Terça-feira, 5 de Agosto de 2008

JOGOS OLÍMPICOS E A POLÍTICA DAS NAÇÕES

 

 

Desde 1896, de quatro em quatro anos, as nações do planeta reúnem-se em alguma parte do mundo, para a realização dos jogos olímpicos. São as chamadas olimpíadas de verão, seguidas pelos eventos menores – as olimpíadas de inverno e os jogos para-olímpicos, para deficientes físicos. A confraternização é feita através da disputa entre as nações, representadas pelos seus maiores atletas. Os jogos olímpicos representam hoje, um poderoso prestígio para os países que deles participam e para o país que recebe o evento. A sua realização tomou dimensões políticas profundas através dos tempos, onde todas as ideologias e regimes políticos do planeta, autoritários ou democráticos, neles respingaram e foram refletidos pelos povos da terra.
Originários na Grécia antiga, desde que foram recriados nos tempos atuais, os jogos olímpicos só deixaram de ser realizados em época de guerra: em 1916, durante a Primeira Guerra Mundial (1914 -1918), e, em 1940 e 1944, durante a Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945). Não só as duas guerras mundiais deixaram uma nuvem negra sobre os jogos, como também a Guerra Fria (1946 – 1989) e o terrorismo causaram danos irreversíveis à confraternização. Em tempos da globalização, os Jogos Olímpicos de Pequim, realizados em 2008, são marcados pelas manifestações contra as repressões e à anexação do Tibet pela China. Mais de 100 anos se passaram desde que os jogos olímpicos da era moderna foram introduzidos no planeta, ruíram regimes e impérios, mas os problemas das nações estão longe de uma solução.

As Olimpíadas Através dos Tempos

Os primeiros jogos olímpicos surgiram na Grécia, por volta de 2700 a.C., como celebração aos deuses, principalmente a Zeus, o senhor do Olimpo. Eram realizados de quatro em quatro anos, reunindo atletas de todas as cidades gregas em Olímpia, cidade do Peloponeso. Os jogos serviam para manter a paz entre as cidades helênicas, servir e homenagear os deuses e, para manter a perfeição do corpo, que era uma das perseguições do ideal grego. Ao fim das competições, os atletas vitoriosos recebiam uma coroa de louros como prêmio. A partir de 775 a.C., o local de realização dos jogos, Olímpia, cedeu o seu nome para o evento, que passou a ser chamado de jogos olímpicos.
Os jogos olímpicos foram realizados na Grécia até o ano de 394 d.C. Com o surgimento do cristianismo e a conversão do mundo antigo a esta religião, o evento foi tido como resquício das tradições pagãs, os deuses tornaram-se mitos e, naquele ano, o imperador Teodósio II, já feito cristão, ordenou o fim das olimpíadas gregas.
Só no fim do século XIX, o francês Pierre de Frédy, o Barão de Coubertin, organizou um congresso internacional em 23 de Junho de 1894, na Sorbonne, em Paris, para criar o Comitê Olímpico Internacional (COI). Dois anos depois, em 1896, foram realizados os I Jogos Olímpicos, em Atenas, na Grécia, a pátria das olimpíadas da Antigüidade. Desde então, com exceção dos períodos de guerra, eles acontecem de quatro em quatro anos.

Evolução dos Jogos Atuais

Desde a sua criação, em 1896, os jogos olímpicos da era moderna, sofreram várias transformações, até adquirir o formato atual.
Criado a princípio, para atletas masculinos, em 1900 passou a contar com a participação de atletas do sexo feminino.
A bandeira olímpica, branca com os cinco anéis entrelaçados, que representam os continentes (azul, Europa; amarelo, Ásia; preto, África; verde, Oceania e vermelho, América). Idealizada pelo Barão de Coubertin, em 1913, foi apresentada no congresso olímpico de 1914, em Alexandria (Grécia). Foi içada pela primeira vez nos jogos olímpicos de Antuérpia, em 1920. A mesma bandeira foi usada até 1984, nos jogos olímpicos de Los Angeles. Nas olimpíadas de Seul foi confeccionada uma nova bandeira. A bandeira deve ficar guardada no corredor da cidade anfitriã até os próximos jogos.
Em 1936, as olimpíadas de Berlim instituíram a chegada da tocha olímpica e o acender de uma pisa como parte da cerimônia de abertura.

