern Times (Tempos Modernos)
1941 - The Great Dictator (O Grande Ditador)
1947 - Monsieur Verdoux (1947)
1952 - Limelight (Luzes da Ribalta)
1953 - Um Rei em Nova York
1967 - A Countess From Hong Kong (A Condessa de Hong Kong

 
 

 
 

 
 

 
 
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