Quinta-feira, 26 de Novembro de 2009

O MONTE DOS VENDAVAIS - EMILY BRONTË

 

 
Quando “O Morro dos Ventos Uivantes” – “Wuthering Heights” no título original – foi publicado, em 1847, chocou a conservadora sociedade inglesa, diante de uma história de amor instigante, que quebrava com todos os estilos da época. O amor era retratado à flor da pele e do ódio, na sua mais selvagem concepção, descrito em páginas de atmosfera arrebatadora, onde a crueldade humana é relatada de forma explícita, debatendo-se com a sensualidade e os sentimentos, a moral vigente e a moral imposta, feita pelos traumas e pelo desejo da vingança, entre momentos ternos ou de pura violência cotidiana, arraigados na falta de contemplação diante da brutalidade humana.
Emily Brontë, mulher taciturna e introspectiva, revelou nas páginas da sua obra-prima uma criatura explosiva, além do seu tempo e das suas concepções morais. “O Morro dos Ventos Uivantes” não debate a moralidade da época, mas a desfaz diante dos sentimentos incontroláveis da mente humana, arrebatada pela falta de razão e pelos impulsos das paixões. Heathcliff, a personagem central masculina, é o próprio anti-herói, movido pelo amor que tem por Catherine e pelo desejo de vingança aos que o humilhou pela vida e contribuíram para a perda física deste amor. No seu mundo não há limites para a crueldade, ele usa da tortura física e mental para destruir todos que se lhe puseram à frente. Nada o detém, a não ser o seu amor incondicional por Catherine, amor que vence à morte e ao tempo, mas que também é responsável por sua degradação moral, loucura e morte física. Heathcliff é uma das personagens mais inquietantes da literatura universal. Desperta ódio e paixão entre os leitores, é a própria essência bruta de todos os sentimentos.
O Morro dos Ventos Uivantes” foi tido como maldito quando do seu lançamento, com severas críticas à autora, que se escondia sob um pseudônimo masculino. Para muitos críticos era impossível uma história tão densa ter saído da mente de uma mulher, vista por alguns como se tivesse um demônio dentro de si para criar tão amoral personagem. Ao contrário de “Jane Eyre” e “Agnes Grey”, romances de Charlotte Brontë e Anne Brontë respectivamente, irmãs da autora, que se tornaram sucesso de critica e leitores, “O Morro dos Ventos Uivantes” sofreu com a rejeição dos leitores ingleses, que não sabiam onde situar a obra, com sua trama complexa transitando entre um romantismo desconstruído e um realismo silvestre.
O Morro dos Ventos Uivantes” causou não só um mal-estar nos leitores, como no próprio gênero literário da época, com sua temática e estilo despidos do maniqueísmo moralista vigente, onde os bons e os maus não se distinguiam entre as personagens. O livro quebrava com o retrato literário do seu tempo, fugia ao romantismo estilizado e sucumbia ao realismo literário puro, desfazendo o momento literário em que foi escrito. Com o passar do tempo, quebraram-se os preconceitos e “O Morro dos Ventos Uivantes” tornou-se imprescindível, a obra mais importante escrita na literatura inglesa daquele tempo.
Obra única de Emily Brontë, ela não sobreviveria para ver a sua história com o passar do tempo, ser classificada como uma das mais belas da literatura inglesa e universal; morreria um ano depois da sua publicação.

Heathcliff, a Criança Órfã Vinda das Ruas

O Morro dos Ventos Uivantes” narra de forma arrebatadora e apaixonante, a saga de Heathcliff, do seu amor e, principalmente, do seu ódio secular pela humanidade. A história atinge a duas gerações de personagens, inseridas em ambientes hostis, de paisagens sombrias, destiladas pelos ventos gelados dos invernos da Inglaterra, cuja paisagem tempestuosa traz os murmúrios das lembranças, os mistérios de uma existência dilacerada pelo amor e pelo ódio.
A narrativa é feita por uma personagem neutra, o Sr. Lockwood, o novo inquilino da granja Thrush Cross (Granja da Cruz), que em um dia de tempestade de neve, decide fazer uma visita de cortesia ao seu senhorio e vizinho, Heathcliff, morador de Wuthering Heights. Recebido com frieza, quase com hostilidade, o visitante depara-se com Heathcliff e um casal de jovens, que lhe desperta a curiosidade. É a partir desta visita, que Lockwood detém-se em saber mais sobre aquelas personagens, para isto conta com a velha governanta Ellen Dean, conhecida por Nelly, personagem que servira a duas gerações daquela família.
Nelly Dean, que segundo alguns historiadores, foi uma singela homenagem de Emily Brontë à fiel empregada da sua casa, Thabitha, ou Taby. Persuadida por Lockwood, Nelly, testemunha ocular de tudo que se passou naquelas terras, passa a narrar para o inquilino a história de Heathcliff e de todos que o ladearam.
O lapso do tempo é feito através das lembranças de Nelly, que retroage, voltando ao momento em que o dono de Wuthering Heights, o Sr. Earnshaw, regressa de uma das suas viagens a Liverpool, trazendo consigo um menino órfão de sete anos, que encontrara faminto e abandonado nas ruas da cidade. Era Heathcliff, uma criança obscura, cuja origem não nos é revelada. De aspecto assustado, mas sombrio, o menino é visto por todos os habitantes da casa como um cigano bastardo. A chegada de Heathcliff ainda menino a Wuthering Heights, embora menosprezada por todos, traz o presságio definitivo das mudanças que transformariam o lugar e atingiriam todos os moradores.
O Sr. Earnshaw tem dois filhos, Hindley, já um rapazinho, e Catherine, que possui pouca diferença de idade de Heathcliff. O temperamento do patriarca é rude, feito na solidão dos ventos daquele lugar isolado, sem qualquer lapidação cultural. Sua generosidade é fugaz, mas existente. Decide adotar Heathcliff, a ele afeiçoando-se e identificando-se com o seu temperamento bruto. Esta identificação com Heathcliff afasta o Sr. Earnshaw de Hindley, que se sente preterido ao amor do pai. Hindley passa a nutrir um ódio reprimido ao órfão, sentimento que causaria estragos indeléveis, responsáveis por uma amargura ressentida que no futuro traria dor a ele e aos seus descendentes.
Ao contrário do irmão, Catherine nutre um fascínio por Heathcliff, unindo o seu destino ao do estranho numa espécie de pacto dissimulado, beirando ao amor eterno e à redenção da alma e da moral. Heathcliff idolatra Cathy, fazendo dela a sua referência aos sentimentos. Ambos desenvolvem uma cumplicidade que só eles percebem, tecendo-a com frágeis fragmentos do amor e da volúpia caprichosa.

