Sexta-feira, 30 de Outubro de 2009

LIVROS SAGRADOS

 

 
Nos primórdios das grandes civilizações da humanidade, as religiões eram essencialmente politeístas. Eram passadas pelas gerações através de rituais considerados sagrados, sem uma tradição escrita. A partir do momento que o monoteísmo expandiu a sua fé, o registro das leis sagradas e dos princípios da fé começou a fazer parte destas religiões. A cultura escrita passou a ser a principal forma de não se deixar perder os ensinamentos das religiões. Surgiu a literatura sagrada, os livros sagrados.
Atualmente, as principais religiões do mundo, monoteístas ou politeístas, transmitem as suas tradições e ensinamentos através da escrita, com livros considerados sagrados, revestidos de grande cultura erudita, sabedoria existencial, doutrina, ecumenismo religioso e intelectual.
A Bíblia, o livro sagrado mais conhecido no mundo ocidental, é a literatura fundamental do cristianismo, sendo composto pelos livros judaicos (Antigo Testamento) e pelos princípios da doutrina cristã (Novo Testamento). Sobre o livro, conceitos fundamentais do islamismo foram estabelecidos, traduzidos pelo Alcorão, escrito sobre as recitações reveladas ao profeta Maomé. A Torá, gênese das religiões abraâmicas, é o livro sagrado dos judeus, sendo identificada na Bíblia cristã como Pentateuco. Religiões politeístas também trazem registros escritos dos seus ensinamentos, como o Bhagavad Gita, o livro mais influente do hinduísmo; e, o Dhammapada, que traz a essência dos ensinamentos básicos do budismo.
Sagrados, sábios, eruditos, históricos, os livros religiosos têm como função transmitir os ensinamentos milenares da fé humana, assegurando-a para as gerações futuras, evitando que se deturpe as tradições, e fazendo que se conheça a saga dos homens que, em um momento único de inspiração, receberam a palavra divina e os seus preceitos.

Torá, a Escrita Sagrada do Judaísmo

Torá, que em hebraico significa “Lei”, é um conjunto de cinco livros escritos originalmente em rolos, trazendo os preceitos principais da legislação mosaica. Segundo a tradição histórica, o texto de inspiração divina, foi transmitido diretamente por Deus a Moisés. Cada livro é denominado pela primeira palavra do texto em hebraico: Berechit, Chemol, Vayiqrá, Bammidbar e Elleh hadevarim. Na tradução grega das escrituras hebraicas, os livros passaram a ser chamados de Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio, respectivamente, de forma que sintetizasse o assunto dominante. Esta denominação passou para a versão latina, sendo assim chamados na Bíblia cristã, constituindo o Pentateuco do Antigo Testamento.
Os livros sagrados do judaísmo estão divididos em três partes: a Lei (Torá), os Profetas (Nebiím) e os Escritos (Ketubim). Juntando as iniciais destas três designações, forma-se o conjunto chamado em hebraico, de Tanak.
A Torá, responde aos questionamentos fundamentais da existência humana e das religiões, como a criação do mundo, a origem da morte. É o livro das promessas de Deus, do código da aliança entre Deus e Israel. Traz a história da origem do povo judeu, desde a criação do mundo, ao exílio e escravidão no Egito, o êxodo através do deserto, e a revelação das palavras divinas a Moisés, no Monte Sinai. Os cinco livros que compõem a Torá têm a sua origem e redação atribuída a Moisés, apesar de ser contestada. Há teorias que admitem que a sua composição foi feita oralmente e por escritos anteriores a Moisés, assim como adições posteriores a ele. Mas, tradicionalmente, Moisés é o autor e o legislador da Torá.
A partir deste livro sagrado, nasceu a religião monoteísta do mundo ocidental, dando origem ao judaísmo, cristianismo e islamismo. Os comentários e preceitos que envolvem a mística divina da Torá foram compilados em um conjunto de textos do judaísmo, o Talmude, um legislador e intérprete dos problemas judeus no seu dia a dia, harmonizando com a essência da Lei.