As Olimpíadas e a Política das Nações

Os reflexos da política dos regimes instituídos pelas nações, tornaram-se claros nas olimpíadas de Berlim, em 1936. A Alemanha nazista estava no seu auge. Hitler queria provar a superioridade da raça ariana diante do mundo. Ele próprio supervisionou os preparativos dos jogos, o evento foi usado como máquina de propaganda do estado nazista. O mundo viu surgir superatletas alemães, e, com mais surpresa, negros americanos a superar os titãs arianos. James Cleveland, o Jesse Owens, ganhou quatro medalhas de ouro. Hitler recusou-se a entregar, através das suas mãos, as medalhas ao atleta, enviando um representante de hierarquia inferior para fazê-lo. Foram os últimos jogos olímpicos até o fim da Segunda Guerra Mundial, que só retornariam em 1948, em Londres.
Com o fim das guerras mundiais, o surgimento da guerra fria, onde Estados Unidos e União Soviética lutavam pelo poder no mundo, marcou e caracterizou os jogos até as olimpíadas de Seul, em 1988, um ano antes da queda do muro de Berlim. Os dois países disputaram medalha a medalha, fazendo de cada uma delas a propaganda e símbolo do poder dos regimes que representavam no planeta.
O terrorismo deixou marcas indeléveis nos jogos olímpicos. A maior tragédia aconteceu nos jogos olímpicos de Munique, na então Alemanha Ocidental, em 1972 . Em 5 de setembro, terroristas árabes do Movimento Setembro Negro, invadiram a vila olímpica, mataram dois membros da equipe de Israel e fizeram outros nove de reféns, resultando na morte de 11 israelenses (David Berger, Ze'ev Friedman, Joseph Gottfreund, Eliezer Halfin, Joseph Romano, Andrei Schpitzer, Amitsur Shapira, Kahat Shor, Mark Slavin, Yaakov Springer e Moshe Weinberg). Os jogos olímpicos foram paralisados por 34 horas devido ao "Massacre de Munique".
Nas olimpíadas de Montreal, no Canadá, em 1976 , atletas de Camarões, Egito, Marrocos e Tunísia competiram antes de seus países se retirarem dos jogos olímpicos, devido ao boicote anti-Apartheid. 28 países (26 países, além de Iraque e Guiana) boicotaram os jogos olímpicos devido à participação da Nova Zelândia. A seleção da Nova Zelândia de rugby union (All Blacks) realizou uma excursão à África do Sul, país banido pela política racial do Apartheid.
Em 1979, a União Soviética invadiu o Afeganistão. As conseqüências políticas desta invasão vieram nas olimpíadas de Moscou, ex-União Soviética, em 1980. 70 países liderados pelos Estados Unidos, boicotaram os jogos, em protesto à invasão soviética do Afeganistão. Atletas da Libéria desfilaram na cerimônia de abertura, mas o país se retirou dos jogos. França, Portugal, Reino Unido e outros países ocidentais, aderiram ao boicote, mas não proibiram seus atletas de disputar as competições, enviaram delegações menores e competiram sob a Bandeira Olímpica.
Em 1984, nas olimpíadas de Los Angeles, EUA, foi a vez do boicote soviético, que afastou 15 países socialistas das competições. A União Soviética alegou que a autoridades norte-americanas fazia dos jogos uma arena política que não garantiam a segurança dos seus atletas.
1988, quando a União Soviética e os regimes socialistas europeus entravam no crepúsculo da sua existência, a guerra fria, já agonizante, atingia os jogos olímpicos de Seul, Coréia do Sul: em solidariedade à Coréia do Norte, que se afastou dos jogos por não lhe ser permitindo sediar parte deles, Cuba boicotou o evento. A Nicarágua declinou do convite devido à sua situação política interna. É a ultima olimpíada da União Soviética, que voltaria ainda em 1992, em Barcelona, já desfeita e com o nome de Comunidade de Estados Independentes (CEI).
Mas para quem pensou que os conflitos encerrar-se-iam com o fim da guerra fria, surpreendeu-se quando, em 1996, no aniversário dos 100 anos dos jogos, quando as olimpíadas de Atlanta, Estados Unidos, foram marcadas pela volta do terrorismo, com a explosão de uma bomba no Parque Olímpico, que matou duas pessoas, trazendo a sombra do medo de volta ao cenário olímpico.
Agora, em 2008, nas olimpíadas de Pequim, na China, a tocha olímpica foi impedida de dar a volta aos continentes pacificamente. Em Paris, Londres e São Francisco, violentas manifestações a favor do Tibet, impediram que o tradicional desfile da tocha seguisse tranqüilamente a sua volta ao mundo. Mudam-se os tempos, mas o autoritarismo das nações continua a ser a grande mancha negra da confraternização dos jogos olímpicos.

Cronologia das Olimpíadas:

1896 - I Olimpíada - Atenas, Grécia
1900 - II Olimpíada - Paris, França
1904 - III Olimpíada - Saint Louis, Estados Unidos
1908 - IV Olimpíada - Londres, Reino Unido
1912 - V Olimpíada - Estocolmo, Suécia
1916 - VI Olimpíada - Não realizada
1920 - VII Olimpíada - Antuérpia, Bélgica
1924 - VIII Olimpíada - Paris, França
1928 - IX Olimpíada - Amsterdã, Holanda
1932 - X Olimpíada - Los Angeles, Estados Unidos
1936 - XI Olimpíada - Berlim, Alemanha
1940 - XII Olimpíada - Não realizada
1944 - XIII Olimpíada - Não realizada
1948 - XIV Olimpíada - Londres, Reino Unido
1952 - XV Olimpíada - Helsinque, Finlândia
1956 - XVI Olimpíada - Melbourne, Austrália
1960 - XVII Olimpíada - Roma, Itália
1964 - XVIII Olimpíada - Tóquio, Japão
1968 - XIX Olimpíada - Cidade do México, México
1972 - XX Olimpíada - Munique, Alemanha Ocidental
1976 - XXI Olimpíada - Montreal, Canadá
1980 - XXII Olimpíada - Moscou, União Soviética
1984 - XXIII Olimpíada - Los Angeles, Estados Unidos
1988 - XXIV Olimpíada - Seul, Coréia do Sul
1992 - XXV Olimpíada - Barcelona, Espanha
1996 - XXVI Olimpíada - Atlanta, Estados Unidos
2000 - XXVII Olimpíada - Sydney, Austrália
2004 - XXVIII Olimpíada - Atenas, Grécia
2008 - XXIX Olimpíada - Pequim, China
 
 
 
publicado por virtualia às 16:19
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