O Amor Entre Heathcliff e Catherine

O ódio contido de Hindley vem à tona quando o Sr. Earnshaw morre. Como herdeiro de Wuthering Heights, será ele quem ditará as regras do lugar, comandará os servos e o destino de todos que ali vivem. De uma forma vingativa, Hindley submete Heathcliff a grandes humilhações, impedindo a sua educação, impregnando a sua alma com a rudeza perene, quase selvagem. Submete o órfão a todos os trabalhos servis e degradantes.
A amizade exacerbada entre Catherine e Heathcliff incomoda profundamente a Hindley, que tenta afastá-los de todas as formas. Para isto investe nos maus tratos ao rapaz, tratando-o injustamente, criando barreiras e evidenciando as diferenças de classe social e de educação.
No meio da paisagem inóspita do morro dos ventos uivantes, surge vizinho, a granja Trush Cross, habitada pelos Linton, entre eles os irmãos Edgar Linton e Isabella Linton, que tinham idades aproximadas as de Heathcliff e Catherine. Gentis e educados, os irmãos Linton aproximam-se de Catherine. Esta amizade é incentivada por Hindley, que quer ver a irmã afastada da rudeza de Heathcliff.
O tempo passa, Catherine e Heathcliff crescem, nutrindo uma paixão incontida um pelo outro. À medida que crescem, as diferenças culturais entre ambos aumentam, sendo mais evidenciadas diante da amizade de Catherine com os irmãos Linton. Se as diferenças são claras, os sentimentos entre eles tornam-se obscuros, aflorando entre desejos contidos e uma paixão avassaladora.
Hindley fizera de Heathcliff um ser selvagem, com uma delicadeza voltada apenas para Catherine. Diante da brutalidade do amado, ela vacila com os sentimentos. Catherine é voluntariosa, dona de uma índole instável e de uma moral construída sem grandes alicerces, fazendo com que a ventania a derrube. Quanto mais ama Heathcliff, mais vê a sua vida encerrada em um isolamento social, longe da convivência, sua personalidade apesar de forte, perde-se nas indecisões que se lhe apresentam a vida e as condições sociais.
Entre as indecisões de Catherine, Edgar Linton surge como jovem apaixonado e disposto a desposá-la. Dividida entre a quase selvageria de Heathcliff e a ternura educada de Edgar, entre as origens ciganas de um e a riqueza familiar de outro, Catherine opta pela segurança social. Decide-se pelo jovem Linton, aceitando o seu pedido de casamento.
Heathcliff sofre diante da ameaça de perder a mulher que ama. Silenciosamente, ouve Catherine confessar a Nelly que ela se decidira por Edgar Linton, apenas por achar que Heathcliff não era um cavalheiro, que um casamento com ele estragaria a sua reputação, minando a sua real posição social. Heathcliff sente-se ferido de morte. Decide deixar Wuthering Heights, desaparecendo no meio da noite. Catherine sofre com a partida do amado, para amenizar a dor, abraça o destino que escolhera, casando-se com Edgar Linton, indo viver na granja do marido. O vento cortante sopra sobre Wuthering Heights, já lá não habitam Heathcliff e Catherine.

Fragmentação Emocional e Morte de Catherine

O tempo passa monótono, quase feliz para Catherine, que vive submersa em sua inquietação íntima. Sua vida de casada sofre a violência dos ventos, quando estes trazem de volta Heathcliff. O retorno não é de um homem rude, mas de um cavalheiro rico e dissimulador dos sentimentos.
A autora não revela por onde andou Heathcliff, muito menos como alcançara fortuna, deixando no ar não só um mistério, como a certeza de que a personagem enriquecera através de negócios escusos e poucos esclarecedores. Debaixo da máscara de cavalheiro, Heathcliff ocultava o homem amargurado, disposto a vingar-se de todos que lhe maltrataram, principalmente de Hindley e de Edgar Linton.
Catherine deixa-se seduzir pelo novo Heathcliff, agora um cavalheiro digno da sua condição social. Mas ela já está casada com Linton, uma verdade que não pode esquecer. Inconseqüente e voluntariosa, Catherine quer os dois homens da sua vida ao seu lado. Mas os mundos de Heathcliff e Linton são inconciliáveis, ambos sentem ciúmes um do outro, e a própria Catherine é a razão do distanciamento que se interpõe em suas vidas. O frágil caráter emotivo de Catherine a desequilibra, ferindo o marido e a ela própria.
A convivência entre a paixão devastadora de Heathcliff e o amor brando de Linton torna-se insuportável. A disputa psicológica entre os dois homens gera discussões, levando Catherine a um redemoinho emocional do qual não se consegue desvencilhar, responsável por sua debilitação mental e física. Catherine não resiste às contradições da sua vida, morrendo ao dar à luz a uma filha, fruto do seu casamento com Edgar Linton.
Ao matar Catherine, a heroína da trama, no meio da história, Emily Brontë quebra com toda a estrutura do romance de gênero romântico, fazendo do seu livro a inovação de um estilo, sem classificá-lo em gênero literário algum, estabelecendo-o em uma verve atemporal, órfão do romantismo e do realismo do século XIX.

A Vingança Implacável Contra Hindley Earnshaw e Edgar Linton

A morte de Catherine quebra o único vínculo que Heathcliff tinha com a sensibilidade e com os sentimentos humanos. A partir de então, tornar-se-á um algoz dos seus inimigos. Ver a amada morta desperta-lhe a fúria de um leão ferido. Heathcliff culpa Hindley e Edgar Linton pela morte da amada e, por ela ter sido dele afastada. Diante de todos, jura vingança aos dois. Já não existe Catherine, o motivo do seu amor e da sua contemplação; restam vivos aqueles que eram o motivo do seu ódio.
Para começar a sua vingança, Heathcliff traça um plano dividido em dois atos:
Primeiro, vingar-se de Edgar. Aproxima-se de Isabella Linton, irmã de Edgar, seduzindo-a e com ela fugindo. Após a sedução, ele fará da vida da mulher um inferno, maltratando-a, desprezando-a e fazendo-a infeliz, até que definhe de tristeza. Isabella foge do marido, vivendo longe dele até a sua morte. Ela deixa um filho, o único herdeiro de Heathcliff, a quem chamou de Linton.
O segundo ato do plano, vingar-se de Hindley. Para isto, volta a morar no morro dos ventos uivantes, na casa do seu inimigo, outrora algoz. Hindley tornara-se um bêbado após a morte da mulher, tornando-se endividado, tendo Heathcliff como o seu grande credor. Humilhado por Heathcliff, que lhe tomara todos os bens, Hindley morre na mais completa miséria, deixando um filho, Hareton.
A vingança de Heathcliff está confirmada, ele torna-se o dono de Wuthering Heights, lugar que um dia o recebera como lar, onde conhecera o grande amor da sua vida e onde sofrera todas as humilhações. Daquele tempo restara a lembrança mórbida de Catherine, o seu amor fantasmagórico, que não lhe deixa à memória um só dia. O amor que o consome e destrói a sua vida e a de todos à volta, é a força que encontra para seguir em frente, sendo o ódio o movimento vital que o faz caminhar. A vingança poderia ter encerrado após as mortes de Hindley e Edgar, mas ela continuaria, estender-se-ia sem perdão para a nova geração.