A Bíblia, o Grande Livro do Cristianismo

Bíblia, do grego byblos, significa “livro”, designado de “Livro por excelência”, tido como sagrado, quer pelos judeus, quer pelos cristãos.
A Bíblia reconhecida pelos judeus é dividida, como foi dito acima, em três partes (Torá – a Lei, Nebiím – os Profetas e, Ketubim – os Escritos), chamadas de Tanak.
A Bíblia cristã é formada pelo Antigo Testamento, ou seja, os escritos judaicos (Tanak), anteriores a Cristo; e pelo Novo Testamento, que traz os escritos sagrados a partir de Jesus Cristo. Os judeus não reconhecem Jesus Cristo como o profeta messiânico, portanto recusam o Novo Testamento.
Dentro dos livros do Antigo Testamento, sete não são aceitos pelos judeus, pelos cristãos evangélicos e ortodoxos russos: Tobias, Judite, Sabedoria, 1 Macabeus, 2 Macabeus, Eclesiástico e Baruc; sendo todos eles reconhecidos pela igreja católica e pela igreja ortodoxa. Estes livros são chamados de apócrifos, ou seja, não-inspirados por Deus, com um sentido apenas histórico.
Também a classificação judaica dos livros do Tanak diverge da classificação da Bíblia cristã. Depois do Pentateuco (os cinco livros atribuídos a Moisés), os judeus classificam seis livros chamados de Profetas Anteriores (Josué, Juízes, 1 Samuel, 2 Samuel, 1 Reis, 2 Reis), seguindo-se-lhes os Profetas Posteriores (Isaías, Jeremias, Ezequiel e os doze profetas menores). Os Escritos trazem, nesta ordem, os Salmos, os Provérbios, , Cântico dos Cânticos, Rute, Lamentações, Eclesiastes, Ester, Daniel, Esdras, Neemias, 1 Crônicas e 2 Crônicas.
O Novo Testamento traz os livros evangélicos (Mateus, Marcos, Lucas e João), que contam a vida de Cristo, sua pregação, parábolas, ensinamentos, sua morte e a sua ressurreição; além de livros doutrinais e epístolas, que dão continuação à palavra de Cristo após a sua morte, formando um conjunto de preceitos essenciais para a base do cristianismo, nascido da velha profecia messiânica judaica, tendo como Cristo o cumpridor desta profecia. O Novo Testamento encerra-se com a visão apocalíptica do apóstolo João, e das revelações feitas a partir deste livro. Esta parte da Bíblia surgiu na segunda metade do século I, dando origem aos alicerces cristãos e ao rompimento com o judaísmo.
Grande parte do Antigo Testamento foi escrito em hebraico, com exceção de alguns trechos dos livros de Daniel e Ester, redigidos em aramaico. Na época que Cristo viveu, o aramaico havia suplantado o hebraico (confinado à liturgia) como língua falada na Palestina. Jesus ensinou em aramaico, mas a língua desapareceu diante da disseminação das línguas grega e latina. Os livros do Novo Testamento, com exceção do de Mateus, escrito em aramaico, foram todos redigidos em grego.
Os livros da Bíblia teriam sido escritos em 1300 anos, abrangendo um período de mais de 2000 anos de duração, sendo que mais de 3300 anos decorreram até os tempos atuais.
A Bíblia prega no seu todo, um Deus único e universal, tendo como mensagem fundamental os princípios do homem atrelados à Lei, aos ensinamentos, aos códigos morais, que traduzem da fraternidade, humildade, simplicidade e felicidade, nas promessas de uma ressurreição dos mortos e da vida eterna, perdidas pela desobediência de Adão, redimidas na promessa messiânica. Dentro desta obra monumental da literatura universal, encontramos vários gêneros literários: histórico, poético, épico, jurídico, sapiencial e de teor sagrado.

Alcorão, o Livro Sagrado do Islamismo

O Alcorão, que quer dizer recitação ou leitura, do árabe qur’ãn, teria sido composto a partir das revelações de Deus a Maomé, mediadas pelo arcanjo Gabriel. Abraçado pelo anjo, Maomé recitou uma primeira vez, continuando a fazê-lo por 23 anos, a cada vez que lhe falava o anjo. As palavras divinas recitadas por Maomé (Muhammad ibn Abdallah), foram reunidas versículo por versículo no livro sagrado do Alcorão.
O livro é composto por 114 capítulos (ou textos), designados de suras, que traz textos longos, seguidos de capítulos mais breves, ordenados por temas, não por uma narrativa cronológica como na Bíblia.
Todo muçulmano deve conhecer profundamente o Alcorão, em árabe, língua original do profeta Maomé e dos ensinamentos por ele proferidos. Apenas em árabe é que se reconhece o livro sagrado como Alcorão, sendo as suas traduções chamadas de “significado do Alcorão”. As palavras ganham musicalidade em árabe, tendo um estilo belíssimo entre a prosa e a poesia, sendo consideradas sagradas todas as palavras que nele se encontram.
No Alcorão, Deus é único e onipotente. Seu sentido monoteísta foi herdado do judaísmo, sendo Ismael, filho de Abraão e da escrava Agar, o pai de todos os árabes. O anjo que ditou as palavras a Maomé foi Gabriel, o mesmo que avisara Maria da sua gravidez. O livro admite que Abraão, Moisés e Jesus são profetas que tiveram inspiração divina. Assim, o islamismo, o judaísmo e o cristianismo, fazem parte das religiões monoteístas do grupo abraâmico.
Apesar das controversas históricas atuais, geradas principalmente, pelos conflitos entre árabes e judeus, onde muitos tentam atribuir a violência ao livro sagrado, o Alcorão traz como mensagens principais: a justiça, a generosidade, a bondade e igualdade entre os homens, sem lhes distinguir por raça, cor e condição social, sendo composto por preceitos universais, iguais para qualquer homem.
Além do livro sagrado do Alcorão, Maomé, ao morrer em 632, deixou seu exemplo de vida para ser seguido. Esta tradição é chamada em árabe de suna, sendo composta pelos atos e dizeres de Maomé, chamados de hadiths (ditos e feitos).