Dois Fantasmas Vagam Pelo Morro dos Ventos Uivantes

A fúria vingativa de Heathcliff não conhece limites, estendendo-se à nova geração, nascida dos enlaces das personagens durante a saga: Hareton Earnshaw, filho de Hindley Earnshaw; Catherine Linton, filha de Edgar Linton e Catherine; e, Linton, filho de Isabella e do próprio Heathcliff. Os três tornar-se-iam vítimas da vingança implacável de Heathcliff.
hareton, o verdadeiro herdeiro de Wuthering Heights, cresceu sem a herança do pai, tornando-se um simples servo da casa, sofrendo de Heathcliff todas as humilhações que Hindley lhe impusera no passado. hareton cresce sem acesso à educação e a qualquer direito social, vivendo na mais completa servidão. Ironicamente, ele apegara-se a Heathcliff, não se apercebendo que era fruto de uma vingança, achando que o amo e senhor livrara-o da miséria deixada por um pai alcoólico, dando-lhe casa e proteção. Hareton torna-se fiel a Heathcliff, sendo a única pessoa que lhe tem afeto.
Linton, o herdeiro de Heathcliff, é um jovem inseguro, de índole fraca e saúde debilitada. Viveu protegido pela mãe, longe do pai, até que esta morreu. Ao contrário de hareton, foi criado com todos os mimos e recebendo uma educação sofisticada. Foi arrebatado pelo pai logo que lhe morreu a mãe, odiando viver no ambiente sombrio e rural de Wuthering Heights. Sua fragilidade excessiva irrita Heathcliff, que tem planos para ele.
Catherine Linton, a única filha de Catherine, herdara a beleza física da mãe, sendo parecida com ela. Criada pela doce Nelly, ela foi atraída da granja do pai para Wuthering Heights, diante da curiosidade de conhecer o primo Linton. A ela não se foi revelada a verdade sobre Heathcliff e à mãe morta. Linton, obrigado pelo pai, seduz a prima, com quem se casa. Esta união é o ápice da vingança de Heathcliff sobre Edgar Linton, que vê a sua única filha a ir viver na degradada casa de Earnshaw, agora pertencente ao seu maior inimigo. Quando Edgar Linton morre, a sua propriedade passa para as mãos de Linton, marido de Cathy. Mas Linton, covarde e desprovido de uma personalidade vincada, morre jovem, assim, o pai, Heathcliff, passa a ser tutor de Cathy e herdeiro da granja dos Linton. A sua vingança estava consolidada. Era senhor absoluto dos bens e das propriedades daqueles que outrora o humilhara.
Cumprida a vingança final, nada resta a Heathcliff, a não ser a lembrança obsessiva do fantasma de Catherine. Ele entrega-se cada vez mais a essas lembranças, tendo a razão tragada por elas. Heathcliff jamais deixa de ser um homem atormentado, vivera uma vida voltada para a paixão que sentira por Catherine. Amara e odiara com tanta intensidade, que perdera os limites morais, beirando à loucura. Seu amor incondicional por Catherine dera-lhe a intensidade destruidora dos que o ladeava e de si mesmo. A solidão final leva-o ao delírio de uma loucura anunciada, levando-o a morte. Como último desejo, é sepultado ao lado de Catherine, seu grande amor. Desejo que não choca os habitantes de Gimmenrton. Para os moradores do povoado, ambos eram sombrios, almas gêmeas e destrutivas, fantasmagóricos... Todos juram que eles emergem da sepultura, vagando pelas charnecas do morro, eternamente cortado pela ventania, sob ecos murmurantes...
Ironicamente, no meio a tantas mortes, dor e destruição, a autora termina o livro com a esperança triunfante no amor inesperado de hareton e Cathy, que se casam, voltando a herdar o que lhes tirara a vingança de Heathcliff.

Emily Brontë

Emily Jane Brontë nasceu em Thornton, Yorkshire, na Inglaterra, em 30 de julho de 1818. Era a quinta filha do casal Patrick Brontë e Maria Branwell, em uma prole de cinco mulheres e um homem.
Aos três anos ela perdeu a mãe, sendo criada pela Tia Branwell, que contou com a ajuda de uma empregada doméstica, Thabitha, carinhosamente chamada de Taby, de quem se afeiçoaria por toda a vida. Foi através das histórias de Taby que as irmãs Brontë puderam desenvolver as suas verves literárias, criando brincadeiras infantis repletas de personagens imaginárias.
Em 1824, Emily e as suas três irmãs mais velhas foram enviadas pelo pai para estudar em Cowan Bridge. No ano seguinte, Maria, a irmã mais velha, foi acometida de febre e definhou até a morte, o mesmo acontecendo com Elizabeth, um mês depois. Temendo pela saúde das filhas em Cowan Bridge, Patrick Brontë as trouxe de volta para casa.
Nos serões em casa, os irmãos Brontë costumavam ler em voz alta “As Mil e Uma Noites”. Quando o irmão Patrick Branwell ganhou do pai uma caixa com soldadinhos de chumbo, Charlotte, Emily e Anne desenvolveram a partir deles, histórias que registraram em forma de jornal, ao qual chamaram de Angria. Anne e Emily criaram histórias, situando-as na ilha de Gondal.
Dos quatro irmãos sobreviventes, três, Emily, Charlotte e Anne tornaram-se escritoras, enquanto que Patrick Branwell tornou-se um talentoso pintor, é dele o famoso retrato de perfil de Emily Brontë e o das três irmãs Brontë; mas o alcoolismo destruiu uma carreira promissora, e Branwell morreria prematuramente, aos 31 anos, em setembro de 1848.
Em 1846, Emily concordou em que Charlotte publicasse, sob pseudônimo, uma coletânea de poemas. Assim, em maio daquele ano, foi publicada uma coletânea de poemas de Currer Bell, Ellis Bell e Acton Bell, pseudônimos respectivamente, de Charlotte Brontë, Emily Brontë e Anne Brontë. Naquele mesmo ano, os manuscritos de “Agnes Grey”, de Anne Brontë, e de “O Morro dos Ventos Uivantes”, de Emily Brontë, foram aceitos por um editor.
Em 1847, Charlotte Brontë teve publicado, em outubro, o romance “Jane Eyre”, que entraria para sempre para a literatura inglesa. Em dezembro eram publicados “O Morro dos Ventos Uivantes”, de Emily Brontë, e “Anne Grey”, de Anne Brontë.
A obra de Emily Brontë sofreu grande rejeição, enquanto que “Jane Eyre” tornou-se um grande sucesso na época.
Emily Brontë morreu de tuberculose, aos trinta anos, em 19 de dezembro de 1848, três meses após a morte do irmão. Jamais imaginou que o seu único romance escrito transformar-se-ia em um dos mais consagrados da literatura inglesa e universal. A escritora foi enterrada na igreja de St. Michael and Angels Cemetery, em Haworth, Yorkshire, lugar que viveu desde os dois anos de idade, dele saindo por curtos períodos. Sua personalidade aparentemente introspectiva, revelou-se infinita diante das personagens inesquecíveis de “O Morro dos Ventos Uivantes”. Ícone único da literatura inglesa, a obra teve várias adaptações para o cinema e traduções em diversas línguas.

CRONOLOGIA

1812 – Casamento, em 29 de setembro, do reverendo Patrick Brontë com Maria Branwell.
1818 – Nasce em Thornton, Yorkshire, em 30 de julho, Emily Jane Brontë, filha do reverendo Patrick Brontë.
1820 – A família muda-se, em abril, para Haworth.
1821 – Morre a mãe de Emily, Maria Branwell.
1824 – Emily e as suas três irmãs vão estudar em Cowan Bridge.
1825 – Morre, em maio, a irmã Maria. Em junho morre outra irmã, Elizabeth.
1826 – As crianças ganham soldadinhos de chumbo de presente, que seriam o ponto de partida para os relatos de Angria e Gondal.
1829 – Têm início os jornais de Angria.
1831 – Charlotte, uma das irmãs Brontë, vai estudar em Roe Head.
1835 – O irmão Patrick, vai estudar em Londres. Charlotte e Emily partem para Roe Head, a primeira como professora, a segunda como aluna.
No mesmo ano, Emily volta para Haworth.
1837 – Emily vai lecionar em Law Hill, mas volta para casa alguns meses depois.
1842 – Emily viaja com Charlotte para Bruxelas, em fevereiro, retornando à Inglaterra em novembro.
1846 – Em maio é publicada a coletânea de poema de Currer Bell, Ellis Bell e Acton Bell, pseudônimos respectivamente, de Charlotte Brontë, Emily Brontë e Anne Brontë. Os manuscritos de “Agnes Grey”, de Anne Brontë, e de “O Morro dos Ventos Uivantes”, de Emily Brontë, são aceitos.
1847 – Publicado em outubro, “Jane Eyre”, de Charlotte Brontë. Publicados em dezembro, “O Morro dos Ventos Uivantes”, de Emily Brontë, e “Anne Grey”, de Anne Brontë.
1848 – Morre, em 24 de setembro, Patrick Branwell Brontë, irmão da escritora. Morre em 19 de dezembro, de tuberculose, Emily Brontë.
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Sábado, 14 de Novembro de 2009

O MUNDO E A CRISE DO PETRÓLEO DE 1973

 

 
Descoberto no início do século XX, o petróleo passou a ser o principal fornecedor de energia, gerando um progresso acelerado aos países que se industrializaram e formaram grandes potências econômicas.
Se o petróleo era o elemento principal da economia das grandes potências, originando progresso e riqueza, o mesmo não acontecia aos países que produziam o precioso ouro negro. O Oriente Médio tornou-se desde o fim da Primeira Guerra Mundial, o principal produtor de petróleo do mundo, o que levou à cobiça dos europeus, que dominaram a região por décadas, colonizando e explorando as suas riquezas. Aos poucos, os países do Oriente Médio foram adquirindo a sua independência política, mas sem ter o controle da sua principal riqueza, que até 1970, tinha mais de 90% da sua produção petrolífera controlada por sete companhias, as chamadas “Sete Irmãs”.
Nas décadas de 1960 e 1970, a economia mundial estava totalmente dependente do petróleo, sem ele não havia progresso. Cientes desta dependência, os países produtores decidiram unir suas forças, rompendo com o cartel das “Sete Irmãs”. Surgia a Organização dos Países Exportadores de Petróleo, a OPEP (OPEC, em inglês), e a luta contra as grandes companhias petrolíferas começou a ser travada, com vitórias lentas, mas definitivas, para os países produtores do óleo negro.
Não só interesses econômicos moveram esta luta, mas principalmente, políticos. O conflito entre árabes e israelenses, marcados pela Guerra dos Seis Dias, em 1967, e pela Guerra do Yom Kippur, em 1973, em que os árabes sofreram derrotas e humilhações indeléveis, foi o principal fator que fez do petróleo uma arma econômica. Para pressionar os Estados Unidos e a Europa, que apoiaram Israel nos conflitos, os árabes uniram-se, reduzindo a produção do petróleo, forçando o aumento drástico no preço do barril, originando a maior crise do petróleo, que afetou toda a economia mundial. A Europa e o Japão foram os que mais sofreram, sendo obrigados a racionar energia. Os Estados Unidos travaram o consumo e investiu nas suas reservas. Os países em desenvolvimento como o Brasil, foram os mais afetados, pois o encarecimento desta fonte de energia gerou um desequilíbrio nas suas frágeis economias. Com a crise petrolífera de 1973, encerrava-se o chamado “Milagre Econômico Brasileiro”, e o país entraria em colapso econômico, crise que se veio a agravar, só encerrando depois do fim da ditadura militar.
A crise do petróleo de 1973 não seria a única, mais duas viriam, uma em 1979, com a queda do Xá Reza Pahlavi e a Revolução Islâmica Iraniana, outra em 1990, que deflagrou a Guerra do Golfo; mas seria a pior delas, pois só então o mundo apercebeu-se da dependência que tinha em relação ao petróleo e, de quem eram os verdadeiros donos do petróleo, ou seja, os países que o produziam e o exportavam. Desde então, os países buscaram alternativas ao petróleo, investindo em outras fontes de energia. E o mundo árabe passou a ter voz no cenário político internacional. A crise de 1973 pôs fim à fartura do petróleo, iniciando à consciência de que o ouro negro era finito, e que o a sua extinção é uma questão de tempo.

A Criação da OPEP

Quando descoberto no início do século XX, o petróleo passou a ser a fonte de energia mais utilizada pelas nações industrializadas. A sua produção estava restrita a poucos lugares do planeta, sendo o Oriente Médio, o principal produtor. Dominando pelos europeus, os países produtores não tinham direito algum sobre as suas riquezas naturais. Mesmo quando alcançaram a independência política, caíram no domínio absoluto das grandes companhias petrolíferas. Muitas vezes, menos de 10% do petróleo comercializado ficava no país produtor.
Somente a partir do fim da Segunda Guerra Mundial é que os países produtores de petróleo vão tomar consciência da exploração a que se submetiam, e da necessidade de reter a riqueza que se esvaía, beneficiando apenas as grandes companhias. Iniciou-se uma luta progressiva dos produtores petrolíferos, com poucos avanços durante décadas.
Um fato marcante aconteceu em 1959, quando se reuniu na cidade do Cairo, no Egito, o Primeiro Congresso Árabe do Petróleo, contando com a participação da Venezuela. Durante o congresso, deliberou-se que os países produtores tivessem uma maior integração na indústria petrolífera e, que se criasse companhias nacionais que operariam ao lado das sociedades privadas. Naquele ano as grandes companhias impuseram uma redução de 18% sobre os preços de referência do petróleo do Oriente Médio.
Sete grandes companhias, chamadas de “Sete Irmãs”, controlavam a produção do petróleo no mundo, sendo elas cinco americanas, a Standard Oil of New Jersey (conhecida pelo mundo como Esso e Exxon nos EUA), a Standard Oil of California (hoje parte da Chevron), a Gulf Oil (também parte da Chevron), a Mobil Oil e a Texaco; uma britânica, a British Petroleum; e, uma anglo-holandesa, a Royal Dutch-Shell. Em agosto de 1960, a Esso tomou a iniciativa de impor uma outra redução de 18% sobre os preços do petróleo, fazendo com que o preço do barril chegasse a um patamar inferior ao ano de 1953.
Como reação à baixa no valor do barril do petróleo, os países produtores responderam com energia ao cartel dos consórcios internacionais, conclamando uma reunião em Bagdá, no Iraque, em 14 de setembro de 1960, da qual participaram representantes da Arábia Saudita, Iraque, Irã, Kuwait e Venezuela. Na reunião foi assinado o “Convênio de Bagdá”, documento que criou a Organização dos Países Produtores de Petróleo (OPEP). A organização definiu como objetivo principal do seu estatuto, a coordenação e unificação das políticas petroleiras dos países membros, determinando melhores meios de salvaguardarem seus interesses ante as companhias petrolíferas. Além dos cinco países fundadores, outros se juntaram a OPEP, constituindo 12 membros na época da crise, em 1973: Irã, Iraque, Arábia Saudita, Kuwait, Venezuela, Líbia, Argélia, Indonésia, Emirados Árabes, Nigéria, Qatar e Equador. Atualmente, 13 países são membros da OPEP, sendo Angola o décimo terceiro membro, que entrou para a organização em 2007. O Gabão fez parte da OPEP de 1975 a 1994, sendo um ex-membro. O Equador, que se tornou membro em 1973, deixou a organização em 1992, voltando a fazer parte dela em 2007. A participação da Indonésia está em processo de revisão, pois já não é considerado pela OPEP um país exportador de petróleo líquido.
Com a formação da OPEP, uma nova página seria escrita na história do petróleo. Sua ascensão eliminaria futuramente, as tramas do monopólio das Sete Irmãs no mercado de energia. Também transformaria o petróleo em arma de negociação entre as nações, interferindo e influenciando em vários conflitos mundiais surgidos no Oriente Médio ao longo das décadas. Mas as vitórias econômicas da OPEP só viriam a partir de 1970. Até lá, nacionalizações do petróleo e pressões econômicas sobre o mundo definiram a consolidação da OPEP como organização de peso.