Mahabharata, o Grande Épico do Hinduísmo

Traduzido como “A Grande História dos Bharatas”, é um dos grandes épicos da literatura religiosa universal, o maior da civilização indiana, sendo ainda, considerado o maior poema de todos os tempos, com cerca duzentos mil versos. Segundo a tradição, originalmente bharatas queria dizer em sânscrito, “saqueadores”, termo que teria dado nome às tribos arianas que teriam ocupado a península da Índia por volta de 1700 a.C. Esta suposta invasão não é consenso para os historiadores atuais.
Acredita-se que a sua tradição oral seja bem mais antiga, e, que a maioria dos versos do livro foram compilados no século IV a.C., mas foi no século II d.C. que ganhou a sua estrutura definitiva. O Mahabharata, assim como outras escrituras sagradas do hinduísmo, como os Vedas e os Puranas, tem a sua coletânea creditada ao mítico sábio Vyasa.
O épico narra a guerra entre as famílias Karauvas e Pandavas, que apesar de laços próximos de parentesco, enfrentavam-se pela posse de um reino no norte da Índia. É o confronto final desta guerra, a Batalha de Kurukshetra, ocorrida na cidade deste nome, que dá origem ao Bhagavad Gita, o livro mais influente do hinduísmo. Parte essencial do Mahabharata, o Bhagavad Gita (Canção do Divino Mestre ou Canção do Senhor), narra as indagações de Arjuna, nos momentos que antecedem a uma batalha na Índia antiga. Arjuna, um príncipe que tem a consciência abalada por combater amigos e familiares, hesita em continuar a luta, dialogando com o deus Krishna o sentido da vida. O deus convence-o de que aquela guerra faz parte do destino do seu povo e não pode ser evitada. A narrativa centra-se na ética do guerreiro, que impelido pelo destino, trava uma sangrenta batalha final, que após 18 dias de conflito, deixa apenas cinco sobreviventes para perpetuar a dinastia dos Pandava.
Escrito em sânscrito, o Bhagavad Gita, traz como essência a alma como o verdadeiro eu, não o corpo físico. Incita o ascetismo, à devoção e à busca humana como caminho da evolução do indivíduo. É neste livro que aparece a teoria do Karma, fundamental para a compreensão do hinduísmo, e o grande diferencial das religiões politeístas para as monoteístas. O Bhagavad Gita teria sido escrito no século III a.C. Os hindus acreditam que a leitura dos seus versos é capaz de aniquilar todos os pecados e impurezas.

Dhammapada, os Provérbios de Siddharta Gautama

No budismo, vários livros são tidos como essenciais para a sua compreensão. O Dhammapada, que em língua páli pode ser traduzido como “caminho da virtude”, é um conjunto de ensinamentos básicos do budismo.
Segundo a tradição, o Dhammapada seria uma coletânea de provérbios proferidos por Siddharta Gautama, o Buda, durante os 45 anos da sua pregação espiritual pelo mundo. Está escrito em uma linguagem simples e sintética, elucidando que cada ser humano é o único que se pode ajudar, sendo a presença dos Budas apenas um sinal de orientação no meio dos esforços pessoais de cada um. Os escritos condenam tenazmente o ascetismo e grandes sacrifícios físicos. A força pessoal é o maior credo budista.
O Dhammapada debruça-se sobre temas como severidade, maldade, amizade, castigo e pensamento, e, essencialmente, a obra dedica-se à bondade que há em todos os seres, pregando a não violência entre os homens.A origem e autoria da obra jamais chegaram a ser estabelecidas, sendo a sua essência principal talhada na mensagem espiritual dos ensinamentos de Siddharta Gautama, o Buda, que viveu entre os anos 560 e 480 a.C.
publicado por virtualia às 14:43
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