A Guerra de 1967, a OPAEP e o Acidente do Oleoduto de Tapline em 1970

Em maio de 1967, Síria, Jordânia e Egito lideraram uma invasão a Israel, para tirar o Estado judaico do mapa. Explodia uma guerra que duraria apenas seis dias, mas que deixaria conseqüências históricas definitivas. Israel infligiria aos árabes a mais humilhante derrota de todos os tempos. Na Guerra dos Seis Dias, os israelenses tomariam aos egípcios a península do Sinai e a Faixa de Gaza; aos sírios as colinas de Golã; e, aos jordanianos, a Cisjordânia e Jerusalém. A derrota mostrou a fragilidade dos exércitos dos países árabes ante ao exército israelense.
Além da derrota, o mundo árabe ressentiu-se do apoio explícito do mundo ocidental a Israel, excepcionalmente o apoio dos Estados Unidos. Em novembro, a Organização das Nações Unidas (ONU), aprovou a Resolução nº 242, condenando a invasão dos israelenses aos territórios árabes, pedindo a retirada imediata da zona de ocupação, além de conclamar uma solução justa para a questão dos refugiados palestinos. Apesar da resolução da ONU, não foi aplicado esforço algum para que ela fosse cumprida.
No rebote da Guerra dos Seis Dias surgiu mais uma organização para defender os interesses dos produtores de petróleo, a Organização dos Países Árabes Exportadores de Petróleo (OPAEP). A organização foi fundada em 9 de janeiro de 1968, por um documento assinado entre países árabes, em Beirute, no Líbano. O acordo foi assinado pela Arábia Saudita, Líbia e Kuwait. Juntar-se-iam aos três países fundadores a Argélia, o Bahrein, os Emirados Árabes Unidos e o Qatar, em 1970; a Síria e o Iraque, em 1972; o Egito, em 1973; e, a Tunísia, em 1982, que deixaria a organização em 1986. A OPAEP só admite países árabes como membros.
A 3 de maio de 1970, um pequeno acidente na Síria, que geraria a ruptura de um oleoduto, iniciaria a primeira retaliação dos árabes às grandes companhias petrolíferas, era o começo da grande crise petrolífera que culminaria em 1973.
Até 1970, dez anos passados da fundação da OPEP, os resultados obtidos pelos países exportadores de petróleo foram restritos a um pequeno aumento de impostos pagos pelas companhias estrangeiras, que continuavam a controlar 80% das exportações de petróleo bruto e 90% da produção do Oriente Médio e da África do Norte. Médio Oriente e África possuíam 60% das reservas mundiais de petróleo, estando vinculados a contratos das grandes companhias, que previam a estas, mediante o pagamento de determinadas quantias, a concessão sem limites da exploração do óleo extraído do subsolo árabe. 97% deste óleo iam para as mãos das concessionárias a preços que se mantinham praticamente inalterados desde a Segunda Guerra Mundial.
Naquele maio de 1970, um trator a operar na Síria, próximo ao oleoduto de Tapline (Trans Arabic Pipe Line), filial da Aramco (Arabian American Company), chocou-se contra as instalações por onde passavam, anualmente, 30 milhões de toneladas de petróleo, que vinham da Arábia Saudita com destino ao porto libanês de Sidon. O acidente parecia ser fácil de ser resolvido pelos diretores da Texaco, Standard Oil of Califórnia, Esso e Mobil Oil (as “quatro irmãs” sócias da Aramco), bastaria um pedido de autorização para entrar no território sírio e reparar o oleoduto, um procedimento rotineiro nos campos petrolíferos. Inesperadamente, a autorização foi negada pelo governo sírio, que manteve o veto ao acesso a seu território por nove meses. O transtorno atingiu à Europa Ocidental, que se viu subtraída de 60 mil barris de petróleo por dia, gerando grandes prejuízos econômicos.

Nacionalizações de Empresas Petrolíferas e Aumento dos Preços do Petróleo

Os reveses dos exploradores de petróleo estavam apenas a começar, duas semanas após o acidente do Tapline, Argélia, Iraque e Líbia enviaram os seus ministros do petróleo a um encontro em Argel, que se decidiram unir contra as companhias petrolíferas internacionais, trazendo exigências como a revisão dos contratos, o aumento de preços e impostos sobre o óleo extraído dos seus subsolos.
Os resultados do encontro surtiram efeito logo em julho, quando a Argélia aumentou os impostos sobre os lucros de uma das companhias francesas que exploravam o seu subsolo. No mesmo mês, a Líbia nacionalizou as companhias que distribuíam o seu petróleo, convocando a seguir, a Esso e a Occidental Petroleum a debaterem o aumento dos preços. O coronel Muammar Khaddafi, presidente líbio, intimidou a Occidental Petroleum a reduzir 100 mil toneladas diárias de petróleo.
A união dos paises produtores de petróleo contra o truste das companhias internacionais aumentou o poder de barganha. Os três maiores campos petrolíferos do mundo estavam no golfo Pérsico, em El Ghuar, na Arábia Saudita; Borkan, no Kuwait; e Kirkut, no Iraque. Os três países decidem aumentar os impostos sobre os lucros das concessionárias.
Em novembro de 1970, Houari Boumédienne, presidente da Argélia, nacionalizou a Mobil Oil e a Newmont. Em dezembro, a OPEP reuniu-se em Caracas, na Venezuela, decidindo que a partir de então, o preço do petróleo seria unificado, eliminando assim, as diferenças que haviam de um país produtor para o outro. Os preços foram alinhados pelo que era praticado mais alto, sendo aumentados. Na reunião, constituíram ainda, um comitê especial para negociar com as sociedades petrolíferas em nome dos países do golfo Pérsico. O petróleo tornou-se mais caro, conseqüentemente, os produtos nos Estados Unidos e na Europa.
Mas dois membros do comitê formado na reunião de Caracas, Ahmed Yamani, ministro saudita, e Jamshid Amouzegar, ministro iraniano; revelam à mídia do ocidente que vão moderar o debate a favor dos interesses dos norte-americanos. Irã e Arábia Saudita eram aliados tradicionais dos Estados Unidos, esta posição marcaria o inicio das divergências entre os países produtores de petróleo. As divergências entre os árabes, os conflitos árabe-israelense, e ganância das grandes potências em resolver os seus interesses, entrelaçavam-se de forma perigosa, começando a desenhar a crise do petróleo.

O Prelúdio da Crise de 1973

A derrota na Guerra dos Seis Dias, em 1967, deixou os países árabes feridos em seu orgulho, dispostos a uma revanche. Líderes egípcios como Gamal Abdel Nasser e o seu sucessor, Anwar Sadat, conclamavam que somente uma nova guerra poderia obrigar Israel a devolver os territórios anexados. Em 1971, Sadat vociferava que se os israelenses não deixassem a zona de ocupação até o fim do ano, deflagraria a guerra. As ameaças não se concretizaram naquele ano.
Em fevereiro de 1971, as companhias petrolíferas internacionais são obrigadas a ceder, fazendo uma oferta superior às pretensões dos produtores: 35 centavos de dólar como referência do preço do barril de petróleo, com dois aumentos anuais correspondentes à inflação e à demanda; contra os 12 e 17 centavos de dólar por barril que a OPEP esperava. As concessionárias garantiram assim, os investimentos e o controle da produção, indo buscar o lucro exorbitante aos principais compradores do golfo Pérsico, a Europa e o Japão, que reféns do petróleo, arcaram com os aumentos na sua economia, pagando um grande preço social. Esta crise travou o crescimento dos japoneses e dos europeus, favorecendo os Estados Unidos, ameaçados pela concorrência nipônica e européia. Esta garantia das grandes companhias fez com que elas reinvestissem os lucros com a venda do petróleo em pesquisas de novas fontes de energia, satisfazendo os norte-americanos.
As divergências entre os membros da OPEP precipitaram os acontecimentos. A Argélia e a Líbia foram as que mais protestaram contra as decisões, exigindo que as companhias fossem obrigadas a reinvestir maior parte dos lucros do petróleo nos países produtores. Diante do impasse, a Líbia terminou por privatizar a British Petroleum Company, composta pela Esso, Shell, Britsh Petroleum, Mobil Oil e Compagnie Française de Pétroles. A Argélia, por sua vez, nacionalizou as empresas petrolíferas francesas.
Em 1972, realizou-se o Congresso Árabe do Petróleo, em Argel, onde os participantes recomendaram à OPEP que o petróleo fosse posto a serviço da nação árabe. Era o prelúdio do uso do petróleo como “arma econômica”, que seria usada no próximo conflito árabe contra Israel. A consciência desse poderio atingia todos os países árabes, o incentivo às nações produtoras de petróleo de apropriarem-se progressivamente das suas próprias riquezas alastrou-se. Era preciso valorizar esta riqueza e através dela, consolidar maior participação dos árabes na política internacional. Estes objetivos começariam a ser testados em outubro de 1973, quando explodiu uma nova guerra entre árabes e israelenses.

Deflagrada a Guerra e a Crise

O ano de 1973 foi marcado por encontros diplomáticos entre vários líderes árabes. Um encontro no Cairo, entre o presidente da Síria, Hafez Assad; o rei Hussein, da Jordânia; e, o monarca saudita Faiçal Ibn Abdul Aziz al Saud; despertou a curiosidade da imprensa ocidental, que vislumbrava uma possível ação militar contra Israel. A iminência da guerra aumentou quando o presidente egípcio Anwar Sadat, o líder argelino Houari Boumédienne e o presidente da organização de libertação da Palestina, Yasser Arafat, encontraram-se. Sucessivas reuniões das lideranças árabes precediam uma imensa nuvem de guerra no Médio Oriente.
No dia 6 de outubro de 1973, as suspeitas são confirmadas, forças militares egípcias ocuparam, em seis horas, toda a margem oriental do canal de Suez. Simultaneamente, os sírios avançaram sobre as colinas de Golã. A luta bélica estava iniciada, era o feriado judaico do Yom Kippur, por isto o quarto conflito árabe-israelense ficou conhecido como a Guerra do Yom Kippur, ou a Guerra do Kippur-Ramadã. Os conflitos estenderam-se de 6 a 26 de outubro de 1973.
A Guerra do Yom Kippur ficou caracterizada por misturar a política internacional com o petróleo. Os Estados árabes tinham a consciência da importância do petróleo na economia mundial, e de que eram os maiores produtores do ouro negro. Esta evolução na relação dos produtores com o petróleo, levou-os a ter maior autonomia ante a exploração das companhias petrolíferas e, maior força política nas questões internacionais. Enquanto violentos combates eram travados nos campos de luta, o Iraque decretava a nacionalização dos bens da Mobil Oil e da Esso, na Barash Petroleum Company (consórcio com a mesma composição da já nacionalizada Iraq Petroleum Company), limitando parte dos interesses norte-americanos nas suas jazidas petrolíferas. A OPAEP, dez dias após o inicio da guerra, reuniu-se no Kuwait, decididos a usar o petróleo como arma de guerra. Na reunião foram tomadas medidas que reduziam a produção de óleo destinada aos Estados Unidos e demais países que apoiavam Israel. A decisão estava disposta a ir ao embargo total aos norte-americanos e aos países vistos pelos árabes como não amigos, como a Holanda, que apoiava abertamente Israel; a Rodésia; a África do Sul e Portugal.
O mundo ocidental, especificamente os EUA, apoiavam Israel, mas necessitavam do petróleo árabe. As companhias petrolíferas norte-americanas pressionaram o governo de Washington a mudar de tática em relação à diplomacia que tinham com o Oriente Médio. A decisão da OPAEP de usar o petróleo como barganha política, exigiu que o mundo e os EUA apoiassem os árabes na Guerra do Yom Kippur, algo diplomaticamente impossível para aqueles países. Era o início das mudanças no jogo político econômico do petróleo, mostrando ao mundo que as relações internacionais entre produtores e consumidores atingiam um outro patamar. Os produtores começavam a controlar as suas jazidas, há décadas exploradas pelas companhias internacionais, obtendo finalmente, maiores benefícios econômicos e poder de barganha política para os seus interesses. A disposição dos árabes em usar o petróleo como arma poderosa, levou o mundo a uma grande crise econômica, em 1973, que ficou conhecida como a crise do petróleo.

A Crise de 1973 e as Conseqüências para o Mundo

O uso do petróleo como arma de guerra teve conseqüências dramáticas para a economia dos paises que dele dependiam. A Europa consumia 80% do petróleo que provinha do Oriente Médio e o Japão 90%. Quando os árabes iniciaram o embargo do petróleo, reduzindo a produção até o limite oficial de 15% com variações de um produtor para o outro, os europeus foram obrigados a racionar combustível, impondo a proibição da circulação de veículos em dias definidos da semana; os japoneses fizeram reduções drásticas de consumo de energia, afetando a produtividade das suas indústrias.
A crise atingiu aos países em desenvolvimento, considerados amigos pelos árabes, de forma indelével, já que se utilizavam do petróleo como fonte de energia barata, tendo o seu valor aumentado bruscamente. O Brasil recorreu ao racionamento de combustível, viu a mentira do chamado “Milagre Econômico” esvair-se, entrando em um dos períodos mais difíceis da sua economia.
Curiosamente, o embargo que tinha como objetivo principal atingir os Estados Unidos, não consegue o propósito. Os Estados Unidos eram menos dependentes do petróleo árabe, tomando medidas de cautela relativas às reservas que possuíam e ao consumo. Foram beneficiados pelo freio nas economias européias e japonesa, concorrentes diretas dos seus produtos. O embargo aos norte-americanos foi suspenso em março de 1974. Um mês antes, Irã e Arábia Saudita, principais aliados árabes dos Estados Unidos, receberam uma considerável quantidade de aviões de guerra norte-americanos. Naquele ano, a Aramco aumentou os seus investimentos na Arábia Saudita de 500 para 800 milhões de dólares.
As companhias petrolíferas, conhecidas por “Sete Irmãs”, tiveram grandes lucros com a crise, pois eram as únicas com condições de fazer os maiores lances no mercado negro do petróleo, dominando a produção e o transporte do produto árabe, vendendo-o por preços exorbitantes aos consumidores. Com a crise, as “Sete Irmãs” viram os seus lucros, em 1973, a atingirem um aumento de 159%.
A alta explosiva nos preços do petróleo enriqueceu muitos países árabes, que viram a renda per capita subir para os 5 mil dólares anuais. Qatar, Kuwait, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Líbia, formaram o conjunto de paises novos ricos do Oriente Médio.
A crise do petróleo de 1973 afetou o mundo inteiro. As conseqüências, em princípio daninhas para a economia do mundo, foram, ao longo do tempo, benéficas e positivas. Foi a partir dela que se teve a consciência da dependência que a economia mundial tinha do petróleo, da fragilidade dessa dependência, e da necessidade de investir-se em outras fontes de energia. No Brasil, o desenvolvimento da utilização do álcool como combustível foi uma conseqüência da crise do petróleo.
Se a crise petrolífera de 1973 serviu para a busca de novas fontes de energia no mundo, ela conseguiu aumentar as diferenças econômicas entre os países ricos e pobres, fomentando um quadro de desigualdade social por todo o planeta. Não solucionou o conflito entre árabes e israelenses, que continuam a insurgir revoltas e guerras na região, ceifando milhares de vidas.Após 1973, o mundo testemunharia mais duas grandes crises do petróleo, que continuou a ser usado como arma política: a de 1979, originada pela deposição do Xá Reza Pahlavi e a Revolução Islâmica, no Irã; e, a de 1991, desencadeada pela Guerra do Golfo. O petróleo continua a ser um grande provedor de energia, conseguindo movimentar a economia mundial. Os esforços para substituí-lo por outras fontes exigiram investimentos em estudos, com o objetivo de oferecer outras alternativas quando o ouro negro for esgotado. Esta consciência só foi possível graças à crise de 1973 e as suas conseqüências históricas, que marcaram os últimos anos do século XX.
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Domingo, 1 de Novembro de 2009

OVOS FABERGÉ - O ÚLTIMO ESPLENDOR DA RÚSSIA CZARISTA

 

 
A Páscoa é a data litúrgica mais importante da Igreja Ortodoxa Russa. Momento de festejos e confraternizações, tendo como tradição a troca de ovos de galinha decorados, que representam o símbolo da vida renovada pela esperança. Quando o czar Alexandre III, em 1885, em comemoração à Páscoa, pediu ao joalheiro Peter Karl Fabergé, que fizesse uma jóia em forma de ovo para presentear a esposa, a czarina Maria Feodorovna, não sabia que se iria criar a tradição dos ovos imperiais Fabergé, verdadeiras obras de arte da joalheria universal, com peças únicas, de uma beleza imarcescível e de valor exorbitante.
A mística criada em torno dos ovos Fabergé sobreviveu ao fim do Império Russo, atravessou o tempo, mantendo-se como jóias raras e cobiçadas por colecionadores milionários. As peças têm cerca de 13 centímetros, feitas de metais de prata, ouro, níquel, platina ou cobre, decoradas com desenhos em detalhes coloridos, crivados de pedras preciosas como o quartzo, rubi, ágata, diamante, jade e lápis-lazúli. A genialidade de Fabergé criou mais de 140 tonalidades nas peças. Dentro dos ovos haviam miniaturas surpresas, confeccionadas por metais nobres e pedras preciosas.
Os ovos Fabergé foram todos criados para os czares Alexandre III e Nicolau II, pai e filho respectivamente, no período de 1885 a 1917, sendo oferecidos durante a Páscoa entre os membros da família real. Com a Revolução Russa, de 1917, Fabergé exilou-se na Suíça. Após os conflitos revolucionários, os cobiçados ovos foram expropriados à família imperial, alguns foram perdidos durante as pilhagens aos palácios, não se sabendo onde estão.
Tidos como expoentes da arte joalheira, os ovos imperiais Fabergé são hoje disputados por colecionadores de todo o mundo, alcançando grandes valores no mercado que negocia obras de arte. A Casa Fabergé persistiu ao tempo e às revoluções, sendo representada na França, Inglaterra, Alemanha, Estados Unidos e Brasil. Nos dias atuais, produz séries limitadas de ovos, reproduzindo os desenhos originais das jóias imperiais russas dos séculos XIX e XX.
A lenda em torno dos ovos Fabergé é um dos enigmas dos tempos atuais. Sua beleza é ao mesmo tempo, o símbolo de uma opulência final, terminada com a tragédia do fuzilamento do último czar russo e de toda a família imperial. As jóias representam o último esplendor da dinastia czarista, então decadente e pronta para mergulhar nas trevas da história. A perfeição da beleza sedutora e mágica dos ovos ofusca a mística em torno dos extintos czares russos e da própria família Romanov.

O Primeiro Ovo Imperial

Peter Karl Fabergé nasceu em 18 de maio de 1846 do antigo calendário Juliano, adotado na época pela Rússia, ou, em 30 de maio, do calendário Gregoriano. Teria como nome de batismo Karl Gustavoich Fabergé. O pai, Gustav Fabergé, estabeleceu um bem sucedido negócio de jóias, em 1942, em São Petersburgo, que lhe permitiu enviar o filho para estudar na França, Inglaterra, Alemanha e Itália.
Aos 24 anos, em 1870, Fabergé herdou os negócios do pai, assumindo-os com maestria e, em pouco tempo, alcançando prestígio de grande joalheiro tanto na Rússia como em muitos países da Europa. Mediante ao reconhecimento do seu trabalho, Fabergé tornou-se o joalheiro oficial da corte imperial russa, em 1882.
Em 1885, Fabergé recebeu do czar Alexandre III, a encomenda de uma jóia em forma de ovo, para que pudesse dar à czarina, Maria Feodorovna, como presente de Páscoa. A tradição russa de trocar ovos de galinha decorados na Páscoa é comum aos cristãos ortodoxos. Inspirado na decoração milenar dos ovos, Fabergé e os seus artesãos criaram uma jóia única, de rara beleza, que viria a ser o primeiro ovo imperial. Aparentemente, a jóia parecia um pequeno ovo, lavrado em ouro e platina, esmaltado, mas ao ser aberto, revelava o seu magnetismo de beleza e originalidade, em que se apresentava uma gema de ouro, que dentro trazia uma miniatura em forma de galinha, com olhos de rubi e uma réplica em diamante da coroa imperial.
A imperatriz ficou fascinada com a beleza da jóia, levando o czar a encomendar a Fabergé, todos os anos, durante a Páscoa, um ovo para presentear Maria Feodorovna. O imperador exigiu de Fabergé que cada ovo fosse único e que tivesse uma surpresa dentro. Iniciava-se assim, a tradição dos ovos Fabergé na corte czarista, que a cada ano, trazia uma temática diferente. A tradição permaneceria após a morte de Alexandre III, seguida pelo sucessor, seu filho Nicolau II, persistindo de 1885, até a queda do império, em 1917.

A Expansão da Joalheria Fabergé

Por dez anos consecutivos, Alexandre III presenteou à mulher, durante a Páscoa, com um ovo Fabergé. O imperador morreria subitamente no final de 1894, sendo o “Ovo Renascença”, o último que deu a Maria Feodorovna.
Nicolau II, ao assumir o trono, continuou a tradição de oferecer um ovo Fabergé à família, durante a Páscoa. A coroação de Nicolau II seria tema de um dos ovos imperiais. O novo czar tomou como esposa Alexandra Feodorovna.
Ano após ano, Fabergé e os seus artesãos surpreendiam com obras únicas, com motivos temáticos inesgotáveis, de genial criatividade e talento técnico beirando à perfeição. Os ovos Fabergé passaram a ser cobiçados por toda a corte czarista. Com a subida de Nicolau II ao poder, Fabergé passou a criar dois ovos anualmente, um para a nova czarina, Alexandra Feodorovna, outro para a mãe do czar, a viúva de Alexandre III.
Para não repetir os motivos temáticos dos ovos, Fabergé buscava inspiração no cotidiano da vida do czar e da czarina, e, em momentos da história da Rússia, exaltando obras, como a inauguração da estrada de ferro Transiberiana, que ligava Moscou à Sibéria, ou ainda, a geografia russa, como o Cáucaso.
Os ovos imperiais Fabergé, foram mostrados ao mundo, pela primeira vez, em 1900, na Exposição Universal de Paris, na França. A exuberância e beleza das jóias fascinaram os europeus, ganhando prêmios e honras, fazendo com que as jóias Fabergé alcançassem prestígio e fama por todo o continente.
Após a exposição de Paris, Fabergé ampliou consideravelmente os seus negócios, abrindo ateliês em Moscou, Kiev e Londres, em 1906. A supervisão desses ateliês era feita pelo próprio Fabergé. Neles eram produzidos baixelas de jantar, objetos de decoração, relógios, cigarreiras e isqueiros.
Grandes artesãos faziam parte da equipe de Fabergé, entre eles Michael Perkhin, Erik August Kollin e Henrik Wigström, que trabalhavam com exclusividade na criação de um tema escolhido para a confecção de um ovo, que a cada ano ficavam mais exóticos, atingindo a perfeição técnica, o apogeu do artesanato na confecção de jóias. A partir da fama que despertou os ovos czaristas, Fabergé passou a ser procurado por dezenas de clientes particulares, ávidos em adquirir suas jóias imponentes.

A Queda do Czar e o Fechamento da Joalheria

Enquanto a joalheria de Fabergé alcançava um apogeu, o Império Russo entrava em vertiginosa decadência. A criatividade genial de Fabergé exaltava os feitos do czar e da sua família, transformando-os em sofisticadas jóias de presentes de Páscoa; mas a insatisfação da população russa minava esta imagem de opulência, transformando Nicolau II em um dos homens mais impopulares da história do país. Cada vez mais distante do seu papel histórico, o czar viu-se isolado, mostrando-se fraco e de atitudes contraditórias. Envolveu a Rússia na Primeira Guerra Mundial, que ceifou milhares de vidas, trazendo grande humilhação para um povo carente e empobrecido.
A guerra afetou a obra de Fabergé, que se viu obrigado a utilizar com mais freqüência, materiais semipreciosos. A Rússia foi assolada pela fome, pela morte dos seus cidadãos nos campos de batalha, pela caótica administração de um czar fraco e impopular. Enquanto a população faminta invadia e saqueava as grandes cidades, Fabergé confeccionava os últimos ovos imperiais. As jóias ligar-se-iam para sempre à imagem da decadência do Império Russo, paradoxalmente tornando visível a miséria da população e a opulência de um regime falido.
Diante do cenário conturbado que se vivia, com greves e revoltas populares que levariam à queda do czar, Fabergé decidiu pelo fechamento da sua joalheria, em 1916, vista pelos revolucionários como símbolo da abundância corrupta da monarquia czarista. No dia 15 de março de 1917, sem apoio e prestígio, tanto da aristocracia quanto da população, Nicolau II abdicou. O czar e a sua família foram presos e enviados para a Sibéria.
A queda de Nicolau II, pouco antes da Páscoa de 1917, deixou os dois ovos imperiais daquele ano apenas na encomenda, eles tinham como temáticas “Madeira de Karelia” e “Constelação”.

A Mística dos Ovos Fabergé

Com a Revolução Russa, extinguir-se-ia a tradição dos ovos imperiais Fabergé como presentes de Páscoa. Nicolau II entraria para a história como o último czar da Rússia. No dia 17 de julho de 1918, Nicolau II, a czarina Alexandra Feodorovna e os seus cinco filhos, foram executados por um exército furioso de revolucionários.
Da tragédia dos Romanov, Maria Feodorovna, mãe de Nicolau II e viúva de Alexandre III, foi a única que escapou à vingança revolucionária, fugindo para a Inglaterra, a bordo do navio “Marlborough”. A rainha mãe ao fugir, levou consigo o “Ovo da Ordem de São Jorge”, o último que recebeu do filho, nas Páscoa de 1916.
Os outros ovos foram, em sua maioria, confiscados pelo novo governo estabelecido pela revolução, sendo enviados para o Kremlin, em Moscou. Muitos desapareceram durante os saques aos palácios dos Romanov.
Conseqüentemente, a Revolução Bolchevique transformou os ovos imperiais em objetos burgueses e sem função na nova história que se construía na Rússia, tirando-lhes o valor artístico e econômico, desvalorizando-os no mercado.
Fabergé teve o filho Agathon preso pelos revolucionários. Sua libertação foi negociada quando aceitou avaliar as jóias e pedras preciosas confiscadas aos nobres. Após executar este trabalho, Agathon foi anistiado.
Na Rússia bolchevique não havia mais espaço para Fabergé, considerado como autor de objetos fúteis e de luxuriante opulência burguesa. Sua arte de nada valeria para o ascetismo ideológico vigente. Fabergé exilou-se em Lausanne, na Suíça, vindo a falecer nesta cidade, em 1920.
Decorridas muitas décadas da Revolução Russa, os ovos Fabergé passaram a fazer parte do imaginário, dos mistérios e lendas que foram criados em torno dos malogrados Romanov. Não só a beleza estética das peças, como o significado histórico que representam e à tragédia que permeiam misticamente, fizeram dos ovos imperiais tesouros exorbitantemente valiosos, disputados por colecionadores de todo o planeta. Quando leiloados, são vendidos por grandes fortunas. Em 1992, um ovo Fabergé leiloado em Nova York atingiu o valor de 3 milhões de dólares; em 1994, um outro, leiloado na Suíça, foi vendido por 5 milhões de dólares; em 2002, um ovo imperial foi arrematado em leilão da casa Christie’s por 9,6 milhões de dólares. O mais caro de todos os ovos Fabergé foi vendido em leilão da casa Sotheby’s, por mais de 24 milhões de dólares, ele traz a figura da carruagem em que a czarina Alexandra Feodorovna passeava por Moscou.
Estimativas históricas registram que, entre 1885 e 1917, 56 ovos imperiais Fabergé teriam sido confeccionados. No fim do século XX, até 1998, 44 exemplares tinham sido localizados. Todas as peças foram feitas para os czares Alexandre III e Nicolau II.

Ovos Imperiais Fabergé

Ovos de Alexandre III presenteados à esposa, a imperatriz Maria Feodorovna:

1885 – O Primeiro Ovo Imperial – Galinha
1886 – O Segundo Ovo - Galinha com pendente de safira *
1887 – Ovo Relógio da Serpente Azul
1888 – Ovo Querubim e Carruagem *
1889 – Ovo Nécessaire *
1890 – Ovo Palácios Dinamarqueses
1891 – Ovo Memória de Azov
1892 – Ovo Diamantes Incrustados
1893 – Ovo Cáucaso
1894 – Ovo Renascença

Ovos de Nicolau II presenteados à esposa, a imperatriz Alexandra Feodorovna, e à mãe Maria Feodorovna:

1895 – Ovo Botão de Rosa
1895 – Ovo Doze Monogramas
1896 – Ovo Miniaturas Giratórias
1896 – Ovo Alexandre III *
1897 – Ovo Coroação
1897 – Ovo Muget *
1898 – Ovo Pelicano de Ouro
1898 – Ovo Vale dos Lírios
1899 – Ovo Relógio Bouquet de Lírios
1899 – Ovo Amores Perfeitos
1900 – Ovo Ferrovia Transiberiana
1900 – Ovo Cuco
1901 – Ovo Cesto de Flores Silvestres
1901 – Ovo Palácio Gatchina
1902 – Ovo Trevo
1902 – Ovo Empire Nephrite *
1903 – Ovo Pedro, o Grande
1903 – Ovo Jubileu Dinamarquês *
1904 – Desconhecido ?
1904 – Desconhecido ?
1905 – Desconhecido ?
1905 – Desconhecido ?
1906 – Ovo Kremlin de Moscou
1906 – Ovo Cisne
1907 – Ovo Grinaldas de Rosas
1907 – Ovo Troféu do Amor
1908 – Ovo Palácio Alexander
1908 – Ovo Pavão
1909 – Ovo Iate
1909 – Ovo Comemorativo de Alexandre III *
1910 – Ovo Colunas
1910 – Ovo Eqüestre Alexandre III
1911 – Ovo 15º Aniversário
1911 – Ovo Loureiro
1912 – Ovo Czarevich
1912 – Ovo Napoleônico
1913 – Ovo Tricentenário Romanov
1913 – Ovo Inverno
1914 – Ovo Mosaico
1914 – Ovo Catarina a Grande ou Grisaille
1915 – Ovo Cruz Vermelha com Tríptico da Ressurreição
1915 – Ovo Cruz Vermelha com Retratos Imperiais
1916 – Ovo Militar em Aço
1916 – Ovo Ordem de São Jorge
1917 – Ovo Madeira de Karelia (apenas encomendado)
1917 – Ovo Constelação (apenas encomendado)

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